Menu

David e Jo Ann Seely: 5 representações de Cristo no Velho Testamento

Professores casados da BYU discutem as vidas de 5 figuras do Antigo Testamento que prefiguram a vida de Jesus Cristo

Disponível em:Inglês

Quando nossos filhos eram pequenos, tivemos a oportunidade de levá-los à Catedral de Chartres, na França. Ao caminharmos até o pórtico norte da catedral, dissemos que os levaríamos à Escola Dominical medieval.

Jo Ann Seely é instrutora adjunta de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young.
Jo Ann Seely é professora adjunta de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young. | Christena Bentley, BYU

Explicamos que, como muitas pessoas na época não sabiam ler, elas usavam as belas esculturas do exterior e os vitrais internos da igreja, para aprenderem histórias das escrituras.

David Seely é professor de escrituras antigas da Universidade Brigham Young.
David Seely é professor de Escrituras Antigas da Universidade Brigham Young. | Bella Torgerson, BYU

Localizamos nossas estátuas favoritas e pedimos às crianças que as identificassem e explicassem seu significado. Depois de alguns minutos, elas reconheceram as estátuas como sendo de Melquisedeque, Abraão, Moisés, Samuel e Davi, todas grandes figuras do Velho Testamento que prenunciam a vinda do Salvador.

Conversamos sobre como cada um desses profetas do Velho Testamento eram representações de Cristo, ajudando nossos filhos a entenderem como os antigos israelitas aprenderam sobre os atributos e o caráter do Messias, e puderam identificar Jesus Cristo durante seu ministério terreno.

Ao estudarmos o Velho Testamento no próximo ano, teremos a oportunidade de rever as maravilhosas representações de Cristo que estão contidas nele. O profeta Néfi, do Livro de Mórmon, nos ensinou a respeito de Cristo: “Todas as coisas que foram dadas por Deus aos homens, desde o começo do mundo, são símbolos dele” (2 Néfi 11:4).

Quando Adão e Eva saíram do Jardim do Éden, ofereceram sacrifícios conforme lhes foi ordenado e ensinado: “Isso é à semelhança do sacrifício do Unigênito do Pai que é cheio de graça e verdade” (Moisés 5:7).

Existem muitas representações e símbolos de Cristo ao longo do Velho Testamento: eles são encontrados nos convênios e leis, profecias e poesia, bem como na vida dos profetas e das pessoas. Aqui, nos concentraremos nas histórias das cinco figuras do Velho Testamento representadas nessas esculturas e consideraremos como cada uma delas simboliza Cristo e o que podemos aprender com elas.

Melquisedeque

A primeira escultura à esquerda é Melquisedeque, “o sacerdote do Deus Altíssimo” (Gênesis 14:18), representado segurando um cálice para vinho e pão e um incensário, ambos simbolizando funções do sacerdócio.

O nome Melquisedeque em hebraico significa “rei de retidão”, e ele é identificado como o rei de Salém (tradicionalmente Jerusalém), onde obteve paz, por isso foi chamado de “príncipe da paz”, um título de Cristo (Isaías 9:6).

Cristo foi comparado a Melquisedeque e até chamado de “eternamente sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 6:20; Salmos 110:4) e “um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hebreus 4:14), que fez a oferta perfeita a favor do povo “porque isso fez ele uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo” (Hebreus 7:26-28).

"Melchizedek Abençoa Abrão" é uma pintura do artista Walter Rane.
"Melchizedek Blesses Abram" [Melquisedeque abençoa Abrão], por Walter Rane. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

Abraão

Ao lado de Melquisedeque, Abraão é retratado com seu filho Isaque, tocando suavemente o pescoço estendido de Isaque, com uma faca na mão, e sobre um carneiro preso no mato, refletindo a história conhecida como o sacrifício de Isaque.

\"Abraham Taking Isaac to Be Sacrificed\", de Del Parson.
"Abraham Taking Isaac to Be Sacrificed" [Abraão leva Isaque para ser sacrificado], por Del Parson. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

Ao longo de sua vida, Abraão e Sara são retratados como representações de Cristo, devido à sua fé e obediência em meio a muitas provações. Abraão e Sara, assim como Jesus Cristo, são os pais espirituais de sua posteridade do convênio.

Abraão recebeu o mandamento do Senhor para deixar sua terra natal, e ele respondeu: “Eis-me aqui”, as palavras do Salvador conhecidas do conselho pré-mortal: “Eis-me aqui, envia-me” (Abraão 3:27). Essa mesma frase é repetida por três das cinco figuras: Abraão, Moisés e Samuel.

Abraão é uma representação de Deus, o Pai, que “amou o mundo” e estava disposto a oferecer seu filho amado, “teu único filho, Isaque, a quem amas” (Gênesis 22:2). Isaque é uma representação de Cristo, o filho submisso e obediente que oferece sua vida à vontade de seu Pai. Quando Isaque perguntou: “Onde está o cordeiro?”, Abraão respondeu: “Deus proverá” (Gênesis 22:7-8), e de fato o fez, providenciando Seu Filho Amado, Jesus Cristo, que morreria pelos pecados do mundo.

Moisés

Moisés é retratado segurando as tábuas da lei e apontando para a serpente de bronze, prenunciando Cristo na cruz, para cura e vida eterna.

O Senhor disse que o futuro Messias seria como Moisés: “Eu lhes levantarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu”, instruindo Israel a reconhecer o Messias por meio da vida de Moisés (Deuteronômio 18:18; ver também 1 Néfi 22:21; 3 Néfi 20:23).

A vida de Moisés é paralela e prefigura a de Cristo. Ambos foram salvos do decreto de um governante que ordenava a morte de meninos israelitas recém-nascidos (ver Êxodo 1:15-22; 2:1-10; Mateus 2:13-23).

Moisés passou 40 anos no deserto se preparando para seu papel profético, em paralelo aos 40 dias de Jesus no deserto antes de seu ministério.

"Oração de Moisés após os israelitas atravessarem o Mar Vermelho" é uma pintura de Ivan Kramskoy.
"Prayer of Moses after the Israelites go through the Red Sea" [Oração de Moisés após os israelitas atravessarem o Mar Vermelho], por Ivan Kramskoy. | Public Domain

Moisés respondeu: “Eis-me aqui” diante da sarça ardente (Êxodo 3:4), e Deus declarou: “E tenho uma obra para ti, Moisés, meu filho; e tu és à semelhança de meu Unigênito; e meu Unigênito é e será o Salvador” (Moisés 1:6).

Moisés e Jesus foram ambos tentados por Satanás no deserto (ver Moisés 1:12-22; Mateus 4:1-11).

Moisés, o pastor, prefigurou Jesus ao declarar: “Eu sou o Bom Pastor”, cumprindo a profecia: “Apascentarei as minhas ovelhas... Livrarei as minhas ovelhas” (Ezequiel 34:10-30).

Moisés ensinou a Israel a ordenança da Páscoa, com o sacrifício de um cordeiro primogênito sem defeito e pão ázimo como símbolos da libertação do Egito (ver Êxodo 12), prefigurando a Última Ceia e a libertação do pecado por meio da Expiação de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus (ver João 1:29).

Moisés, assim como Jesus, realizou milagres. Moisés demonstrou poder sobre os elementos nas dez pragas, assim como Jesus acalmou a tempestade, andou sobre as águas e transformou água em vinho. Moisés entregou a lei no Monte Sinai; Jesus proclamou o novo convênio no Sermão da Montanha. Moisés anunciou o maná como pão vindo do céu (ver Êxodo 16), prefigurando a alimentação dos 5.000 por Jesus e o sermão do Pão da Vida (ver João 6).

Moisés atuou como intercessor, suplicando pelos israelitas quando pecaram e murmuraram no deserto (ver Êxodo 32:11-14; 33:12-17; Números 14:11-20), oferecendo até mesmo a sua vida em favor do povo, após o incidente do bezerro de ouro: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, senão risca-me, peço-te, do teu livro que escreveste” (Êxodo 32:30-32).

Como mediador do convênio, Moisés aspergiu o sangue do sacrifício sobre o povo, dizendo: “Eis aqui o sangue do convênio que o Senhor fez convosco sobre todas estas palavras” (Êxodo 24:7-8). Jesus instituiu o Novo Convênio na Última Ceia, dizendo: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados” (Mateus 26:26-28).

Samuel

A maioria das pessoas acredita que a quarta figura seja Samuel, segurando uma faca e um cordeiro para sacrifício.

Ana, mãe de Samuel, foi abençoada pelo sumo sacerdote Eli (ver 1 Samuel 1:17), fazendo um paralelo com o anjo Gabriel abençoando Maria (ver Lucas 1:30).

No nascimento de Samuel, a oração de Ana celebrando a bondade de Deus (ver 1 Samuel 2:1-11) foi ecoada pela oração de Maria, que se alegrava com seu filho ainda não nascido, o futuro Messias (ver Lucas 1:46-56).

"Menino Samuel Chamado pelo Senhor (Deus Aparece em uma Visão Noturna ao Menino Profeta Samuel)," de Harry Anderson.
"Boy Samuel Called by the Lord (God Appears in a Night Vision to the Boy Prophet Samuel)" [O Menino Samuel Chamado pelo Senhor (Deus Aparece em uma Visão Noturna ao Menino Profeta Samuel)], por Harry Anderson. | A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

Ana e Maria apresentaram seus respectivos filhos como uma oferta no templo (ver 1 Samuel 1:24-28; Lucas 2:22-28).

Samuel proferiu as palavras “Eis-me aqui” em resposta ao chamado do Senhor (1 Samuel 3:3-8).

Samuel estabeleceu a realeza em Israel (ver 1 Samuel 10:24-27), enquanto Jesus estabeleceu a verdadeira realeza (ver Lucas 1:32-33).

Ao longo de sua vida, Samuel serviu ao Senhor como profeta, sacerdote e ungiu reis. Jesus também é Profeta, Sacerdote e Rei.

David

Davi é retratado com uma lança, símbolo de sua fé e coragem como guerreiro que libertou o antigo Israel de seus inimigos e estabeleceu a paz na terra. Ele usa uma coroa, que nos lembra que, como rei, era um ungido, um messias.

"Rei Davi Entronizado," de Jerry Harston.
"King David Enthroned" [Rei Davi Entronizado], por Jerry Harston. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

Mateus 1 começa com a genealogia de Jesus, filho de Davi, filho de Abraão. Davi foi o célebre antepassado de Jesus Cristo, conhecido por sua fé, obediência e coragem. Ele era um pastor que arriscou a vida por suas ovelhas (1 Samuel 17:34-37).

O Senhor deu a Davi a vitória sobre Golias, um símbolo da vitória de Cristo sobre a morte.

Apesar de suas falhas, Davi foi um rei poderoso, sábio e piedoso, e um salmista que previu a vinda de Jesus (Salmos 22; 110).

Conclusão

Santo Agostinho (354-430 d.C.) ensinou: “O Novo Testamento está oculto no Velho; o Velho Testamento está revelado no Novo.”

No caminho para Emaús, Jesus ensinou aos dois discípulos, que não o reconheceram, o Velho Testamento: “E começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes em todas as escrituras o que dele estava escrito” (Lucas 24:27).

Atores retratam Jesus Cristo comungando com dois discípulos após tê-los encontrado no caminho de Emaús nos Bible Videos.
Nesta cena dos Vídeos da Bíblia, atores interpretam Jesus Cristo conversando com dois discípulos, após tê-los encontrado no caminho de Emaús. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

Mais tarde, quando os discípulos estavam sentados à mesa com Jesus ressuscitado, Ele partiu o pão, o abençoou com eles e desapareceu de sua vista. “Abriram-se-lhes então os olhos”, e eles reconheceram que era de fato Jesus, o Messias prometido e Salvador do mundo. Maravilharam-se e disseram: “Não ardia em nós o nosso coração?” enquanto o Salvador repassava as escrituras e os ensinava a respeito de todos os símbolos e profecias sobre Ele (Lucas 24:31-32).

A mesma bênção nos é prometida quando lemos o Velho Testamento com o coração e a mente abertos e com o desejo de conhecermos a verdade. O Espírito Santo testificará à nossa alma que o Messias prometido, predito pelos profetas da antiguidade, representado por meio de símbolos e histórias e prefigurado por muitos dos servos do Senhor, é de fato nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

David Seely é professor de Escrituras Antigas, e Jo Ann Seely é professora adjunta de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.

HISTÓRIAS RELACIONADAS
Dan Belnap: Minha história favorita do Velho Testamento, o que aprendi e como isso abençoou minha vida
‘Vem, e Segue-Me’ de 19 de dezembro a 4 de janeiro: O que líderes da Igreja disseram sobre o estudo do Velho Testamento?
"A história delas é nossa história": O que esta artista aprendeu ao pintar mulheres do Velho Testamento por 23 anos
NEWSLETTER
Receba destaques do Church News entregues semanalmente na sua caixa de entrada grátis. Digite seu endereço de e-mail abaixo.