Todos os dias, o banco na varanda da casa dos Wilkes em Rocklin, Califórnia, está cheio de tecidos — tanto para serem costurados ou prontos para serem devolvidos na forma de kits de higiene feminina e serem enviados para meninas na África.
Karen e Brad Wilkes aprenderam algo enquanto construíam latrinas em Ruanda em 2012, como parte de seu serviço humanitário na Missão Uganda Kampala. As meninas que não tinham nenhum produto de higiene tinham que faltar à escola por vários dias por mês, durante seus períodos de menstruação. E os produtos de higiene descartáveis estavam entupindo as latrinas e comprometendo sua longevidade.
Enquanto procuravam soluções, os Wilkes descobriram o projeto Days for Girls [Dias para Meninas — em inglês], que fornece produtos para menstruação sustentáveis, para meninas e mulheres em 120 países, em seis continentes do mundo.
Cada kit tem 11 componentes que são costurados, chuleados ou coletados. Em 2018, os Wilkes estabeleceram uma meta de fazer 500 kits em sua ala. Brad Wilkes convidou Celeste Mergens [em inglês], fundadora do Days for Girls, para falar em um devocional da ala. Ela também é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Depois disso, os Wilkes começaram a equipe Days for Girls de Rocklin, CA [em inglês].
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A novidade se espalhou, e a presidente da Sociedade de Socorro da estaca fez um projeto da estaca para ajudar o projeto. Em seguida, 11 estacas na área também decidiram participar, assim como equipes de escoteiras, grupos 4-H, escolas, outras organizações comunitárias e grupos religiosos. Eles fizeram mais de 9.000 kits desde 2018. E o banco da varanda da casa dos Wilkes é uma parte fundamental para manter esses esforços, apesar das restrições referentes à pandemia e de coleta presencial.
![Karen Wilkes, do Days for Girls [Dias para Meninas] da equipe de Rocklin, Califórnia, e Celeste Mergens, fundadora do Days for Girls, são fotografadas juntas em 2 de março de 2019, um de seus grandes dias de montagem de kits organizados pelo JustServe.org.](https://pt.thechurchnews.com/resizer/v2/UBWGM6LEYHG5TX4AGA6MPCWJPA.jpg?auth=26f012346fb8b74c986e315a18a8bd67302d277e8efd476c0b5eae72384a4dc8&focal=384%2C512&width=800&height=1066)
Os voluntários que confeccionam os kits
Mais de 2.000 mulheres, homens e jovens no norte da Califórnia, e em outros lugares, estiveram envolvidos na confecção dos componentes dos kits Days for Girls com os Wilkes. Eles acharam o projeto através das redes sociais, boca a boca ou no ServirAgora, que é um site e aplicativo que conecta organizações a voluntários. Esse trabalho é um projeto contínuo, com oportunidades tanto remotas quanto presenciais.
Karen Wilkes disse: “Este projeto tem sido uma bênção para as meninas que recebem os kits, permitindo que elas permaneçam na escola, mas, tão importante quanto isso, reuniu nossa comunidade em um esforço para se unir para lavar, passar, cortar, costurar e montar os kits.”
Ela explicou como entre os voluntários estão um homem de 62 anos com paralisia cerebral que costura as bolsas, uma mulher de 100 anos que costura, crianças que organizam os absorventes, jovens que traçam o material à prova de umidade feito de laminado de poliuretano, e assim por diante.
“Durante a pandemia, foi um salva-vidas para muitas pessoas, pois elas podiam pegar e deixar projetos na minha varanda e trabalhar no projeto em casa”, disse ela.

Viajando à África para entregar os kits
Os Wilkeses e outros membros da equipe do Days for Girls de Rocklin, Califórnia, viajaram duas vezes à África Oriental para entregarem pessoalmente os suprimentos, uma vez em setembro de 2019 e novamente em novembro de 2021. Os kits foram distribuídos em Ruanda, Uganda, Chade e Etiópia. Alguns até foram distribuídos na Califórnia mesmo, e foram enviados para organizações que ajudam a população sem-teto de Los Angeles.
“Quando viajamos e levamos os kits, e conhecemos as meninas, achamos importante trazer as pessoas que participaram, porque acreditamos que quanto mais perto você estiver ao entregar um ato de serviço, maior será o impacto entre você e o receptor”, disse Brad Wilkes.
Os Wilkes disseram que não podem levar todos os voluntários com eles nas viagens, mas como Karen publica fotos nas páginas do Facebook e Instagram da equipe, as pessoas que ajudaram a costurar os kits geralmente reconhecem seu próprio tecido nas fotos. Eles veem o produto que saiu de suas mãos e foi até uma garota para mudar sua vida.
E os Wilkes não apenas entregam os kits em Ruanda, eles também fazem uma apresentação ou dão uma lição para as meninas sobre menstruação, biologia e saúde. “O conhecimento dá poder e força”, disse Brad Wilkes. Eles também têm um treinamento chamado “Homens que sabem”, que é uma aula semelhante para meninos e homens.

O céu como parceiro no serviço
É muito mais do que cortar, costurar ou prender pedaços de pano, “é um trabalho de amor”, disse Karen Wilkes. O objetivo são as meninas na África, mas o resultado são as 2.000 pessoas, cujas vidas agora têm mais significado pelo voluntariado.
Os Wilkes também veem isso como uma oportunidade missionária, na qual podem compartilhar mais sobre sua fé e a Igreja. Os vizinhos, que podem não entrar em sua casa para ouvir os missionários, irão até sua casa para montar os kits. E entrarão nas capelas dos Santos dos Últimos Dias para um evento organizado com o Days for Girls. Os Wilkes já estiveram dentro de igrejas de outras religiões e também na casa de outros vizinhos por causa deste projeto.
“Não percebemos no começo, mas existem três parceiros — aqueles que costuram e doam, as meninas que recebem o kit e acreditamos que o céu é outro parceiro”, disse Karen Wilkes. “Isso não funcionaria se tivéssemos apenas dois destes três.”







