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Scott Taylor: Quando não conseguir ‘engolir o corvo fresco’ não foi uma ‘escolha feliz’

E a frase ‘não me lembro disso’ ressalta o perdão do Salvador quando nos arrependemos

Disponível em:Inglês

Meu pai tinha um ditado que parecia ter saído diretamente de sua criação em um rancho no sul de Idaho: “Se você precisa engolir o corvo, é melhor comê-lo fresco” [Nota do tradutor: a expressão equivalente em português seria “engolir o sapo”].

A expressão “engolir o corvo” denota ter de admitir estar errado após assumir uma posição firme e confiante. A ideia de comer uma ave necrófaga, que se alimenta de animais mortos e tem a carne dura, parece desagradável.

E o ditado significa que, se você precisa assumir seus erros ou opiniões equivocadas, é melhor fazê-lo prontamente, o mais rápido possível, em vez de deixar a situação se arrastar ou até mesmo piorar.

O mesmo se aplica, não apenas às palavras e expressões, mas também às ações.

E eu tive que aprender isso da maneira mais difícil, “engolindo o corvo” anos depois.

Tudo começou quando “colei” em uma prova que nem era a minha própria.

Nossa professora do quinto ano aplicou um teste surpresa sobre a tarefa de matemática do dia anterior. Eu não tinha estudado muito e não me saí bem nas respostas. Passamos nossas provas para a frente, e a professora as redistribuiu aleatoriamente para que os alunos corrigissem as provas dos colegas.

Wanderléia Josefa dos Santos Nascimento, segunda à direita, faz uma pausa com seus filhos, Elisa, à sua direita, e Estevão, para uma foto com Scott Taylor, editor-chefe do Church News, após uma conferência de estaca em Recife, Brasil, em 5 de março de 2023. | Orson Lemos

Acabei ficando com a prova de uma das meninas que se destacava em matemática. Sentindo-me frustrado e com inveja, apaguei algumas de suas respostas, preenchi com números incorretos, dei uma nota inferior à que ela merecia e devolvi a prova.

Imediatamente, o arrependimento me atingiu. Observei a garota, que vou chamar de Carol, levar seu teste à professora sentada à frente, apontando as discrepâncias em relação à sua resposta inicial.

Tentando me esconder e evitar qualquer contato, me preparei para as consequências.

E aconteceu a pior coisa possível.

Nada.

Não fui chamado à sala da diretora. Não recebi um bilhete para levar para casa, nem uma reunião de pais e professores, nem um boletim com anotações.

Nunca houve a sensação de “escapar impune”, mas sim o medo do que poderia acontecer. Mas nada aconteceu, nem naquele dia, nem nos dias, semanas e meses seguintes.

Infelizmente, não comi o corvo fresco nem me arrependi de forma adequada e imediata.

A partir de então, até a formatura do ensino médio, Carol e eu frequentamos muitas aulas juntos, além de participarmos de bandas e coros, bem como de suas viagens e apresentações extracurriculares. Ela também namorou meu melhor amigo do ensino médio.

Sempre nos encontrávamos e nos tornamos bons amigos, embora eu ainda carregasse a decepção comigo mesmo. E embora muitas vezes pensasse no meu estúpido deslize na quinta série quando estava perto da Carol, eu não dizia nada.

Com a formatura se aproximando, durante um almoço com amigos, contei à Carol que precisava me desculpar e corrigir algo que havia acontecido anos antes. Envergonhado pelo ocorrido e pela demora, relatei o erro e pedi seu perdão.

“Não me lembro disso”, respondeu ela, dando de ombros.

Anos de culpa, arrependimento e constrangimento poderiam, e deveriam, ter sido evitados por causa daquele incidente na quinta série. Eu não deveria ter alterado a prova, e por tê-la alterado, deveria ter me arrependido no primeiro dia.

Em sua mensagem da conferência geral de outubro de 2016, intitulada “Arrependimento: Uma escolha feliz”, Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, relatou uma indiscrição que cometeu na juventude, da qual se arrependeu plenamente naquele mesmo dia, e não anos depois.

Élder Renlund ensinou: “O fato de que podemos nos arrepender são as boas novas do evangelho! A culpa pode ser ‘apagada’ (Enos 1:6). Podemos ser cheios de alegria, receber a remissão de nossos pecados e ter ‘paz de consciência’ (Mosias 4:3). Podemos nos livrar do sentimento de desespero e do jugo do pecado. Podemos ser cheios da maravilhosa luz de Deus e não sofrer mais (Mosias 27:29). O arrependimento, além de ser possível, também traz alegria por causa de nosso Salvador.”

A frase de Carol, “não me lembro disso”, me faz lembrar do que o Senhor ensinou sobre o nosso arrependimento e o Seu perdão.

“Eis que aquele que se arrependeu de seus pecados é perdoado e eu, o Senhor, deles não mais me lembro” (Doutrina e Convênios 58:42).

Alex Cochran, Deseret News

Mesmo após o arrependimento, nos lembramos de nossos erros, não como um castigo, mas como uma proteção. Não queremos sentir novamente a culpa, a dor e o constrangimento, sentimentos que podem ser aliviados pelo arrependimento e pela Expiação de Jesus Cristo.

Será que a lembrança de nossas transgressões ainda persistirá quando estivermos na presença do Salvador ressuscitado?

Se assim for, podemos ter certeza, como prometem as escrituras, de que Ele não os trará à luz, e não se lembrará mais deles.

Enquanto estivermos na mortalidade, ainda cometemos erros. Mas que possamos tentar prontamente engolir o corvo proverbial e buscar “a escolha feliz” do arrependimento.

— Scott Taylor é o editor-chefe do Church News.

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