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Joel Randall: Por que devemos ser gentis em um mundo hostil

“Viver em um mundo hostil não é uma desculpa para sermos também hostis; é a prova de que precisamos ser gentis agora mais do que nunca”

Disponível em:Inglês | Espanhol

Ainda me lembro da emoção que senti caminhando até meu carro naquela manhã. Eu estava planejando fazer algo gentil para um amigo, esperando que inesperadamente alegrasse o seu dia.

Enquanto eu estava absorto em minhas esperanças, algo me trouxe de volta à realidade: encontrei a porta do meu carro entreaberta. Alguém havia roubado o manual do meu carro, meu cartão de estacionamento e tudo que estava no porta-luvas.

“É isso”, pensei, frustrado. Lá estava eu, pensando em fazer algo de bom para alguém, quando um mundo hostil não se importa nem um pouco. “Essa é a última vez que tento ser gentil em um mundo hostil.”

Mas eu não estava entendendo. Viver em um mundo hostil não é desculpa para sermos também hostis. É a prova de que precisamos ser bondosos agora mais do que nunca.

Página de Presidente Russell M. Nelson no Facebook

Convites proféticos para sermos gentis

Em abril de 2023, Presidente Russell M. Nelson nos aconselhou: “A contenda é uma escolha. Ser um pacificador é uma escolha. Vocês têm o arbítrio para escolher a contenda ou a reconciliação. Eu os exorto a escolher serem pacificadores, hoje e sempre.”

E não se trata apenas de algumas palavras cativantes ou de um ideal distante. Ele pratica o que prega.

Mais de 60 anos atrás, um presidente de ramo designou Presidente Nelson para visitar a casa de Wilbur e Leonora Cox, esperando que Wilbur Cox retornasse à atividade em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Embora Wilbur Cox tenha sido frio e hostil na primeira visita, Presidente Nelson se interessou por seu trabalho de radioamadorismo e se ofereceu para visitá-lo para aprender mais. “Comecei a amá-lo e respeitá-lo”, disse Presidente Nelson em abril de 2018, acrescentando que os dois se tornaram grandes amigos.

Por causa dessa gentileza, Wilbur Cox não apenas retornou à Igreja, mas também se tornou o primeiro presidente da Estaca Boston Massachusetts, oito anos depois.

Presidente Nelson não deixou que a apatia de um futuro amigo diminuísse sua própria bondade ou seus esforços para ajudar, e nós também não devemos fazer isso.

Em abril de 2000, o falecido Presidente Thomas S. Monson, na época primeiro conselheiro na Primeira Presidência, falou sobre a senhora Shinas, que a princípio era “nossa inimiga número um, a grande estraga-prazeres, quem sabe a ruína de nossa vida”, quando ele era ainda diácono.

Ele e seus amigos jogavam beisebol em um pequeno beco, atrás das casas onde moravam. Quando jogavam uma bola no quintal da senhora Shinas, seu cachorro a levava até a porta, e ela a confiscava.

Isso continuou por dois anos, até que um dia, o jovem Thomas Monson notou que o gramado da senhora Shinas estava seco e amarelado, e decidiu regá-lo durante o verão.

Certa noite, a mulher recebeu o menino em sua sala de estar para presenteá-lo com uma caixa de bolas de beisebol desaparecidas. Presidente Monson contou: “Vi pela primeira vez um sorriso no rosto da senhora Shinas, e ela disse: ‘Tommy, quero que fique com essas bolas e quero agradecer-lhe por ser tão bom para mim.’”

Na última conferência geral em que discursou antes de sua morte, em abril de 2017 Presidente Monson nos exortou : “Examinemos nossa vida e decidamos seguir o exemplo do Salvador, demonstrando bondade, amor e caridade. E assim fazendo, estaremos em melhor condição de invocar os poderes do céu para nós mesmos, para nossa família e para nossos companheiros de viagem nesta jornada, por vezes difícil, de volta a nosso lar celestial.”

Uma ilustração de Jesus Cristo curando o ouvido de um soldado.
Nesta ilustração da série de vídeos da Bíblia da Igreja, Jesus Cristo cura o ouvido de um soldado na noite em que foi preso. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

O exemplo perfeito de bondade do Salvador

A força do meu Salvador, Jesus Cristo, me inspira. Não consigo nem imaginar as experiências injustas e até traumáticas que Ele suportou na mortalidade.

Ele veio a um mundo que deveria tê-Lo aceitado de cabeça baixa e olhos marejados. Mas, em vez disso, a maioria balançou a cabeça e desviou o olhar. Deveriam ter reverentemente acolhido Seu sofrimento no Jardim do Getsêmani, mas, em vez disso, O prenderam na mesma noite. Substituíram Sua coroa de ouro e trono de veludo por uma coroa de espinhos e uma cruz que Ele mesmo carregou.

Se eu morresse em circunstâncias tão horrendas, acho que nunca mais iria querer ter nada a ver com a humanidade.

Mas Ele voltou. Por mais fácil que fosse virar as costas para o mundo que Lhe virou as costas, Ele retornou na gloriosa manhã de Páscoa, assegurando aos Seus seguidores: “Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20).

Ele viu Seus momentos dolorosos como oportunidades para nos fortalecer, cumprindo a profecia de que “para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades” (Alma 7:12).

Não importa a crueldade ou a dureza que enfrentamos nesta Terra decaída, sigamos o exemplo do Salvador para não permitir que isso enfraqueça nossa bondade. E talvez, com a ajuda de Deus, possamos até deixar que essas experiências aumentem nossa empatia e caridade para com os outros.

Jesus Cristo é, como sempre, um exemplo perfeito disso. O Salvador é a prova viva de que não precisamos ser isentos de cicatrizes para sermos gentis.

— Joel Randall é repórter de Church News.

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