Sou o mais velho de cinco filhos. Quando estava na Primária e, mais tarde, quando era adolescente, todo ano eu recebia o presente que menos gostava. Antes do Natal chegar, eu já ficava triste e decepcionado com isso. Se parece egoísta ou ingrato dizer que era assim que me sentia, realmente era.
Todos os anos, minhas duas irmãs, meus dois irmãos e eu recebíamos um presente de “família”. Nossos pais nos dariam o presente para nos encorajar a fazermos algo juntos. Às vezes era algo tão simples como um livro de colorir enorme, com uma caixa de giz de cera, para colorirmos juntos. Outras vezes era um jogo de tabuleiro. Não importa o que fosse, eu estava determinado a me sentir infeliz com aquilo.

Recentemente, eu estava olhando algumas fotos antigas de família e encontrei fotos de outros presentes que recebi ao longo de muitos Natais: bonecos de ação, blocos de construção coloridos, um tocador de CD portátil. Na época, ficava muito feliz em receber o presente que era só para mim.
Mas a realidade é que não me lembrava de ter ganhado aqueles presentes, até ver as fotos. Por outro lado, sem pensar muito, eu poderia me lembrar de muitos dos presentes de “família” que tentei tanto não gostar. Lembro-me de intermináveis noites em família, quando jogávamos os jogos de tabuleiro que havíamos recebido como presente. Jogávamos até que os tabuleiros se desgastassem e depois tínhamos que substituir as peças perdidas. Lembro-me de quando era adolescente e colori com meu irmão mais novo de 3 anos um dos grandes livros para colorir.
Por mais que eu não quisesse me importar com o presente que deveria ser compartilhado, eles são os que mais me lembro. Eles são os que eu valorizo.
Na conferência geral de outubro de 2023, Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, falou sobre como é possível nos envolvermos em busca de um tesouro em todos os lugares, exceto naquele lugar onde nunca deixaremos de encontrá-lo. Ele nos convidou a lembrarmos que Jesus Cristo é “nosso maior tesouro”.
“Lembrem-se e se concentrem sempre em Jesus Cristo”, disse ele.
Na mensagem de Natal da Primeira Presidência deste ano, eles escreveram que o Natal é uma época geralmente associada a presentes. “Os presentes mais desejáveis são aqueles oferecidos a nós por nosso amoroso Pai Celestial e nosso Salvador, Jesus Cristo.”
Élder Renlund mencionou alguns desses presentes, ou tesouros do Salvador, em sua mensagem na conferência.
“Valorizem a oportunidade de se arrependerem, o privilégio de tomarem o sacramento, a bênção de fazerem e guardarem convênios no templo, o deleite de adorarem no templo e a alegria de terem um profeta vivo”, disse ele.
Um dia, quando esta vida tiver passado, esses presentes poderão ser lembrados muito mais do que qualquer outra coisa recebida ou dada durante a época do Natal. Olharemos para trás com gratidão pelo perdão, pelas bênçãos do convênio, pelas Casas do Senhor próximas e distantes, e pela oportunidade de aprendermos com os profetas modernos.
O Jesus, cujo nascimento celebramos, não foi apenas um bom homem que fez algumas coisas boas durante Sua curta vida. Ele viveu e morreu, e vive novamente. Ele é o Salvador. Ele é o Filho de Deus. Ele é o Conselheiro. Ele é o Príncipe da Paz. E Ele é Maravilhoso.
Que todos possamos agradecer ao nosso Pai Celestial por Sua dádiva — nosso tesouro — Jesus Cristo, ao longo deste mês e durante toda a nossa vida.
— Jon Ryan Jensen é editor do Church News

