Ainda me lembro da emoção que senti caminhando até meu carro naquela manhã. Eu estava planejando fazer algo gentil para um amigo, esperando que inesperadamente alegrasse o seu dia.
Enquanto eu estava absorto em minhas esperanças, algo me trouxe de volta à realidade: encontrei a porta do meu carro entreaberta. Alguém havia roubado o manual do meu carro, meu cartão de estacionamento e tudo que estava no porta-luvas.
“É isso”, pensei, frustrado. Lá estava eu, pensando em fazer algo de bom para alguém, quando um mundo hostil não se importa nem um pouco. “Essa é a última vez que tento ser gentil em um mundo hostil.”
Mas eu não estava entendendo. Viver em um mundo hostil não é desculpa para sermos também hostis. É a prova de que precisamos ser bondosos agora mais do que nunca.

Convites proféticos para sermos gentis
Em abril de 2023, Presidente Russell M. Nelson nos aconselhou: “A contenda é uma escolha. Ser um pacificador é uma escolha. Vocês têm o arbítrio para escolher a contenda ou a reconciliação. Eu os exorto a escolher serem pacificadores, hoje e sempre.”
E não se trata apenas de algumas palavras cativantes ou de um ideal distante. Ele pratica o que prega.
Mais de 60 anos atrás, um presidente de ramo designou Presidente Nelson para visitar a casa de Wilbur e Leonora Cox, esperando que Wilbur Cox retornasse à atividade em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Embora Wilbur Cox tenha sido frio e hostil na primeira visita, Presidente Nelson se interessou por seu trabalho de radioamadorismo e se ofereceu para visitá-lo para aprender mais. “Comecei a amá-lo e respeitá-lo”, disse Presidente Nelson em abril de 2018, acrescentando que os dois se tornaram grandes amigos.
Por causa dessa gentileza, Wilbur Cox não apenas retornou à Igreja, mas também se tornou o primeiro presidente da Estaca Boston Massachusetts, oito anos depois.
Presidente Nelson não deixou que a apatia de um futuro amigo diminuísse sua própria bondade ou seus esforços para ajudar, e nós também não devemos fazer isso.
Em abril de 2000, o falecido Presidente Thomas S. Monson, na época primeiro conselheiro na Primeira Presidência, falou sobre a senhora Shinas, que a princípio era “nossa inimiga número um, a grande estraga-prazeres, quem sabe a ruína de nossa vida”, quando ele era ainda diácono.
Ele e seus amigos jogavam beisebol em um pequeno beco, atrás das casas onde moravam. Quando jogavam uma bola no quintal da senhora Shinas, seu cachorro a levava até a porta, e ela a confiscava.
Isso continuou por dois anos, até que um dia, o jovem Thomas Monson notou que o gramado da senhora Shinas estava seco e amarelado, e decidiu regá-lo durante o verão.
Certa noite, a mulher recebeu o menino em sua sala de estar para presenteá-lo com uma caixa de bolas de beisebol desaparecidas. Presidente Monson contou: “Vi pela primeira vez um sorriso no rosto da senhora Shinas, e ela disse: ‘Tommy, quero que fique com essas bolas e quero agradecer-lhe por ser tão bom para mim.’”
Na última conferência geral em que discursou antes de sua morte, em abril de 2017 Presidente Monson nos exortou : “Examinemos nossa vida e decidamos seguir o exemplo do Salvador, demonstrando bondade, amor e caridade. E assim fazendo, estaremos em melhor condição de invocar os poderes do céu para nós mesmos, para nossa família e para nossos companheiros de viagem nesta jornada, por vezes difícil, de volta a nosso lar celestial.”

O exemplo perfeito de bondade do Salvador
A força do meu Salvador, Jesus Cristo, me inspira. Não consigo nem imaginar as experiências injustas e até traumáticas que Ele suportou na mortalidade.
Ele veio a um mundo que deveria tê-Lo aceitado de cabeça baixa e olhos marejados. Mas, em vez disso, a maioria balançou a cabeça e desviou o olhar. Deveriam ter reverentemente acolhido Seu sofrimento no Jardim do Getsêmani, mas, em vez disso, O prenderam na mesma noite. Substituíram Sua coroa de ouro e trono de veludo por uma coroa de espinhos e uma cruz que Ele mesmo carregou.
Se eu morresse em circunstâncias tão horrendas, acho que nunca mais iria querer ter nada a ver com a humanidade.
Mas Ele voltou. Por mais fácil que fosse virar as costas para o mundo que Lhe virou as costas, Ele retornou na gloriosa manhã de Páscoa, assegurando aos Seus seguidores: “Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20).
Ele viu Seus momentos dolorosos como oportunidades para nos fortalecer, cumprindo a profecia de que “para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades” (Alma 7:12).
Não importa a crueldade ou a dureza que enfrentamos nesta Terra decaída, sigamos o exemplo do Salvador para não permitir que isso enfraqueça nossa bondade. E talvez, com a ajuda de Deus, possamos até deixar que essas experiências aumentem nossa empatia e caridade para com os outros.
Jesus Cristo é, como sempre, um exemplo perfeito disso. O Salvador é a prova viva de que não precisamos ser isentos de cicatrizes para sermos gentis.
— Joel Randall é repórter de Church News.

