J. Clifford Wallace, juiz santo dos últimos dias de 92 anos de idade, recebeu o Prêmio Bolch do Rule of Law [Estado de Direito], por seu distinto serviço nos Estados Unidos e em todo o mundo. Élder D. Todd Christofferson o descreveu como “um homem talentoso e notável”.
O membro do Quórum dos Doze Apóstolos discursou em uma cerimônia na sexta-feira, dia 18 de março, em San Diego, Califórnia, em homenagem a ao juiz J. Clifford Wallace, que serviu por mais de 50 anos no sistema judiciário federal dos Estados Unidos, inclusive como juiz-chefe do Nono Circuito. Ele ficou conhecido por usar seu tempo de férias por 40 anos para auxiliar advogados e juízes em pelo menos 70 países.
Élder Christofferson citou a interação do Salvador com um advogado em Mateus 22, e disse que Wallace “incorporou totalmente” as lições ensinadas na parábola do bom samaritano.
“Ele é uma pessoa que aprecia suas próprias bênçãos e reconhece a fonte principal delas”, disse Élder Christofferson. “Consequentemente, ele tem um senso refinado de responsabilidade para com Deus por sua vida e pelo que o faz com ela.”
David F. Levi, diretor do Instituto Judicial Bolch da Faculdade de Direito da Universidade Duke, disse que Wallace se interessou pela “administração judicial para ajudar o sistema a se tornar o mais eficiente possível.”
Tanto Levi quanto Élder Christofferson disseram que essa eficiência fazia parte da profunda convicção de Wallace de que uma justiça tardia é uma justiça negada.

Aprendendo a ouvir
Wallace continua a ser respeitado e requisitado por suas opiniões, por juízes em todo o mundo, disse Levi.
“Ele tem seguidores em todo o mundo: Paquistão, Uganda, Cingapura, Malásia e em muitos outros o países”, disse Levi.
Mas o motivo do sucesso de Wallace não se deve apenas a seu grande senso de justiça ou processos administrativos inovadores, disse Levi. Wallace foi reverenciado por muitos porque, primeiramente, ele ouve.
“Ele ouve os problemas. Ele aprende muito. Ele oferece conselhos. Mas ele também é um ótimo ouvinte, e isso é o que mais importa para qualquer um de nós.”
Em uma entrevista após o evento, Wallace disse concordar com a avaliação de Levi.
“Ouvir é indispensável”, disse Wallace. “Quando vamos a algum lugar, pensamos que podemos notar rapidamente um problema a ser resolvido.”
Wallace disse que não divide sua vida em categorias como profissional, familiar, religiosa ou outras. As lições que aprendemos podem ser aplicadas a todas as áreas da vida, inclusive a de ouvir.

“Precisamos ouvir o que eles acreditam ser o maior problema e, em seguida, tomarmos medidas para resolvermos isso primeiro”, disse ele. “E a segunda parte é não atrapalharmos o processo.”
Élder Christofferson disse que Wallace adaptou seu conselho às circunstâncias locais de outros juízes. Essas adaptações “diminuíram os atrasos substancialmente e implementaram melhor o estado de direito” ao redor do mundo, disse Élder Christofferson.
A capacidade de Wallace de aconselhar juízes ao redor do mundo regularmente surgiu, em parte, devido ao respeito que outras pessoas desenvolveram por ele, pois estava sempre aprendendo sobre as religiões e os costumes daqueles a quem servia e com quem trabalhava, disse Élder Christofferson.
“Precisamos compreender o que toca as pessoas interiormente”, disse ele. “Elas precisam sentir que é a decisão e o momento certos. Não podemos apenas lhes dizer o que devem fazer.”
Um começo difícil
Wallace sabe o que é ser tocado em seu âmago. Seu pai era alcoólatra e não havia concluído o ensino fundamental. Para o jovem Cliff, a vida familiar não era fácil.
Aos 14 anos de idade, alguns amigos que ele chamava de “os bons garotos do ensino médio”, perguntaram quais eram seus planos para a noite de sábado. Ele disse que a única coisa que passou por sua mente naquele momento foi “não quero ficar em casa”.
Os amigos o convidaram para acompanhá-los a uma atividade na sede da estaca, algo que ele interpretou erroneamente como “churrascaria”. Ele os acompanhou e encontrou um bom número de adolescentes dançando juntos. Ele disse que se divertiu e, quando os agradeceu novamente, eles lhe perguntaram se leria um pouco do Livro de Mórmon.
“Eu li”, disse ele. “E após começar a ler, não demorou muito até que eu me encontrasse orando a seu respeito.”
Ele começou a frequentar a Igreja na mesma época e decidiu ser batizado.
“Não havia muitos missionários naquela época”, disse ele. “A guerra estava em andamento, então os únicos missionários eram os outros adolescentes, por meio de seus exemplos.”
Wallace se formou no ensino médio e foi direto para a Marinha dos Estados Unidos, onde serviu por três anos. “A primeira vez que li um livro, foi na Marinha”, disse ele. “A Marinha me ensinou a ter disciplina.”

Enquanto estava na Marinha, ele tomou a decisão de frequentar a faculdade para se tornar um advogado. Ele disse que seus conselheiros escolares tentaram dissuadi-lo com base em suas notas no ensino médio. Eles lhe disseram que um curso técnico seria melhor, mas ele sabia o que queria fazer e trabalhou com afinco. Por fim, ele se formou na Universidade da Califórnia-Berkeley, com seu diploma de Direito. Ele disse que poderia ter sido feliz como advogado de julgamento, mas se sentiu chamado a passar para o lado judiciário da profissão, para ter um impacto mais amplo.
“Fiquei interessado pelo próprio mecanismo”, disse ele.
O comentário de Levi, de que Wallace foi inovador em seus métodos ao trabalhar nesse “mecanismo”, é algo com o qual Wallace não concorda plenamente.
“Nunca me considerei um inovador”, disse ele. “Eu estava apenas tentando encontrar a maneira correta de fazer as coisas.”
Este pensamento é parte do motivo pelo qual ele teve tanto interesse em trabalhar com juízes internacionais.
“Queria proteger os direitos humanos”, disse ele. “Os tribunais têm que ser funcionais e eficazes para que as coisas não tenham que ser resolvidas nas ruas.”
Wallace disse que enxergar as pessoas ao redor do mundo como filhos de Deus o ajudou a permanecer motivado após completar 90 anos de idade.
“Acredito que eles são meus irmãos e irmãs. Eu não deveria tratá-los, ou desejar que fossem tratados, de forma diferente do que Ele faria”, disse ele.

Longa vida de dedicação
“Considerar o que os esforços persistentes de um homem podem produzir é realmente incrível”, disse Élder Christofferson. Em seguida, ele citou as palavras do rei Benjamim, encontradas em Mosias 2:17, e disse que esta passagem ensinou e guiou Wallace ao longo de sua vida. No tribunal, em seu serviço na Igreja e em seu lar, Wallace “desperta a bondade inata em todos nós e, com um sorriso, nos convence de que podemos ser melhores e seguir o melhor caminho”. disse Élder Christofferson.
Wallace é o quarto recipiente do Prêmio Bolch. Em 2019, o primeiro a recebê-lo, o juiz Anthony Kennedy, juiz aposentado da Corte Suprema dos E.U.A., também estava programado para discursar na cerimônia de homenagem a Wallace. Por motivos de saúde, seu discurso foi apresentado por meio de um vídeo pré-gravado.
Quando lhe perguntaram por que ele continua a trabalhar para melhorar os sistemas judiciários quando muitos de seus colegas se aposentaram, Wallace respondeu: “O trabalho deve ser algo que consideramos produtivo.”
“Não ficarei desapontado quando deixar o tribunal. Continuarei a fazer o que sei que devo estar fazendo.”







