Ao começarmos o estudo de Doutrina e Convênios no próximo ano, às vezes tendemos a comparar este texto com nossas experiências passadas de estudo das escrituras. Cada livro de escritura tem seus pontos fortes.
O Velho Testamento, por exemplo, parece ser uma fonte ideal para compreender o convênio de Deus com Seu povo, e Seu padrão de ministrar a nós por meio dos profetas. No Novo Testamento, os leitores percorrem os caminhos empoeirados da Terra Santa, testemunhando o Filho de Deus ensinar, pregar, curar, expiar os pecados do mundo e ressurgir em glória ressuscitada. O Livro de Mórmon testifica de Jesus Cristo e da plenitude de Seu evangelho, conforme ensinado entre os antigos habitantes das Américas, bem como os efeitos destrutivos de rejeitar esta mensagem.
Portanto, parece natural antecipar o que ganharemos em nosso estudo das escrituras em toda a Igreja em 2025. O que podemos esperar aprender ao nos aprofundarmos nas revelações contidas em Doutrina e Convênios? Podemos vir a ouvir e conhecer melhor a Cristo.
A Voz do Senhor para Todos

Doutrina e Convênios tem uma mensagem central que alguns talvez não reconheçam prontamente, ou presumam que possa ser encontrada em outro lugar. Élder Neal A. Maxwell (1926-2004), do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou: “Se perguntássemos qual livro de escritura oferece a oportunidade mais frequente de ‘ouvir’ o Senhor falando, a maioria das pessoas pensaria primeiro no Novo Testamento. O Novo Testamento é uma coleção maravilhosa dos feitos e muitas das doutrinas do Messias. Mas em Doutrina e Convênios recebemos tanto a voz quanto a palavra do Senhor. Quase podemos ‘ouvi-lo’ falando” (“Doutrina e Convênios: A voz do Senhor”, Ensign, dezembro de 1978 - em inglês).
A introdução de Doutrina e Convênios destaca este ponto forte. “As mensagens, advertências e exortações são para o benefício de toda a humanidade, e contêm um convite a todas as pessoas, em todos os lugares, para ouvir a voz do Senhor Jesus Cristo, falando a elas para seu bem-estar temporal e sua salvação eterna. ... Nas revelações, se ouve a voz terna, mas firme, do Senhor Jesus Cristo, falando novamente na dispensação da plenitude dos tempos.”
Seção após seção, os leitores de Doutrina e Convênios se familiarizam com a voz de Jesus Cristo. Seus primeiros versículos convidam os leitores a “escutai ... diz a voz daquele que habita no alto”, declarando que “a voz do Senhor dirige-se a todos os homens” (Doutrina e Convênios 1:1-2). Mais de uma dúzia de seções subsequentes continuam a exortação para dar ouvidos ou escutar Sua voz (ver Doutrina e Convênios 33:1; 34:1; 39:1; 42:1-2; 50:1; 51:1; 57:1; 58:1; 61:1; 65:1; 67:1; 75:2; 133:1, 16).

Às vezes, a voz do Senhor nas revelações registradas é dirigida a grandes grupos dentro da Igreja. “Eis que, escutai, ó élderes de minha igreja, diz o Senhor vosso Deus, sim, Jesus Cristo, vosso advogado, que conhece as fraquezas dos homens e sabe como socorrer os que são tentados”, declarou o Senhor tranquilamente aos líderes que viajavam pelo Missouri em 1831 (Doutrina e Convênios 62:1).
Em outras ocasiões, Seu conselho é para indivíduos. Para Martin Harris, o Senhor prometeu: “Aprende de mim e ouve minhas palavras; anda na mansidão de meu Espírito e terás paz em mim.” (Doutrina e Convênios 19:23).
Nas profundezas da Cadeia de Liberty, aquela mesma voz consolou o cansado Profeta Joseph: ”Meu filho, paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições não durarão mais que um momento; E então, se as suportares bem, Deus te exaltará no alto; triunfarás sobre todos os teus inimigos. (Doutrina e Convênios 121:7-8).
Enfatizando de quem é a voz ouvida em Doutrina e Convênios, o Salvador revelou: “E [E]u, Jesus Cristo, vosso Senhor e vosso Deus, disse-o. Estas palavras não são de homens nem de um homem, mas são minhas; portanto, vós testificareis que são minhas e não de um homem” (Doutrina e Convênios 18:33-34).
Voz terna, mas firme
Como observado na introdução, o leitor de Doutrina e Convênios encontrará a voz do Senhor sendo tanto terna, quanto firme. Uma das revelações mais claras que capturam estes dois aspectos, foi dada a Emma Smith, em julho de 1830. Jesus Cristo declarou ternamente a ela: “Escuta a voz do Senhor teu Deus, enquanto [M]e dirijo a ti, Emma Smith, minha filha; pois em verdade [E]u te digo: Todos os que recebem meu evangelho são filhos e filhas em meu reino.” (Doutrina e Convênios 25:1). Com compaixão, o Senhor continuou: “Eis que teus pecados te são perdoados e és uma mulher eleita, a quem chamei.” (v. 3).

Mais adiante na mesma seção, a voz de Jesus Cristo acrescentou o firme convite: “Guarda meus mandamentos continuamente e receberás uma coroa de retidão. E, a não ser que faças isso, onde estou não poderás vir.” (v. 15). Além disso, como em muitas outras revelações, Ele estendeu estas verdades além de seu destinatário original: “E em verdade, em verdade eu te digo que esta é a minha voz para todos. Amém.” (v. 16).
De maneira semelhante, terna mas firme, ele tranquilizou um grupo de élderes em setembro de 1830: “Dai ouvidos à voz de Jesus Cristo, vosso Redentor, o Grande Eu Sou, cujo braço de misericórdia expiou vossos pecados; Que ajuntará seu povo, assim como a galinha ajunta sob as asas seus pintinhos, sim, tantos quantos atenderem à minha voz e se humilharem perante mim e invocarem-me em fervorosa oração. Eis que em verdade, em verdade vos digo que neste momento vossos pecados vos são perdoados ... mas lembrai-vos de não mais pecar para que não vos sobrevenham perigos”(Doutrina e Convênios 29:1-3).
Seu caráter e Suas funções
Além disso, a voz do Senhor em toda Doutrina e Convênios, frequentemente testifica de Seu caráter. Por exemplo, a seção 45 começa de maneira comovente, revelando Sua onipotência eterna: “Escutai, ó povo de minha igreja, a quem foi dado o reino; escutai e dai ouvidos àquele que estabeleceu os fundamentos da Terra, que fez os céus e todas as suas hostes, e por quem foram feitas todas as coisas que vivem e se movem e têm seu ser.” (v. 1).
Dois versículos depois, Ele continua, enfatizando Sua natureza misericordiosa e compassiva: “Ouvi aquele que é o advogado junto ao Pai, que está pleiteando vossa causa perante ele — Dizendo: Pai, contempla os sofrimentos e a morte daquele que não cometeu pecado, em quem [T]e rejubilaste; contempla o sangue de [T]eu Filho, que foi derramado, o sangue daquele que deste para que fosses glorificado; Portanto, Pai, poupa estes meus irmãos que creem em meu nome, para que venham a mim e tenham vida eterna” (versículos 3-5).

Outras vezes no texto sagrado, Ele declara Suas funções. Na seção 19, Ele proclamou: “Eu sou o Alfa e o Ômega, Cristo, o Senhor; sim, eu sou ele, o princípio e o fim, o Redentor do mundo.” (v. 1). Resumindo Sua missão, Ele continuou: “Eu, tendo cumprido e consumado a vontade daquele a quem pertenço, ou seja, o Pai, a meu respeito — tendo feito isso para sujeitar a mim todas as coisas — Retendo todo o poder, até para destruir Satanás e suas obras no fim do mundo; e no último grande dia do juízo, que pronunciarei sobre seus habitantes, julgando a cada homem de acordo com suas obras e as ações que houver praticado” (v. 2-3). Ele depois revelou: “Escuta e dá ouvidos à voz daquele que é de toda a eternidade a toda a eternidade, o Grande Eu Sou, sim, Jesus Cristo — A luz e a vida do mundo; uma luz que resplandece nas trevas e as trevas não a compreendem” (Doutrina e Convênios 39:1-2).
Estes títulos e papéis autodeclarados, Alfa e Ômega, Cristo o Senhor, o princípio e o fim, o Grande Eu Sou, o Salvador do mundo, o bom pastor, a pedra de Israel, o Filho Ahman, o Poderoso de Israel, o Senhor dos Exércitos, o advogado junto ao Pai e a luz e vida do mundo, vêm diretamente de Jesus Cristo, a voz que domina Doutrina e Convênios (“Cento e quinze nomes e títulos de Jesus Cristo”, dezembro de 2023).
Único, especial, vital e essencial
Presidente James E. Faust (1920-2007) sabiamente observou a respeito dos vários textos das escrituras: “Cada um é único. Cada um é a palavra de Deus. Cada um é especial. Cada um é vital para compreender os princípios do evangelho. Cada um é essencial para nossa salvação” (“Doutrina e Convênios e Revelação Moderna”, em Sperry Symposium Classics, 2004).
Sua declaração repetida de verdade diretamente dada pela voz do Senhor faz de Doutrina e Convênios uma contribuição única, especial, vital e essencial para nosso cânone de escrituras, transmitindo aspectos de Jesus Cristo que seriam desconhecidos sem ela. Como resultado, os leitores de Doutrina e Convênios podem “testificar que ouvistes a minha voz e conheceis as minhas palavras (Doutrina e Convênios 18:36). Ao levamos a sério nosso estudo de Doutrina e Convênios este ano, podemos chegar a melhor ouvir e conhecer nosso Salvador, Jesus Cristo e descobrir o conselho e a orientação direta de Deus para nossa vida.
— Scott C. Esplin é o decano de Educação Religiosa na Universidade Brigham Young.

