Fiquei ao lado do meu filho de 9 anos, no alto das montanhas do norte de Idaho, olhando para a antiga ponte ferroviária que se estendia à nossa frente, cortando o espaço até as altas árvores do outro lado.
Estávamos andando de bicicleta com nossa família na Rota do Hiawatha [em inglês]. É uma trilha de 25 km de comprimento, através de muitos túneis de trem antigos e várias pontes ferroviárias. A promessa de aventura e união familiar nos atraiu até lá, mas a altura daquela primeira travessia quase fez meu filho voltar atrás. Ele e eu compartilhamos o medo de alturas. E aquelas pontes são muito altas.
As pontes tinham portões de proteção, cercas e barreiras. Mas enquanto os outros observavam uma bela vista de pinheiros e rios, o cérebro de meu filho e meu coração palpitante não nos deixavam esquecer a morte certa. Então, eu conversei com ele o tempo todo que pedalamos.
“Continuamos no caminho. Estamos bem aqui no meio da trilha,” eu disse. “Nós estamos seguros. Estamos pedalando com segurança. Está quase acabando. Conseguimos!” Então, nos túneis, mantive o mesmo fluxo de encorajamento: “Está um pouco escuro agora. Em breve terá terminado. Nós vamos passar por isso.”
E nós passamos. Tudo ficou melhor. Nós ficamos melhores naquilo. Mudamos à medida que continuávamos. A jornada se tornou mais fácil e alegre, à medida que nos concentramos no caminho à nossa frente e nas pessoas que estavam conosco.

Presidente Henry B. Eyring falou sobre isso na conferência geral de outubro de 2020, sobre como as tribulações são temporárias, mas estamos aqui na Terra para sermos testados e provarmos nossa fidelidade. A bênção, disse ele, será uma mudança em nossa natureza (“Testados, provados e aperfeiçoados”).
Élder Joseph B. Wirthlin deu um discurso em 2008 chamado “Aconteça o que acontecer, desfrute.” É algo que sua mãe lhe disse quando ele era jovem. Ele explicou que não é ocultar a tristeza sob uma capa falsa de felicidade. É como reagimos à adversidade que nos ajuda a crescer e mudar.
Em um discurso na conferência geral de outubro de 2020 intitulado “Tende bom ânimo”, Presidente Dallin H. Oaks destacou como as tribulações e os desafios são as experiências comuns da mortalidade. Com a ajuda de Deus, e nossa fidelidade e perseverança, prevaleceremos. “Tal como a vida mortal da qual fazem parte, todas as tribulações são temporárias. Em meio às controvérsias que precederam uma guerra catastrófica, o presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, sabiamente lembrou a seus ouvintes a respeito da antiga convicção de que ‘tudo passa’.”
Como percebi na trilha, um túnel pode ser escuro, uma ponte pode ser longa, mas vai acabar.
Diferentes membros de nossa família aprenderam diferentes lições no mesmo passeio. Minha sobrinha de 6 anos estava com dificuldades em sua bicicleta e precisava de pausas frequentes para descansar. Foi só quando um tio verificou a bicicleta que ele descobriu que o freio traseiro estava em atrito com o pneu por mais de 20 quilômetros.
“Ela teve um problema que estava tornando sua experiência muito mais difícil do que ela ou qualquer outra pessoa esperava”, disse seu pai. “Com muita frequência, as pessoas estão lidando com desafios que não apreciamos totalmente. Para nós, tudo parece estar bem.” Ele disse que esta experiência o lembrou de não julgar, mas de tratar os outros com amor e bondade, “pois não conhecemos as lutas pelas quais uma pessoa pode estar passando”, explicou.
Um sobrinho de 7 anos caiu por volta do terceiro quilômetro do passeio, e ele ficou bastante arranhado e abalado. Minha cunhada escreveu mais tarde sobre a experiência com seu filho: “Ele foi rapidamente cercado por entes queridos que fizeram curativos, o encorajaram a voltar para a bicicleta e pedalaram ao seu lado durante os muitos quilômetros que vieram pela frente”, ela disse. “Sou incrivelmente grata a entes queridos que estão lá para me ajudar quando eu ‘cair.'”
Presidente Eyring disse: “... precisamos notar as tribulações de outras pessoas e tentar ajudá-las. Isso será particularmente difícil quando já estivermos, de modo angustiante, passando por nossas próprias tribulações. Mas descobriremos que, ao ajudarmos outras pessoas com seus fardos, mesmo que um pouco, nossos ombros serão fortalecidos e perceberemos uma luz em meio à escuridão.”

Recebemos a promessa de que ao “ouvirmos o Senhor”, ao vivermos dignamente e prosseguirmos com fé, o Senhor nos guiará para a segurança, mesmo quando não pudermos ver o caminho. O Senhor explicou na seção 58 de Doutrina e Convênios: “Por agora não podeis, com vossos olhos naturais, ver o desígnio de vosso Deus com respeito às coisas que virão mais tarde[,] nem a glória que se seguirá depois de muitas tribulações.
“Pois após muitas tribulações vêm as bênçãos.”
No final daquele longo passeio de bicicleta, olhei em volta para minha família exausta, suja de lama e ainda assim empolgada, e senti um testemunho cada vez maior do caminho do convênio e das famílias eternas.
Pois como está escrito em Doutrina e Convênios 68:5-6: “Eis que esta é a promessa do Senhor a vós, ó meus servos. Portanto, tende bom ânimo e não temais, porque eu, o Senhor, estou convosco e ficarei ao vosso lado; e testificareis de mim, Jesus Cristo, que eu sou o Filho do Deus vivo.”
— Mary Richards é repórter do Church News.
