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Jon Ryan Jensen: A salvação não é uma questão de sorte ou acaso, mas de escolha

O Salvador ensina que as pessoas devem dar umas às outras; Satanás as incentiva a tirarem umas das outras

Disponível em:Inglês

Colocar meus sentimentos sobre este assunto no papel tem sido difícil para mim. Não é difícil porque eu não acredito. E não é difícil porque tenho que me esforçar para encontrar uma maneira de falar sobre isto. É difícil porque traz à tona algumas lembranças dolorosas que partiram meu coração quando criança e ainda me assombram hoje.

Por alguns poucos anos da minha infância, morei em uma cidade conhecida pelo brilho e glamour de seus cassinos. Pessoas do mundo todo vinham para visitá-la e buscar entretenimento. Para mim, as luzes, o brilho e a música eram símbolos de uma fachada que escondia um custo altíssimo para participar do que aqueles cassinos ofereciam.

O que alguns chamavam de risco, outros chamavam de adrenalina. O que alguns chamavam de oportunidade, outros chamavam de desperdício. E o que alguns chamavam de diversão, eu passei a ver como um perigo.

Às vezes, eu torcia para que certos times vencessem para que meus amigos não apanhassem dos pais. Às vezes, eu torcia porque sabia que havia uma chance de meu amigo ter que se mudar, já que o aluguel de sua família dependia do sucesso de algum time aleatório em um evento esportivo naquela noite.

Mas os times perderam. Amigos apareciam na escola com hematomas ou algo pior. Colegas de classe se mudaram. Pais se divorciaram. Pais foram presos. Na minha opinião, ninguém nunca ganhou. E muitas pessoas choraram.

Esse estilo de vida era completamente normal para muitas famílias onde eu morava na época. Sou grato aos meus pais por terem me ensinado a nunca começar a participar de jogos de azar. E vi exemplos demais de como era difícil parar depois de ter começado.

Em 1987, o então Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou em uma mensagem proferida na Ricks College (atual BYU-Idaho), intitulada “Jogos de azar — Moralmente errados e politicamente insensatos” [em inglês].

Naquela reunião, Élder Oaks ensinou sobre a prática moralmente errada do jogo e sobre as políticas públicas politicamente insensatas que o permitiam. Ele disse que o Salvador ensina que as pessoas devem dar umas às outras e que Satanás incentiva as pessoas a tirarem umas das outras. O jogo de azar é uma forma de se tirar algo de outra pessoa que não foi conquistado por nosso esforço pessoal. E no outro lado da equação, alguém perdeu algo ou foi explorado.

Presidente D. Todd Christofferson, segundo conselheiro na Primeira Presidência, retomou esse tema em sua mensagem na conferência geral de outubro de 2026.

“Uma parte fundamental de uma vida bem vivida é contribuir para o bem-estar de outras pessoas. É ser produtivo em causas dignas. É ser melhor e fazer melhor sem que as outras pessoas fiquem em situação pior”, disse ele.

Participar de jogos de azar não torna o vencedor ou o perdedor melhor por ter participado. Independentemente do dinheiro, ninguém sai ganhando.

O falecido Presidente Gordon B. Hinckley também ensinou sobre os perigos dos jogos de azar.“Os jogos de azar podem ser encontrados em quase toda parte e estão crescendo”, disse ele na conferência geral de abril de 2005.

Fico imaginando o que ele diria hoje se pudesse ver o quanto esta indústria cresceu.

Os esportes na televisão estão sendo inundados por informações sobre probabilidades que vão muito além dos resultados dos jogos. As “prop bets” [apostas especiais] incentivam as pessoas a apostarem dinheiro, ou a preverem (se quisermos usar o termo preferido na indústria), em tudo, desde o desempenho de um jogador até o número de pedidos de tempo que serão feitos.

O perigo de começar a trilhar esse caminho de prever os resultados de acontecimentos mundiais sobre os quais o apostador não tem controle algum é assustador do ponto de vista eterno.

Presidente Hinckley ofereceu opções para um melhor aproveitamento do tempo e dos recursos.

“Existem maneiras melhores de passar o tempo. Existem objetivos melhores nos quais vocês podem ocupar seu interesse e energia. Existem muitas coisas maravilhosas para se ler. É bem pouco provável que nos excedamos na leitura. Existem músicas a serem aprendidas e desfrutadas. Vocês podem simplesmente passar um tempo agradável juntos — dançando, passeando, andando de bicicleta ou fazendo outras coisas juntos, rapazes e moças, desfrutando a companhia uns dos outros, de forma sadia”, disse ele.

Presidente Christofferson disse: “Hoje, peço a todos nós que vivamos em um patamar mais elevado. ... Se tivermos fome e sede de retidão, há muitas coisas boas que buscaremos e outras que, por serem incompatíveis com a retidão, eliminaremos totalmente de nossa vida.”

E o então Élder Oaks disse: “Se os membros de nossa Igreja não se opuserem a práticas imorais e perniciosas, quem o fará? Se não agora, quando? ... Que Deus nos ajude a fazê-lo.”

Deletem os aplicativos. Apaguem as contas associadas a eles. O risco é maior do que financeiro. O risco é para a saúde mental de homens, mulheres e crianças em todos os lugares.

Sua alma não vale o risco.

— Jon Ryan Jensen é editor do Church News.

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