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Pesquisadores fornecem a genealogistas e membros diretrizes para o uso responsável da IA na história da família

Na RootsTech 2026, membros da Coalizão para a IA Responsável na Genealogia apresentaram princípios para o uso responsável da tecnologia de IA

Disponível em:Inglês | Espanhol

Na imensidão de mudanças tecnológicas e inteligência artificial, os participantes da RootsTech 2026 foram incentivados a seguirem diretrizes claras para lidarem com seu uso.

A sessão intitulada “Guidelines for the Responsible Use of Artificial Intelligence in Genealogy in 2026” [Diretrizes para o uso responsável da inteligência artificial na genealogia em 2026], realizada em 5 de março, contou com um painel de palestrantes da Coalition for Responsible AI in Genealogy [Coalizão para IA Responsável na Genealogia – em inglês].

Lynn Broderick conduziu o painel de discussão, disponível em RootsTech.org [em inglês]. Broderick é escritora e pesquisadora, com foco em história da família, comunitária e social, e realiza pesquisas na Biblioteca do FamilySearch e em arquivos de universidades nos Estados Unidos.

Broderick centralizou a discussão em cinco princípios que orientam o uso responsável da IA: precisão, clareza, privacidade, educação e conformidade.

Pessoas circulam pelo Salt Palace enquanto participam do RootsTech em Salt Lake City na quinta-feira, 5 de março de 2026. | Scott G Winterton, Deseret News

“A IA é realmente um território inexplorado, não o Velho Oeste”, disse Broderick. “E nós realmente não sabemos para onde estamos indo. Portanto, à medida que nos educamos e consideramos esses princípios, podemos maximizar seus benefícios e minimizar os riscos.”

Precisão

A IA pode gerar informações falsas, tendenciosas ou fabricadas. Ao realizar pesquisas genealógicas, o painel enfatizou a importância de se verificar as informações geradas por IA com outros registros históricos e fontes confiáveis.

James Tanner, presidente do conselho de diretores da Family History Guide Association, afirmou que a IA pode refletir o efeito Dunning-Kruger, um viés cognitivo pelo qual indivíduos com conhecimento limitado superestimam sua compreensão.

Tanner afirmou que, quando a IA fica sem informações verificáveis, “ela simplesmente começa a tentar agradar as pessoas, lhes dizendo o que acha que elas querem saber.”

James Tanner discursa sobre as diretrizes para o uso responsável de IA de genealogia na sessão "Guidelines for the Responsible Use of Artificial Intelligence (AI) in Genealogy in 2026" na RootsTech 2026 de Salt Lake City.
James Tanner fala sobre as diretrizes para o uso responsável de IA de genealogia, na sessão "Guidelines for the Responsible Use of Artificial Intelligence (AI) in Genealogy in 2026" [Diretrizes para o uso responsável da inteligência artificial na genealogia em 2026], na RootsTech de 2026 em Salt Lake City, em 5 de março de 2026. | Screenshot from FamilySearch.org
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Os membros do painel sugeriram duas maneiras de melhorar a precisão: aprender a orientar a IA adequadamente e aplicar o julgamento pessoal.

“Você precisa aprender a usar os prompts e a fazer perguntas”, disse David Ouimette, líder de estratégia de conteúdo do FamilySearch para a região Ásia-Pacífico. “Essa é a coisa mais importante que ajudará você a aumentar sua precisão.”

Por fim, Tanner enfatizou a necessidade de tomada de decisão e de autonomia humana.

“Tome decisões com base em seu próprio julgamento, não no que a IA lhe diz”, afirmou.

Clareza

O princípio da clareza destaca a importância da transparência ao se usar a IA em pesquisas.

“A clareza tem tudo a ver com confiança”, disse Ouimette. “Quando penso em clareza, penso em abertura total. Vamos ser completamente abertos sobre o que estamos fazendo.”

Ouimette afirmou que reconhecer o uso de IA ajuda outras pessoas a avaliarem as pesquisas e conclusões já realizadas, mantendo a credibilidade.

David Ouimette fala sobre as diretrizes para o uso responsável de IA na genealogia na RootsTech 2026 em Salt Lake City.
David Ouimette fala sobre as diretrizes para o uso responsável da IA na genealogia, durante a sessão "Guidelines for the Responsible Use of Artificial Intelligence (AI) in Genealogy in 2026" [Diretrizes para o uso responsável da inteligência artificial na genealogia em 2026], na RootsTech de 2026, realizada em Salt Lake City na quinta-feira, 5 de março de 2026. | Screenshot by FamilySearch.org

Privacidade

Os avanços tecnológicos permitem que as informações sejam armazenadas rapidamente em bancos de dados e servidores, às vezes por períodos indeterminados.

A diretriz de privacidade incentiva os usuários a protegerem informações privadas ao utilizarem ferramentas de IA, visto que a exposição de dados pode levar a conversas públicas não intencionais.

Steve Little, diretor do programa de IA da Sociedade Nacional de Genealogia, afirmou que os usuários devem fazer duas perguntas antes de enviarem informações para sistemas de IA: por quanto tempo o fornecedor armazena os dados e como eles serão usados.

“Você precisa se informar sobre o fornecedor que está usando”, disse Little. “Se você é um usuário novo, você não sabe a resposta para essas perguntas.”

Little se referiu a este conceito como a “Regra do Bebedouro”. Semelhante à etiqueta no ambiente de trabalho que desencoraja conversas confidenciais em espaços públicos, a regra alerta contra a inserção de informações sensíveis em ferramentas de IA quando o armazenamento e a visibilidade são incertos.

James Tanner e Steve Little falam na sessão "Diretrizes para o Uso Responsável da Inteligência Artificial (IA) na Genealogia em 2026" na RootsTech 2026 em Salt Lake City.
James Tanner, à direita, e Steve Little falam sobre as diretrizes para o uso responsável da IA na genealogia na sessão "Guidelines for the Responsible Use of Artificial Intelligence (AI) in Genealogy in 2026" [Diretrizes para o uso responsável da inteligência artificial na genealogia em 2026] da RootsTech de 2026, realizada em Salt Lake City na quinta-feira, 5 de março de 2026. | Screenshot from FamilySearch.org

Katherine Borges, cofundadora e diretora da Sociedade Internacional de Genealogia Genética, afirmou que os genealogistas devem ser especialmente cautelosos ao fazerem o upload de dados de DNA.

“A inteligência artificial é a novidade do momento e não queremos fazer upload de listas de parentesco e de dados de pessoas vivas porque, uma vez feito isso, não há como voltar atrás”, disse ela.

Educação

Os membros do painel também enfatizaram a importância de educar a comunidade genealógica sobre as oportunidades e os riscos da IA.

“Queremos que você seja curioso”, disse Broderick. “Uma das coisas mais importantes é mantermos a curiosidade, mas também com moderação.”

Broderick afirmou que as ferramentas de IA podem ajudar as pessoas a aprenderem e a entenderem como usar a tecnologia de forma eficaz.

“À medida que se torna mais educado, você pode ajudar outras pessoas e usar esse conhecimento com sabedoria”, disse ela.

Broderick sugeriu o aprendizado por meio de cursos universitários, recursos de mídias sociais ou estudos acadêmicos.

“As coisas estão mudando muito rápido”, disse ela. “Você pode fazer um curso hoje e, amanhã, ele será diferente.”

Borges acrescentou que, embora haja muito a aprender sobre a IA, o esforço beneficiará os genealogistas a longo prazo.

“Há muito a ser feito na área da educação, mas a recompensa é enorme”, disse ela.

Uma mulher usa um laptop para interagir com inteligência artificial nesta ilustração.
Esta ilustração mostra uma mulher usando um laptop para interagir com inteligência artificial via chat. | Supatman - stock.adobe.com

Conformidade

A diretriz de conformidade incentiva os membros a cumprirem os contratos, os termos de serviço, as leis de propriedade intelectual e os regulamentos de privacidade de dados ao usarem ou criarem IA.

O princípio também leva os usuários a considerarem a quem devem prestar contas ao utilizarem essas ferramentas.

“Você precisa cumprir as regras da organização e a lei, mas ainda é uma ‘terra sem lei’”, disse Borges.

À medida que a tecnologia de IA continua a evoluir, manter-se informado e agir com cautela serão cruciais para garantir a integridade da pesquisa genealógica, concluíram os membros do painel.

Tanner disse: “Em todos os casos, não abrimos mão de nossa autonomia na forma como lidamos com a IA. … Queremos que a IA seja a serva e nós, os senhores.”

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