James Welch já tocou em centenas de órgãos musicais ao redor do mundo, incluindo órgãos na Europa nos quais Johann Sebastian Bach tocou, durante a celebração do 300º aniversário do compositor na Alemanha Oriental; na Catedral de Notre Dame em Paris, França; no órgão da Capela de Cadetes na Academia Militar dos E.U.A. em West Point, Nova York; e, mais recentemente, no órgão do Centro da BYU em Jerusalém.
As pessoas perguntaram a ele: “Qual é o seu órgão favorito no mundo?”
“Já toquei em tantos órgãos importantes do mundo que seria impossível dizer”, costuma ser a resposta de Welch.
Mas ele continua voltando ao órgão do Tabernáculo de Salt Lake.
“Não há som no mundo como o órgão do Tabernáculo. Ele tem um som icônico, que é uma combinação da empresa que o construiu... e da acústica do edifício”, disse Welch, que é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Welch será o artista convidado no próximo concerto da série Tabernacle Organ Virtuoso Performance na sexta-feira, 7 de fevereiro, às 19h30 (horário local) no Tabernáculo de Salt Lake, localizado no centro de Salt Lake City. A entrada é gratuita, aberta ao público e ingressos não são necessários, de acordo com o anúncio do Coro do Tabernáculo. A apresentação será transmitida ao vivo em TheTabernacleChoir.org e estará disponível no canal do coro no YouTube [todos os sites em inglês] para visualização sob demanda.
A série Tabernacle Organ Virtuoso Performance começou em 2022 e foi criada para apresentar o órgão do Tabernáculo, com seus cinco manuais, ou teclados, e 206 fileiras de tubos, e organistas de renome mundial, e tem sido apresentada trimestralmente. Este concerto com Welch é o 12º da série e o primeiro de 2025.
“Eu nunca mentiria se dissesse que o órgão do Tabernáculo é meu órgão favorito”, disse Welch em uma entrevista ao Church News.
Encontrando uma carreira no ensino e execução de órgão
Welch e quatro irmãos tiveram aulas de piano enquanto cresciam na Califórnia. “Fui abençoado com excelentes professores e uma mãe que não desistia”, relembrou Welch. Ele tinha cerca de 10 anos quando se entusiasmou para tocar órgão e, com permissão, se sentava perto do órgão aos domingos durante a reunião sacramental.
“Eu estava tão fascinado com [o órgão]. Eu só queria ver”, disse ele. Ele teve que esperar até ficar alto o suficiente para alcançar os pedais, para começar a ter aulas de órgão quando tinha 11 anos.
Embora gostasse de tocar órgão, ele não tinha certeza sobre as opções de carreira disponíveis. Quando se matriculou na Universidade Brigham Young em Provo, Utah, ele estava estudando Química em preparação para cursar Medicina, mas também teve aulas de órgão. Durante esse período, ele foi para um programa de estudos no exterior em Salsburg, Áustria, que incluiu aulas e viagens pela Europa tocando órgãos famosos.

Enquanto servia sua missão no Brasil, ele encontrou alguns órgãos em várias igrejas católicas e luteranas de lá e perguntava se podia tocá-los. Após retornar de sua missão no início dos anos da década de 70, ele decidiu se transferir para a Universidade de Stanford, onde vários de seus amigos do ensino médio estavam estudando. Ele continuou seus estudos de Química e preparação para Medicina enquanto cursava aulas de órgão, e teve um professor de órgão “muito inspirador”, Herbert Nanney.
“Eu tinha uma decisão a tomar”, ele disse sobre sua carreira de seguir para a Medicina ou se tornar um organista. Ele foi ver Nanney, que não era membro da Igreja, e disse: “Eu amo tocar órgão, mas não sei como será uma carreira nisso.”
Welch relembrou a resposta de Nanney: “Ele olhou para mim e disse: ‘Você não sabe por que Deus o enviou a esta Terra? É para ser organista.’”
Welch mudou sua especialização para Música, e o curso de sua vida.
Depois de se formar em Stanford, Nanney o recomendou para uma posição de professor na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, onde ele lecionou por 15 anos. Mais tarde, ele fez parte do corpo docente da Universidade de Santa Clara. Durante esse tempo em ambas as universidades, ele se apresentou em concertos e recitais ao redor do mundo, por toda a Europa e Ásia, incluindo China e Taiwan, e tocou no México e voltou ao Brasil.
Welch, que fará 75 anos este ano, também serviu em diversas funções relacionadas à música em alas das Igreja e também como bispo da Ala Stanford de Jovens Adultos Solteiros.
Recentemente, ele e sua esposa, Deanne Welch, retornaram de uma designação no Brasil, onde ele serviu como um jovem missionário, ajudando a organizar 45 apresentações com membros locais no centro de visitantes do Templo de São Paulo Brasil como parte do evento anual da Vilazinha de Belém, que antecede o Natal. Deanne Welch organizou a exibição de presépios.
Os Welches têm dois filhos e atualmente vivem em Provo, Utah.
Conexões com o órgão do Tabernáculo
O professor de órgão de Welch em Stanford teve aulas com o organista do Tabernáculo, Alexander Schreiner, e Welch pôde ter uma série de aulas particulares com Schreiner no Tabernáculo. Além disso, enquanto estava em Stanford, ele conheceu outro estudante chamado Craig Jessop, que mais tarde foi diretor musical do Coro do Tabernáculo na Praça do Templo.
Ao longo dos anos, Welch tem sido um artista convidado para tocar no órgão do Tabernáculo durante os recitais de órgão do meio-dia, incluindo um em seu próprio aniversário de 40 anos, quando ele tocou o mesmo programa que foi tocado por um dos organistas do Tabernáculo no dia em que Welch nasceu. E em certo ponto, Welch se candidatou para ser um organista do Tabernáculo.
Welch compôs a música para o “Hino nº 138, “Bless Our Fast, We Pray” [Abençoa Nosso Jejum, Nós Oramos, do hinário em inglês] com a letra escrita por seu antigo companheiro missionário, John Tanner.
O tempo de prática no órgão do Tabernáculo geralmente acontece depois que os tours terminam. É “mágico estar lá”, disse Welch.
O que esperar do concerto
Durante o concerto Organ Virtuoso Performance, Welch disse que está planejando uma “Toccata em Fá Maior”, de Bach (não aquela em Ré menor que é popular no Halloween).
“Ela tem dois longos solos de pedal”, disse Welch. “É divertido mostrar o que os pedais podem fazer.”
Além disso, com a posição do órgão na frente do Tabernáculo, que fica à vista do público, as pessoas podem ver o que ele está fazendo. “É uma peça maravilhosa, rápida e emocionante.”
Ele também tocará peças dos compositores californianos Dale Wood e Richard Purvis. Welch escreveu a biografia de ambos os organistas.
A peça de Wood é uma canção folclórica inglesa e “é perfeita para o órgão do Tabernáculo”, disse Welch. Wood também usa os sons dos registros do órgão, de cordas e flautas ao clarinete e à trompa inglesa.
Purvis era organista na Grace Cathedral in San Francisco, Califórnia, e Welch tinha alguns de seus discos LP quando adolescente. “Eu tinha o som dessa música de órgão de Purvis em minha mente”, disse Welch. Dizem que Purvis passou sua carreira escrevendo músicas para filmes da Igreja Episcopal, acrescentou Welch. A música é “muito orquestral, muito dramática.”
O programa também deve incluir uma sinfonia do compositor e organista francês Charles Widor, que foi organista em Saint-Sulpice, em Paris. Widor escreveu 10 sinfonias para órgão e Welch está planejando tocar os cinco movimentos da N° 5. A tocata da N° 5 é comumente tocada no órgão e muitos provavelmente a reconhecerão, disse Welch.
“É uma peça gloriosa”, disse Welch.
Alexander Schreiner, seu professor de órgão em Stanford, estudou com Widor, disse Welch, conectando assim, sua linhagem tutorial. Quando Welch estava tendo aulas com Schreiner, esta era uma das peças que eles estudavam.
“Como fui abençoado por ter tido estas pessoas no meu caminho”, disse Welch, com a emoção transparecendo em sua voz.
