Quando os filhos de Rebecca Burnham participaram de uma produção da comunidade de “Peter Pan”, ela teve algumas preocupações.
Para começar, o musical costuma usar estereótipos para retratar povos indígenas, disse ela. Burnham é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e mora em Cardston, Alberta, Canadá, e temia que o espetáculo prejudicasse os moradores da Reserva Indígena Blackfeet, nas proximidades.
Por outro lado, Burnham disse que não gostava do tema do musical sobre “nunca crescer”. Ela se preocupava que seus filhos recebessem mensagens erradas sobre a vida adulta e que internalizassem essas ideias depois de meses cantando e dançando.
Então Burnham começou a ajustar partes de “Peter Pan”. Com o apoio da comunidade e a contribuição dos povos indígenas locais, Burnham criou uma versão do musical que, na sua opinião, refletia melhor os valores e ideais de Cardston.
A experiência foi extremamente positiva, contou ela, e construiu pontes entre Cardston e a Reserva Indígena Blackfeet. A comunidade havia feito algo especial, e ela rapidamente percebeu que não queria que isso se limitasse a “Peter Pan”.

E é por isso que Burnham fundou Summit Stages [em inglês], uma organização teatral sem fins lucrativos que, de acordo com seu site [em inglês], se dedica a criar “musicais com mensagens e valores de produção que construam inclusão e promovam a totalidade”.
E embora não seja uma organização exclusivamente de santos dos últimos dias, Burnham disse que ela e seu sócio no projeto sem fins lucrativos, Paul Schwartz, estão “absolutamente” construindo sobre o “firme fundamento” dos ensinamentos de Presidente Russell M. Nelson, sobre sermos pacificadores.

Burnham disse: “O Summit Stages é o resultado da decisão de que o teatro musical tem o poder de construir uma comunidade amada, e que transcende as divisões, incluindo religiosas”. Ela acrescentou: “O Summit Stages existe para reunir todas as pessoas que Deus está chamando em todo o mundo.”
A organização sem fins lucrativos está em seus estágios iniciais, atualmente estabelecendo suas bases administrativas e buscando conexões com profissionais do teatro em todo o mundo. Burnham e Schwartz esperam, eventualmente, produzirem espetáculos tão prestigiados quanto os encontrados na Broadway, em Nova York, ou em West End, em Londres, Inglaterra, mas com foco em valores tradicionais como comunidade, compreensão e amor a Deus.
Até agora, Burnham disse que ela e Schwartz encontraram algumas “pessoas realmente extraordinárias” para fazerem este trabalho como por exemplo, um teatro muçulmano em Londres.
Schwartz disse que ele e Burnham esperam realizar oficinas até o final do ano. Eles também esperam implementar mudanças na forma como os musicais são licenciados, o que permitirá que as comunidades adaptem as produções de maneiras que atendam às necessidades locais.
“A missão do Summit Stages é nos reunir em um lugar com amor e respeito mútuos, para que possamos construir a paz e estabelecer Sião”, disse Burnham.
Resumindo, “queremos construir uma biblioteca de conteúdo, enraizada em uma comunidade amada”, acrescentou Schwartz.
Por que o teatro musical?
Schwartz, um santo dos últimos dias que mora em Orem, Utah, disse que o teatro musical é particularmente bem equipado para promover os princípios de Sião.
“Precisamos estar em harmonia”, disse ele. “[Atuar] quase nos obriga a termos um só coração e uma só mente, porque todos estão fazendo uma apresentação juntos, com todas essas diferentes peças e pessoas em movimento.”
Schwartz se envolveu com a Summit Stages após se conectar com Burnham, por meio de um amigo em comum. Schwartz disse que é apaixonado por “qualquer tipo de espetáculo”, seja no palco, na tela ou nos bastidores, há muito tempo. Ele também é o fundador do coro sem fins lucrativos A Voice for Good [Uma voz para o bem – em inglês].

Ao longo de seus anos de atuação, Schwartz disse que passou a se importar tanto com o conteúdo das produções quanto com as pessoas envolvidas. Atores, produtores e outros, às vezes são tratados apenas como engrenagens de uma máquina, mas Schwartz acredita que criar uma grande arte não precisa ser feito às custas do crescimento e desenvolvimento das pessoas.
Ele também acredita que contar histórias é um meio poderoso para comunicar a verdade de uma maneira que as pessoas estejam dispostas a aceitá-la. Uma história “não precisa falar explicitamente sobre o Salvador para que você se conecte com Ele”, disse Schwartz.
Burnham observou que Jesus Cristo frequentemente contava histórias para ilustrar princípios. Princípios são vitais, disse ela, mas às vezes podem parecer abstratos e difíceis de se entender. Portanto, as histórias ajudam as pessoas a verem como os princípios são aplicados ao mundo real.
E quando as histórias são baseadas na luz de Jesus Cristo, “as pessoas veem como esta [luz] realmente funciona, e isto nos leva a Ele”, disse Burnham. Ela acrescentou: “Muitas vezes, tentamos mudar outras pessoas com sermões, e elas ouvem: ‘Você está tentando me consertar’. Sem histórias, muitas vezes o dedo é apontado para outros. Mas quando contamos histórias, entramos em um mundo compartilhado, o qual desperta o melhor de todos nós e abre nosso coração para que estejamos abertos à luz de Jesus Cristo para nos guiar adiante.”

