Antes de se formar na Faculdade de Medicina de Harvard, antes de se tornar um cirurgião certificado e antes de trabalhar com profissionais de saúde na Mongólia por 20 anos, o Dr. Raymond Price foi missionário na Tailândia.
Nas regiões quentes, lamacentas e úmidas do país, o jovem élder Price testemunhou, talvez pela primeira vez, a pobreza extrema e as barreiras ao acesso à saúde.
Em uma de suas memórias, ele e seu companheiro missionário ajudaram a levar uma mulher ferida ao hospital após outras pessoas se recusarem a ajudá-la. Os funcionários do hospital então perguntaram aos jovens missionários: “Por que vocês ajudariam uma desconhecida?”
“Aquele momento mudou o rumo da minha vida”, disse Price à Sala de Imprensa da Igreja da Ásia Oriental [em inglês]. A partir de então, ele se sentiu inspirado a seguir carreira na medicina e saúde pública.
De feridas abertas a cuidados minimamente invasivos
Dr. Raymond Price, atualmente professor de Cirurgia Global na Universidade de Utah e professor visitante na Universidade Nacional de Ciências Médicas da Mongólia, visitou a Mongólia pela primeira vez em 2005.
Chuck Swanson, da fundação, convidou Price a ir à Mongólia, dizendo que os profissionais de saúde do país não sabiam como operar o equipamento que estava sendo doado. Na época, a Fundação Família Dr. W. C. Swanson, localizada em Ogden, Utah, doava equipamentos a 39 hospitais em todo o país.
Naquele ano, 98% das colecistectomias laparoscópicas — remoções da vesícula biliar — eram procedimentos abertos, que exigiam grandes incisões, internações hospitalares prolongadas e longos períodos de recuperação.
Ao entrar nos edifícios de concreto da era soviética, Price viu bisturis, afastadores, grampos e gaze dispostos sobre mesas cirúrgicas brancas: instrumentos para uma cirurgia aberta. Em todo o país, lesões graves decorrentes de acidentes e traumas eram uma das principais causas de morte entre adultos, mas as cirurgias abertas não eram o método mais eficaz. Os cirurgiões não dispunham de equipamentos e treinamento que permitissem a realização de uma alternativa: as cirurgias minimamente invasivas.
Enquanto estava lá, a Dra. Orgoi Sergelen, chefe de cirurgia do Primeiro Hospital Central da Mongólia, pediu a Price que falasse sobre a cirurgia minimamente invasiva no país.
“Ela me deu uma apresentação em PowerPoint sobre por que eles precisavam expandir a cirurgia minimamente invasiva na Mongólia”, escreveu Price em um e-mail ao Church News, que incluía razões como muitos casos de doença da vesícula biliar, altas porcentagens de mulheres e 49% da população sendo nômade na época.
“Inicialmente, achei que não era uma boa ideia, dada a falta de equipamento, recursos e educação”, escreveu ele. Artigos de pesquisa publicados na época, sugeriam que apenas habilidades básicas deveriam ser ensinadas em países em desenvolvimento.
“Mas a Dra. Sergelen parecia ter uma visão para seu país”, continuou Price. “Começamos a trabalhar juntos para desenvolver o programa que transformou a Mongólia.”
O objetivo de Price na Mongólia era educar profissionais de saúde sobre como realizarem cirurgias laparoscópicas: procedimentos que poderiam reduzir pela metade o tempo de internação hospitalar, melhorar drasticamente as taxas de recuperação e diminuir o risco de infecção. Price organizou oportunidades de treinamento em todo o país, incluindo campanhas de conscientização pública, aparições na televisão e programas de rádio com participação do público.
“A mensagem era clara”, recordou o Dr. Price durante sua visita em 2005. “Os cirurgiões mongóis queriam mudanças e desenvolver as capacidades necessárias por conta própria.”

O programa adotou um modelo de “formação de formadores”, com o objetivo de capacitar os cirurgiões locais a se tornarem educadores, promovendo uma mudança sustentável que perduraria muito depois do retorno dos visitantes internacionais aos seus países de origem.
Price também desempenhou um papel fundamental na implementação do programa Advanced Trauma Life Support [Suporte Avançado de Vida em Trauma], um curso de treinamento. Apoiado em parte por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o programa ensina, passo a passo, os profissionais de saúde a lidarem com pacientes gravemente feridos.
Em outubro de 2025, ocorreu um marco para o programa quando um educador mongol recebeu a certificação completa para ministrar o curso localmente. Hoje, mais da metade da população da Mongólia é atendida por médicos treinados no Curso de Suporte Avançado de Vida em Trauma.
De cirurgião a diplomata
Price e outros cirurgiões estão atualmente realizando uma pesquisa nacional sobre o câncer de mama e o câncer do colo do útero (cervical), com o objetivo de identificar maneiras economicamente viáveis de expandir os serviços para as mulheres na Mongólia.

Em um discurso proferido em uma conferência científica no ano passado, Price afirmou: “Para mim, a maior conquista foi construir amizades e parcerias que geraram mudanças sustentáveis.
“Quando as pessoas trabalham juntas com um propósito comum, as oportunidades continuam a crescer.”
Mais recentemente, em 18 de maio de 2026, Price foi nomeado Cônsul Honorário da Mongólia no Estado de Utah, onde reside.
Como Cônsul Honorário, Price continuará a apoiar as conexões culturais, educacionais, de saúde e econômicas entre a Mongólia e Utah, fortalecendo ainda mais um relacionamento que ele ajudou a construir ao longo de quase vinte anos.
O verdadeiro sucesso, disse Price, “pertence aos médicos e educadores mongóis que continuam este trabalho todos os dias.”
Nota do editor: Este artigo foi atualizado em 21 de junho de 2026, com informações adicionais do Dr. Raymond Price.

