PROVO, Utah — Como atletas universitários famosos, Lori e Marv Allen deixaram pegadas profundas na Universidade Brigham Young (BYU), patrocinada pela Igreja.
Lori foi uma das melhores corredoras do time de atletismo feminino da universidade, enquanto seu marido e linebacker, Marv, foi um tackler prolífico do time de futebol (americano) universitário de campeonato nacional de 1984 da BYU.
Mas o casal provavelmente concordaria que sua conexão mais significativa com a escola acontece todos os anos, há milhares de quilômetros de distância de Provo, onde não existem jornalistas esportivos por perto.
Por dez anos, o casal Allen tem ajudado a gerenciar a Assistência Reumática, um programa humanitário patrocinado pela BYU, educando milhares de crianças em Samoa sobre os perigos da doença reumática cardíaca — enquanto simultaneamente identifica crianças sofrendo da doença potencialmente fatal.

Primeiro, algumas informações rápidas sobre a doença reumática cardíaca, ou DRC:
A DRC é a doença cardíaca mais comum adquirida por crianças em muitos países ao redor do mundo, especialmente em nações em desenvolvimento. Quase 250.000 jovens morrem todos os anos da doença.
Um menino ou uma menina com uma inflamação bacteriana na garganta pode desenvolver uma reação imunitária anormal, conhecida como febre reumática, que causa então inflamação e, se não for tratada, pode levar à DRC e a uma eventual insuficiência cardíaca.
Em países em desenvolvimento, a DRC, relativamente, não é um problema. Antibióticos baratos e de fácil acesso podem eliminar a febre reumática antes de causar danos. Mas em muitas partes do mundo, a DRC continua a ser um fardo perigoso.
“Por alguma razão, Samoa tem uma alta taxa de ocorrências da doença reumática cardíaca”, disse Lori Allen.

Em 2009, Lori Allen estava completando seu PhD em Promoção da Saúde Pública. Marv Allen estava indo bem em sua carreira como cardiologista e trabalhava no Condado de Utah. Um casal missionário, que estava servindo em Samoa, os alertou sobre a crise da DRC nas ilhas.
Os Allens sabiam bem que a DRC é “altamente tratável” — mas também é potencialmente fatal, caso não seja tratada a tempo. Eles se sensibilizaram muito, especialmente com a cruel realidade de que muitas das vítimas da DRC em Samoa eram crianças pequenas.
“Nós dois vimos uma oportunidade na qual poderíamos juntar o que fazíamos profissionalmente”, disse Lori Allen. “Fomos para Samoa em 2009 pela primeira vez, como parte de uma pesquisa [acadêmica] e temos voltado desde então.”
Atualmente, durante todos os verões, um time de estudantes da BYU se junta ao casal Allen e a outros profissionais médicos, e viajam para as Ilhas Samoanas como parte do programa de Assistência Reumática.
“Levamos uma máquina de ultrassom, vamos para as [escolas de ensino fundamental] e checamos os corações dos estudantes rapidamente”, Marv Allen falou ao Church News. “Conseguimos identificar, na maior parte dos casos, quais crianças têm ou não a doença.
“Nossa meta é identificar crianças [com a doença] num estágio inicial e começar o tratamento com penicilina para que possam permanecer naquele mesmo estágio ou ainda melhorar.”
Prevenção da DRC através da educação
Outro elemento chave das missões anuais de Assistência Reumática para Samoa é educar as crianças e seus pais sobre a prevenção e o tratamento da DRC.
Utilizando parcerias estabelecidas há muito tempo com oficiais de saúde e de educação do governo samoano, o grupo da BYU faz uma lista de escolas ao redor das ilhas de Upolu, Savai’i e Samoa Americana, onde eles montam clínicas temporárias de saúde e de educação cardíaca durante cada uma das visitas anuais de duas semanas.

Um time voluntário de cerca de 20 estudantes de bacharelado e pós-graduação da BYU, e que foram treinados em noções básicas de diagnóstico cardíaco, é essencial para o programa de Assistência Reumática em Samoa.
Em cada escola, metade dos estudantes da BYU é geralmente designada para ajudar a fazer o diagnóstico cardíaco sob a direção de Marv Allen e de outros médicos. O resto dos estudantes foca em educar (e entreter) as crianças sobre a DRC.
“Ensinamos as crianças colocando um show de marionetes e cantando músicas com melodias familiares em que acrescentamos letras ‘reumáticas’”, disse Lori. “E todos os estudantes da BYU fazem isso no idioma samoano.”
Os estudantes ganham créditos de curso e de estágio por seus esforços em Samoa — e deixam as ilhas com memórias inesquecíveis de como ajudaram a cuidar da saúde cardíaca das crianças. Muitos dos estudantes voluntários estão se preparando para carreiras profissionais em medicina ou saúde pública. Alguns poucos são habilidosos com a língua samoana que aprenderam em suas missões ou em casa.
“Os estudantes da faculdade”, mencionou Lori Allen, “são absolutamente essenciais para o programa”.
Graças à generosidade de doações privadas, o programa de Assistência Reumática também fornece a cada criança que examinam, uma nova mochila, materiais escolares e livros.

A Assistência Reumática examina cerca de 5.200 crianças samoanas a cada ano. Cerca de 30.000 crianças já foram examinadas desde o início do programa.
“Nossa meta é encontrar crianças com a DRC logo no início para que possamos evitar problemas”, disse Marv Allen. “Mas acabamos encontrando algumas em estado avançado da doença. Nós as conectamos com um time local em Samoa … que as enviará para fora do país para a cirurgia.”
Felizmente, a maioria das crianças samoanas diagnosticadas com a DRC a cada verão — tipicamente entre 50 ou 60 — pode ser tratada com antibióticos disponíveis em sua própria ilha.
O serviço concedeu milagres, ternas misericórdias
O casal Allen concorda que executar uma missão de Assistência Reumática é raramente fácil. Transportar um pequeno batalhão de estudantes e profissionais médicos — assim como seus equipamentos avançados — de Provo para o Pacífico Sul torna a logística assustadora.
E muitos participantes passam algum tempo longe das famílias, empregos e de consultórios médicos para fazer a viagem de duas semanas.
“Mas temos visto tantos milagres e ternas misericórdias”, disse Marv Allen. “As coisas parecem dar certo cada vez que alcançamos um obstáculo. Sentimos que estamos fazendo o trabalho que devemos fazer.”

Não é de se surpreender que a meta da Assistência Reumática seja de avançar na conscientização da DRC nas ilhas samoanas a um nível que o programa da BYU não se torne mais necessário.
O lema da BYU é “Entre para aprender, saia para servir”. Por dez anos, o programa de Assistência Reumática da universidade tem permitido que Lori Allen, Marv Allen e dezenas de outros voluntários tenham a oportunidade de utilizar seu aprendizado ao servir outros de forma que mudem suas vidas.
“Podemos ver claramente a mão do Senhor nos guiando em tudo o que fazemos”, disse Marv Allen.
Lori Allen acrescentou que o programa a relembra de que o Senhor está ansioso para fazer parceria com Seus filhos para cuidar de Seus filhos.
“Se você sente que deve fazer algo”, ela disse, “o Senhor vai utilizá-lo.”
Visite o site biology.byu.edu/rheumatic-relief para aprender mais sobre o programa.











