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‘Gênio florestal’ de longa data do Bosque Sagrado da Igreja falece aos 75 anos

Por mais de 25 anos, Robert Parrott trabalhou para preservar e manter o Bosque Sagrado da Igreja em Palmyra, Nova York

Por mais de 25 anos, Robert Parrott, naturalista e gerente florestal, trabalhou para preservar e manter o Bosque Sagrado da Igreja em Palmyra, Nova York, um lugar sagrado onde Deus, o Pai, e Seu Filho Jesus Cristo apareceram ao menino Joseph Smith, em resposta à sua oração.

Com uma barba branca e vestido com uma camisa de flanela, Parrot explicou em uma rara entrevista às câmeras de televisão em 2020 [em inglês], por que a área arborizada, não muito longe da fazenda da família Smith [em inglês], é um dos lugares mais sagrados do mundo.

“Acredito que é uma floresta sagrada e que o Senhor teve boas razões para preservá-la”, disse ele à KSL TV [em inglês]. “Acredito que já era uma floresta sagrada quando os Smiths chegaram aqui. Isso pode ter sido o que levou [o pai de Joseph] Smith a escolher esta propriedade entre milhares de hectares de propriedade de fronteira que ele poderia ter selecionado. Joseph, talvez apenas explorando a propriedade, entrou naquela floresta e sentiu aquela sacralidade. E é por isso que ele escolheu aquela floresta para orar.

Robert “Bob” Parrott fala sobre cuidar do Bosque Sagrado em uma entrevista de 2020. Parrott faleceu na segunda-feira, 15 de maio de 2023.
Robert “Bob” Parrott fala sobre cuidar do Bosque Sagrado em uma entrevista de 2020. Parrott faleceu na segunda-feira, 15 de maio de 2023. | Captura de tela do YouTube, KSL TV

“O que realmente o torna especial é o Espírito que está sempre presente”, continuou ele. “E esse Espírito está sempre presente, se você for receptivo a ele.”

Parrott faleceu de câncer na segunda-feira, 15 de maio. Ele tinha 75 anos.

Descrito por si mesmo como um “gentio desalinhado”, Parrott não era membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mas era considerado um verdadeiro cavalheiro, que tinha profundas convicções espirituais sobre a natureza sagrada dos locais históricos da Igreja em Nova York e Pensilvânia, disse Élder Marlin K. Jensen, um amigo e autoridade geral emérita, que anteriormente serviu como historiador e registrador da Igreja.

“Bob era um gênio florestal autodidata, um verdadeiro encantador de árvores”, disse Élder Jensen, que prestou homenagem a Parrott em seu devocional do Sistema Educacional da Igreja de 2012, intitulado “Estejam no Bosque Sagrado”, compartilhando as lições aprendidas com Parrott e o ecossistema do Bosque Sagrado.

“Ele introduziu práticas de manejo e cuidado florestal que reviveram e revolucionaram o crescimento e a vitalidade da flora e da fauna do Bosque Sagrado, do Monte Cumora e do Local da Restauração do Sacerdócio. Seu presente continuará beneficiando gerações. Ele é insubstituível.”

Robert Parrott caminha no Bosque Sagrado perto de Palmyra, Nova York.
Robert Parrott caminha no Bosque Sagrado perto de Palmyra, Nova York. | Benjamin Pykles

Parrott, considerado uma pessoa quieta, humilde e reservada, se considerava o “Pastor do Bosque”, disse Jack R. Christianson, um amigo que serviu como presidente da Missão Nova York Rochester da Igreja de 2010 a 2013.

Benjamin Pykles, diretor da Divisão de Locais Históricos da Igreja, disse: “Ele realmente amava estes lugares históricos. ... Ele deixa um enorme vazio e um enorme legado. Ele era um grande homem e sentiremos muito sua falta.”

Pessoa certa, na hora certa

Parrott nasceu em 12 de fevereiro de 1948, de acordo com uma história contada por Gary Boatright Jr. [em inglês], gerente de operações dos locais históricos da Igreja.

Por mais de 25 anos, Robert “Bob” Parrott trabalhou para preservar e manter o local histórico do Bosque Sagrado da Igreja em Palmyra, Nova York. Parrott faleceu de câncer na segunda-feira, 15 de maio de 2023.
Por mais de 25 anos, Robert “Bob” Parrott trabalhou para preservar e manter o local histórico do Bosque Sagrado da Igreja em Palmyra, Nova York. Parrott faleceu de câncer na segunda-feira, 15 de maio de 2023. | Thomas Corburn

Naquele mesmo ano, a família de Parrott comprou a fazenda do outro lado da rua do Bosque Sagrado, em Stafford Road. Fora de um período de oito anos durante sua juventude, quando sua família se mudou para um outro lugar não muito longe, Parrott viveu perto do Bosque Sagrado durante toda a sua vida. Ele começou a andar no Bosque Sagrado quando tinha cerca de 14 anos, ele disse a Boatright.

Em 1997, a Igreja contratou Parrott para colher madeira de uma seção próxima da floresta, para reconstruir a cabana original de toras da família Smith.

No ano seguinte, a Igreja pediu a Parrott que implementasse um novo plano de manejo florestal para conservar e revitalizar o Bosque Sagrado para as próximas gerações.

“Francamente, não estávamos fazendo um bom trabalho naquela época”, disse Boatright. “Algumas das coisas fazíamos estavam mais prejudicando o bosque, do que ajudando.”

Pykles observou que, nos anos anteriores, a Igreja havia utilizado o Bosque Sagrado como um parque, mantendo ele bem cuidado, ajuntando folhas, aparando galhos e muito mais, o que levou à deterioração da saúde da floresta.

Parrott acreditava em uma abordagem naturalista. Em suas palavras, “Ele misturava os ingredientes e deixava que a Mãe Natureza cuidasse da comida”, disse Boatright.

Robert Parrott no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York.
Robert Parrott no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York. | Terry Spallino

“Ele acreditava que a Mãe Natureza sabia cuidar de si mesma e, se saíssemos do caminho, a natureza faria isso melhor do que os humanos”, disse Pykles. “O bosque hoje está mais saudável e robusto do que nunca desde que a Igreja o comprou. Tudo isso tem a ver com a maneira como Bob Parrott cuidou dele.”

Trabalhando silenciosamente por mais de duas décadas, Parrott e seu serviço levaram a um aumento dramático na saúde e vitalidade do Bosque Sagrado.

Uma das últimas grandes contribuições de Parrott foi ajudar a orientar o reflorestamento do Monte Cumora. A Igreja espera continuar, com o mesmo cuidado, amor e espírito, algo que Parrott começou.

“A história de Bob é a do Senhor colocando a pessoa certa no lugar certo na hora certa”, disse Boatright.

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Não se esqueçam de orar

Boatright, Pykles e John Rutkowski, um gerente de instalações da Igreja na região nordeste dos E.U.A., contaram a mesma história memorável sobre terem sido “repreendidos apropriadamente” por Parrott, enquanto visitavam o Bosque Sagrado a serviço.

Cada um relembrou de diferentes ocasiões em que entraram no Bosque Sagrado focados em diferentes tarefas a serem realizadas, apenas para serem interrompidos por Parrott.

“Lá em Salt Lake, sei que vocês começam a maioria de suas reuniões com uma oração. Então vocês vêm a um dos lugares mais sagrados do mundo e nem param para orar antes de começarmos nosso trabalho hoje?” disse Pykles. “Fui devidamente repreendido. Senti-me grato por aquela correção.”

Boatright disse: “Foi uma repreensão gentil, mas necessária. Ele já fez isso com várias pessoas, mas sabe, ele estava certo. É um lugar tremendamente sagrado e precisamos da ajuda de Deus para cuidar dele. Então, a partir daquela gentil, mas firme repreensão, Bob e eu sempre nos revezávamos na oração.”

Rutkowski acrescentou: “Desde que ele disse aquilo, fizemos questão de fazer uma oração. Essa é a história mais popular de Bob, eu acho, e você pode ver o efeito que teve sobre nós.”

Robert Parrott, à esquerda, com Gary Boatright Jr. no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York.
Robert Parrott, à esquerda, com Gary Boatright Jr. no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York. | Fornecida por Gary Boatright

Amigo leal e escritor

Além de ser apaixonado por seu trabalho, Parrott também era um amigo gentil e leal, uma vez que você o conhecia melhor, disse o presidente Thomas Coburn e sua esposa, a irmã Ana Coburn, que atualmente presidem os locais históricos da Igreja em Nova York e Pensilvânia.

“Ele não era muito sociável, tendia a ser reservado, mas quando você o conhecia, ele era muito gentil e amigável”, disse o presidente Coburn. “Ele era um homem inteligente, uma enciclopédia de informações, não apenas sobre árvores e flora, mas também sobre pessoas. Nós realmente sentiremos sua falta.”

Ao longo dos anos, Parrott fez amizade com muitas das missionárias de tempo integral que serviram nos locais históricos. Uma delas foi Whitney Butters Wilde, que serviu na Missão Nova York Rochester de junho de 2012 a dezembro de 2013. Ela disse que Parrott sintetizou o que significava ser um verdadeiro amigo, nunca deixando de ligar e lhe desejar feliz aniversário, até que sua saúde piorou.

A sister Whitney Butters Wilde conheceu Robert Parrott durante seu serviço na Missão Nova York Rochester. Esta foto mostra os dois no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York.
A sister Whitney Butters Wilde conheceu Robert Parrott durante seu serviço na Missão Nova York Rochester. Esta foto mostra os dois no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York. | Fornecida por Whitney Butters Wilde

“Ele era realmente leal a seus amigos, à família Smith e ao Bosque Sagrado”, disse Wilde. “Seu testemunho transparecia no cuidado que dedicava ao bosque e na luz de seus olhos.”

Parrott também era escritor. Ele escreveu numerosos ensaios sobre as florestas e suas experiências, que compartilhou com as sísteres e missionários sêniores.

Em um dos ensaios, Parrott conta que havia terminado suas rondas no Bosque Sagrado e estava voltando para casa quando sentiu um forte desejo de voltar. Ele estava inclinado a ir para casa, mas o sentimento persistiu, então ele voltou. Ele encontrou uma mulher mais velha, que havia caído no chão e havia se separado de seu grupo. Ela precisava de ajuda. Parrott localizou uma cadeira de rodas e a reuniu com seu grupo.

“Ela me agradeceu imensamente e continuou me chamando de ‘anjo da misericórdia’, uma descrição raramente dada a mim”, escreveu Parrott. “Sou tão grato que, apesar de minha tentação de ignorar e continuar com meu dia, dei ouvidos à inspiração.”

De que seus amigos mais se lembrarão

Rutkowski conversava com Parrott sobre como cuidar do bosque, quase todos os dias nos últimos meses de seu amigo.

“Ele não era membro de nossa Igreja, mas tinha um dos maiores testemunhos da Restauração que já conheci”

“Ele queria que o bosque fosse um lugar especial para todos que viessem”, disse Rutkowski. “O que provavelmente sentirei mais falta em Bob é apenas sua disposição de me ensinar como cuidar do bosque.”

O que Christianson mais se lembrará de Parrott é seu testemunho da Restauração.

“Ele não era membro de nossa Igreja, mas tinha um dos maiores testemunhos da Restauração que já conheci”, disse ele.

Era difícil para Parrott quando as pessoas eram desrespeitosas no bosque, esculpindo nas árvores ou saindo da trilha, disse Melanie Christianson, esposa de Jack Christianson.

“Ele amava tanto aquele bosque”, disse ela. “E embora não compartilhasse seus sentimentos mais profundos com muitas pessoas, nos sentíamos como seus alunos, pois ele nos ensinava tudo o que havia aprendido e sentido. Ele era um arborista tão talentoso.”

Robert Parrott sentado em uma rocha no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York.
Robert Parrott sentado em uma rocha no Bosque Sagrado, perto de Palmyra, Nova York. | Whitney Butters Wilde
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