Recentemente, tive um dia marcado por erros.
Para começar, fiquei atrasada com meu trabalho, o que resultou em trabalho extra para alguns dos meus colegas.
Mais tarde, meus filhos e eu estávamos no quintal, tentando salvar minha pobre e negligenciada roseira, quando uma gentil irmã da ala tirou um tempo de seu dia para me entregar um formulário de que eu precisava.
Entre aquele momento e quando meu marido chegou do trabalho várias horas mais tarde, meu filho de 20 meses fez uma grande bagunça no banheiro. Enquanto tentava limpar a bagunça, minha filha de 3 anos aproveitou a oportunidade para misturar os três cestos de roupa limpa que eu havia empilhado na sala de estar, e me “ajudar”, misturando elas com os cestos de roupa suja.
Quando minha filha de 3 anos se recusou a vestir o pijama, perdi a paciência. Com os pratos do jantar ainda acumulados na pia, todos nós tomamos uma grande tigela de sorvete, apesar de eu estar tentando limitar meu consumo de açúcar.

Quando meu marido chegou em casa e perguntou sobre o formulário que a irmã de nossa ala havia deixado, não consegui encontrá-lo. Em nenhum lugar.
Comecei então a chorar. “Estou falhando em todos os níveis”, lamentei para meu marido. “Não consigo nem manter as plantas vivas!”
Com o tempo, provavelmente será engraçado (ainda é muito cedo), mas naquele momento me senti presa em minhas próprias fraquezas.
Naquela noite, quando deveria estar abrindo meu coração ao Pai Celestial, hesitei. Eu me senti indigna. Eu não tinha lido minhas escrituras, nem sido uma mãe paciente ou uma colega de trabalho confiável. Eu não tinha ministrado nem ajudado outra pessoa. Não me sentia “qualificada” para pedir Sua ajuda.
Essa mentalidade é uma mina terrestre em que já pisei antes, mas o Senhor, em Sua amorosa bondade, tem me mostrado algumas lições importantes de que preciso me lembrar para evitá-la no futuro.
Primeiro, esses sentimentos não vêm Dele.
No ano passado, fiz a cobertura da transmissão de um treinamento para instrutores do Seminário e Instituto, onde Chad H. Webb, Administrador dos Seminários e Institutos de Religião, compartilhou uma visão de Moisés 4.
Depois da transgressão de Adão e Eva, seus olhos se abriram e eles se tornaram conscientes de que estavam nus. A primeira tentativa de cobrir sua nudez foi costurar folhas de figueira. Quando eles ouviram a voz do Senhor no jardim, eles decidiram “esconder-se da presença do Senhor Deus entre as árvores (Moisés 4:14).”
O Senhor lhes perguntou: “Onde estás?” (Gênesis 3:9). “É possível que nosso Pai realmente não soubesse?”, Webb perguntou. “Então, o que Ele está perguntando? Talvez fosse algo como, ‘Agora que vocês transgrediram, para onde irão? Vocês se esconderão de mim ou se achegarão a mim e permitirão que eu os cubra?’”
Em hebreu, a palavra “expiação” é kippur, que significa “cobrir”, explicou Webb. “Nosso Pai Celestial tem uma maneira muito melhor do que folhas de figueira para cobrir nossos pecados. Mas o adversário sussurra mentiras para fazer com que nos escondamos de Deus. Ele se esforça para nos convencer de que Deus não nos ama e que não nos perdoará.”

Em hebreu, a palavra “expiação” é kippur, que significa “cobrir”, explicou Webb. “Nosso Pai Celestial tem uma maneira muito melhor do que folhas de figueira para cobrir nossos pecados. Mas o adversário sussurra mentiras para fazer com que nos escondamos de Deus. Ele se esforça para nos convencer de que Deus não nos ama e que não nos perdoará.”
Às vezes, quando nos sentimos fracos, propensos a errar ou pecar, talvez não queiramos orar, ler as escrituras ou ir à Igreja, como forma de nos “escondermos” de Deus. Na realidade, podemos encontrar perdão, paz e força para melhorarmos, nos braços amorosos de nosso Pai Celestial.
O que leva ao meu segundo lembrete: essa força para fazer melhor vem da graça de nosso Salvador, Jesus Cristo.
Em meus estudos, me deparei com um discurso do então presidente Dieter F. Uchtdorf, proferido na conferência geral de abril de 2015. Ele observou: “Muitas pessoas se sentem desanimadas por constantemente se sentirem abaixo das expectativas. Elas sabem por si mesmas que ‘o espírito está pronto, mas a carne é fraca.’ Elas erguem sua voz com Néfi, que proclama: ‘Minha alma se angustia por causa de minhas iniquidades.’”
Em seu discurso, o então segundo conselheiro na Primeira Presidência faz uma distinção importante: “A salvação não pode ser comprada com a moeda da obediência; ela é comprada pelo sangue do Filho de Deus. Achar que podemos trocar nossas boas obras pela salvação é como comprar uma passagem de avião e depois supor que somos o dono da companhia aérea. Ou pensar que, depois de pagarmos o aluguel de nossa casa, temos agora a escritura do planeta Terra.”
Em outras palavras, ler as escrituras, fazer minhas orações, participar da ministração, adorar no templo, tomar o sacramento e obedecer aos mandamentos não fazem parte de uma lista de verificação eterna que preciso cumprir para me “qualificar” para a ajuda divina.
Em vez disso, são oportunidades de me conectar com Ele, e para Ele comunicar Seu amor, Seus ensinamentos, Seu Espírito, as revelações e a força de que preciso desesperadamente, para continuar seguindo em frente. Eu deveria estar fazendo essas coisas? Absolutamente. Mas não porque estou recebendo uma nota melhor em algum “boletim celestial”.
“A graça é um dom de Deus, e nosso desejo de sermos obedientes a cada um dos mandamentos é o estender da mão mortal para receber de nosso Pai Celestial este dom sagrado”, ensinou Presidente Uchtdorf.
Portanto, da próxima vez que você ou eu, nos sentirmos atolados em nossas fraquezas, podemos nos lembrar do sagrado dom da graça e de que Sua “graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles” (Éter 12:27).
— Rachel Sterzer Gibson é repórter do Church News.

