A neve estava começando a cair com mais intensidade no norte de Utah na tarde de sexta-feira, 12 de janeiro, quando meu pai me ligou com uma pergunta.
“Você gostaria de participar de uma missão de resgate?” ele disse, com uma pitada de aventura em sua voz.
Ele me informou sobre um vizinho que deslizou para fora da estrada quando voltava do trabalho para casa. O vizinho contatou meus pais com um pedido urgente para resgatá-lo.
Minha resposta inicial não foi corajosa: não havia outra pessoa que pudesse ajudar este homem? A última coisa que eu queria fazer era deixar nossa casa quentinha e sair de carro em meio à tempestade de neve que se aproximava. Mas eu sabia que meu pai de 70 anos estava empenhado em ir de qualquer maneira, e minha mãe não ficaria feliz se eu o deixasse ir sozinho, então fomos.
Apesar dos ventos fortes, da baixa visibilidade e das estradas cobertas de gelo, localizamos o vizinho e, com a ajuda de um policial da Patrulha Rodoviária de Utah que chegou ao local, conseguimos colocar o veículo de volta na estrada.
Saí daquela experiência com o coração arrependido e grato pelo forte exemplo de meu pai. Mais importante ainda, a experiência me ensinou sobre o Salvador.
“O serviço abre uma janela pela qual entendemos a vida e o ministério de Cristo”, ensinou Presidente M. Russell Ballard, então Presidente em Exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, em abril de 2018.
Jesus Cristo veio para servir, como ensinam as escrituras, “assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:28).
Uma nova oportunidade surgiu dois dias depois, quando mais neve caiu no norte de Utah. Nossa estaca decidiu cancelar as reuniões dominicais, para que os membros pudessem ajudar uns aos outros na limpeza da neve. Desta vez meu coração estava preparado.

Armados com pás e sopradores de neve, meu filho mais velho e eu nos unimos a outras pessoas da vizinhança, para limparmos diversas calçadas de vizinhos e idosos de nossa ala. A gratidão que vimos em seu rosto fez com que todas as dores valessem a pena.
Podemos ter perdido alguma sensibilidade em nossas mãos e pés por causa do frio, mas nosso coração estava aquecido com o sentimento de felicidade e paz que advém de servirmos aos outros. Também nos divertimos durante o processo e apreciei a oportunidade de fortalecer laços com meu filho e outros irmãos da ala.
Sou grato por pessoas boas como meu pai que, sem hesitação, estão sempre dispostas a sacrificarem conforto, tempo e recursos para resgatar outras pessoas.
Quando estamos dispostos a servir aos outros pelos motivos certos, principalmente pelo “puro amor de Cristo” (Morôni 7:47), a recompensa é doce e sentimos verdadeira alegria, como ensinou Presidente Russell M. Nelson:
“Nossa grande alegria está em ajudarmos nossos irmãos e irmãs”, disse o Profeta em seu discurso da conferência geral de outubro de 2019, “O segundo grande mandamento”.
“Ajudar os outros, fazer um esforço consciente para nos preocuparmos com os outros tanto ou mais do que nos preocupamos com nós mesmos, é a nossa alegria. Principalmente, devo acrescentar, quando não é conveniente e quando nos tira da nossa zona de conforto. Viver esse segundo grande mandamento é a chave para nos tornarmos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.”

