Em um trecho de pastagem verdejante e varrida pelo vento, o cenário poderia ser confundido com Utah em 1847, quando os pioneiros chegaram ao Vale do Lago Salgado.
Carrinhos de mão de madeira rangem pela estepe, adolescentes com lenços na cabeça e suspensórios caminham por trilhas lamacentas, e o cheiro de carneiro assado no fogo é carregado pelo vento.

Mas esta não é a fronteira americana: é uma trilha de jovens patrocinada pelo Distrito Darkhan Mongólia, perto de Ulaanbaatar, Mongólia, onde mais de 130 jovens santos dos últimos dias de todo o país se reuniram em junho, espelhando os passos dos primeiros santos e dos progenitores mongóis.

Para a maioria deles, aquilo era mais do que uma conferência de jovens. Era a primeira trilha de carrinhos de mão que eles, ou seus pais, já tinham visto. Era uma jornada de dois dias que exigia todo tipo de resistência: física, espiritual, emocional e até culinária. Era o tipo de trilha que transforma as pessoas. A primeira na Mongólia em 12 anos, informou ChurchofJesusChrist.org [em inglês].

‘Eu queria que meus jovens sentissem o que os pioneiros sentiram’
A trilha foi uma visão do presidente Otgonzaya Batbaatar, presidente do Distrito de Darkhan, que começou a sonhar com ela há mais de um ano e meio. Ele disse ter sentido uma forte impressão de que seus jovens precisavam de algo mais do que lições e devocionais, eles precisavam incorporar o evangelho em suas vidas.

“O sacrifício dos pioneiros abençoou o mundo inteiro”, disse o presidente Otgonzaya. “Eu queria que meus jovens sentissem aquilo que os pioneiros sentiram, que reconhecessem que eles também fazem parte de algo maior.”
Foram necessários meses de planejamento e orçamento, além da ajuda de 40 a 50 voluntários de todo o país. Finalmente, o evento transformador aconteceu: nos dias 13 e 14 de junho, mais de 130 jovens puxaram carrinhos de mão por 30 quilômetros de estepe, passando por colinas, rios e campos encharcados pelas chuvas recentes.
Trabalho de verdade, fogueira de verdade, comida de verdade
As trilhas de carrinhos de mão dos jovens nos Estados Unidos podem ser conhecidas pelas batatas em pó e jantares feitos em papel-alumínio. Mas na Mongólia, os jovens cozinharam exatamente como os pioneiros originais faziam: em fogo aberto, no meio do nada.

Cada grupo de carrinhos de mão recebeu carneiro cru, batatas, cenouras, macarrão e um desafio: preparar o almoço usando apenas o que tinham. Sem gás, sem eletricidade, sem água encanada.
Bat-Erdene, de dezesseis anos, de Erdenet, disse que cozinhar foi sua parte favorita. “Todos se ajudavam. O clima entre nós para descansar, conversar e brincar foi realmente legal.”

Alguns tiveram dificuldade para acenderem fogueiras com o vento. Outros nunca tinham cozinhado carne crua antes. Mas, no final do dia, havia panelas borbulhando, pratos fumegantes e sorrisos nos rostos manchados de fuligem.

O presidente Enkhbat Damdin, primeiro conselheiro na presidência da Estaca Ulaanbaatar Mongólia Leste, liderou uma equipe de 10 pessoas que preparou oito refeições saborosas para o grupo, trabalhando dia e noite, sem quaisquer utensílios modernos de cozinha.
“Não importa quão significativa seja a experiência”, disse ele, “se a comida for ruim, é disso que eles se lembrarão.”
Para alimentar os participantes, foram necessários 14 cordeiros e uma vaca.

‘É um sacrifício, mas comparado àquilo que os pioneiros suportaram, não é nada’
Alguns viajaram 24 horas de ônibus apenas para chegar ao ponto de partida. Outros vieram de famílias onde são os únicos membros da Igreja. Todos eles, de uma forma ou de outra, são pioneiros.
Enkh-Ujin, de dezoito anos, que se juntou à Igreja há dois anos após frequentar aulas gratuitas de inglês ministradas por missionários, estava entre eles.

“Quando eu frequentava aquelas aulas, senti uma sensação de calma e paz que nunca havia experimentado antes”, disse ela. “Esse sentimento me levou à Igreja. Agora, enviei meus papéis para a missão e estou aguardando meu chamado.”
Seus pais não ficaram nada felizes quando ela disse que não iria direto para a faculdade. “Mas agora”, disse ela, “eles veem como estou feliz e apoiam minha decisão.”
Erdenbileg, de quinze anos, acrescentou: “É um sacrifício, mas comparado àquilo que os pioneiros suportaram, não é nada.”

Nathan Enkhchuluun, que foi chamado para servir na Missão França Lyon neste outono [no hesmifério norte], disse: “Viver apenas uma fração do que os pioneiros passaram, me fez sentir ainda mais grato por seus sacrifícios. Sem eles, não estaríamos aqui.”
Riachos, pântanos, campos lamacentos e milagres

Esta trilha não foi uma encenação, foi algo real. No meio da jornada, os jovens encontraram riachos, pântanos e campos lamacentos.
Presidente Otgonzaya estava preocupado. “Eu não tinha certeza se eles se ajudariam naqueles momentos”, admitiu ele.

Mas eles conseguiram. Os jovens tiraram carroções dos buracos e se uniram. Estavam molhados, com frio e cansados, mas alegres.
“Observá-los levantarem, carregarem e guiarem uns aos outros pela lama foi poderoso”, disse ele.

Um legado já em andamento
Para Octavia, outra jovem que participou da trilha, a experiência reforçou o que seu discipulado diário já lhe ensinava. Ela é o único membro em sua família, mas, ao fazer a trilha, puxando um carrinho de mão com outros que compartilham sua fé, ela sentiu seu lugar em algo maior.

“Ser membro é tão especial”, disse ela. “Somente por meio de Jesus Cristo e Sua Igreja podemos permanecer firmes e caminharmos em direção à luz sem nos distrairmos. Eu me sinto tão afortunada.”
Um casal de missionários seniores se junta à trilha

Entre os participantes estava o élder Togtokhin Enkhtuvshin e a síster Doyodiin Dashgerel, um dos poucos casais mongóis chamados para servirem como missionários seniores. Embora inicialmente estivessem hesitantes em participar da jornada devido a problemas de saúde, eles se juntaram no segundo dia, e ficaram repletos de alegria.
“Caminhar ao lado dos jovens foi muito inspirador”, disse a síster Dashgerel. “Atravessar os riachos e ver nossos jovens trabalhando juntos nos deixou muito felizes.”
A próxima geração de pioneiros

Nas estepes da Mongólia, 130 adolescentes participaram da trilha, caminharam, cozinharam, puxaram os carrinhos de mão, riram, oraram e saíram mais fortes do outro lado.
Na Mongólia, onde a Igreja só foi introduzida em 1993, cada membro é um pioneiro. Muitos são os primeiros em suas famílias. Muitos ainda estão edificando um testemunho passo a passo.

Mas, durante dois dias em junho, eles foram a prova viva de que o espírito pioneiro continua vivo, não apenas nos desfiles de Salt Lake City ou nos gorros costurados à mão, mas no coração de adolescentes a milhares de quilômetros de distância, cozinhando carneiro no fogo e ajudando uns aos outros na lama.
Como disse o presidente Otgonzaya: “Eles não estão apenas se lembrando dos pioneiros. Eles são os pioneiros.”
Nota: Muitos mongóis não têm sobrenomes e geralmente são chamados por um único nome; a maioria dos jovens citados neste artigo tem apenas um nome.
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