Na época em que serviu como presidente de estaca, houve uma ocasião na qual o Irmão Ahmad S. Corbitt estava ensinando sobre A Família: Proclamação ao Mundo durante uma reunião sacramental, quando um irmão claramente deixou a capela em protesto.
Embora o membro não tivesse apoiado seus líderes, o Irmão Corbitt o aconselhou sobre sua conduta imprópria e o ajudou a compreender os princípios proféticos. Os líderes da Igreja também continuaram a ajudar o membro a sustentar sua família financeiramente e conseguir um emprego.
“Reconhecemos quem ele era realmente, ignoramos sua falta de discernimento e o ensinamos”, disse o Irmão Corbitt.
Irmão Corbitt, que atualmente serve como primeiro conselheiro na presidência geral dos Rapazes, relatou a experiência aos capelães endossados pela Igreja no início de outubro, como um exemplo do que ele chamou de ativismo ou militância contra A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele deu o nome a suas observações de, “Ativismo vs. discipulado: Protegendo os valentes”.

“Gostaria de abordar uma tática especialmente eficaz que Satanás está utilizando para cegar e enganar os jovens, as pessoas que estão fazendo a transição de outras tradições e culturas religiosas, e até mesmo indivíduos que têm sido membros da Igreja restaurada do Senhor por muito tempo ou durante toda vida”, disse Irmão Corbitt.
“Na minha humilde opinião, esta tática é uma das grandes névoas de escuridão da nossa época. Refiro-me ao empenho do nosso inimigo de transformar discípulos de Jesus Cristo em ativistas a favor ou contra a Igreja do Senhor e seus líderes.”
Ativismo vs. discipulado
Irmão Corbitt definiu o ativismo como “a política ou o ato de usar [campanhas ou] fazer campanhas com veemência, para provocar mudanças políticas ou sociais, especialmente em apoio ou oposição a um lado de um assunto controverso.”
Isto significa que o ativismo e a militância são ruins? De forma alguma, disse ele.
O Irmão Corbitt citou vários exemplos da história americana, do protesto político conhecido como Boston Tea Party à assinatura da Declaração de Independência, a Declaração de Direitos da Constituição e o movimento pelos direitos civis.
“Os Estados Unidos foram fundados sobre e por meio do ativismo e da militância de ativistas”, e “nós somos os beneficiários deste ativismo”, disse o Irmão Corbitt.
“No entanto, o ativismo ou a militância contra a Igreja é um recurso secular e mundano aplicado erroneamente em um contexto espiritual que não pertence a este mundo”, disse ele. “As mudanças no Reino de Deus não são realizadas da mesma forma como, digamos, no governo.”
Irmão Corbitt continuou: “Quando o ativismo ou a militância é contra o Reino de Deus na Terra ou seus líderes, especialmente os profetas e apóstolos, ele é a ferramenta errada para o trabalho errado no lugar errado. Por quê? Porque o ativismo, de maneira eficaz, porém sutil, mina a doutrina de Cristo, que é o plano de Deus para mudar, salvar e exaltar Seus filhos.”

A manobra de três etapas do adversário
Irmão Corbitt descreveu a estratégia de três passos do adversário para esta armadilha, a qual ele disse ser “genial em sua simplicidade e eficácia”.
- “Focar, de modo geral, a nova geração e os valorosos, longe da doutrina de Cristo e na injustiça real ou imaginária na Igreja do Senhor, e nas imperfeições de seus líderes.
- “Usar esta mudança de foco para despertar sentimentos de desilusão, aborrecimento, ressentimento, raiva e ódio contra as diretrizes, as declarações, as proclamações, os princípios, as doutrinas e, por fim, os líderes da Igreja.
- “Manipular estes impulsos negativos para instigar o uso do ativismo, ou militância mundana ou secular, em vez da doutrina de Cristo para efetuar mudanças no Reino de Deus.”
Três pensamentos sobre o ativismo contra a Igreja
O Irmão Corbitt ofereceu três pensamentos para reconhecer e evitar o ativismo contra a Igreja e seus líderes.
Primeiro: Sejam sensíveis às pessoas mais vulneráveis a esta mentira.
Santos dos últimos dias de todas as idades, experiências de vida e origens, inclusive aqueles vieram de outras tradições religiosas, talvez ainda não tenham compreendido a doutrina de Cristo ou sua importância.
“Eles provavelmente só conhecerão e confiarão nas ferramentas telestiais que viram ser usadas no mundo”, disse o Irmão Corbitt. “Teremos que ajudá-los a ver por que a doutrina de Cristo deve ter prioridade sobre todas as outras causas, por que ela deve sempre governar nossos atos e comportamentos, e por que é nossa única esperança real de realizarmos qualquer mudança ou causa justa.”
Segundo: Reconheçam que, às vezes, os espíritos valorosos podem estar equivocados e precisam ser orientados com paciência.
No Livro de Mórmon, Alma, o filho, e os filhos de Mosias permitiram que Satanás desorientasse seus atos antes de serem convertidos e participarem da coligação de Israel.
“Entre as muitas lições importantes que tiro do Livro de Mórmon está o princípio de que nem sempre podemos julgar a retidão pré-mortal de outras pessoas por seu estado atual de confusão ou até mesmo de rebelião”, disse o Irmão Corbitt. “Esta história de redenção do valoroso errante torna o apelo de ajudar a coligar Israel, feito pelo Profeta à nova geração, mais oportuno e urgente. O mesmo se aplica àquilo que o Profeta ensinou aos jovens sobre sua verdadeira identidade.

Terceiro: O inimigo usa o ativismo contra a Igreja, de forma inteligente e eficaz, para minar a doutrina de Cristo, sobretudo a fé Nele.
O 'Ativismo Contra a Igreja', o qual o Irmão Corbitt abreviou como “ACI” [ATC em inglês], enfraquece a fé e a confiança em Deus. Seu padrão é minar a fé nos líderes da Igreja.
“Tal desconfiança é o oposto da fé que o Senhor exige de Seu povo do convênio em Si mesmo, Seus profetas e apóstolos, e aqueles que eles orientam”, disse ele.
O ACI tende a se concentrar nas imperfeições dos líderes e se opõe a seus testemunhos, minando sua credibilidade aos olhos dos seguidores.
“Disfarçado de causa maior e nobre, o ACI instiga desconfiança nesses líderes”, disse ele. “Ao supostamente personalizar esta abordagem enganosa para as pessoas valorosas, o adversário astutamente minimiza o poder real (fé) delas e as rouba de sua verdadeira missão (a coligação). De modo eficaz, ele transforma os coligadores em dispersadores.
Irmão Corbitt disse que o ACI se concentra na fraqueza humana dos líderes em vez de seus pontos fortes e mantos. “Ao fazer isso, ele sutilmente dá permissão e justificação para murmurar, fofocar e falar mal dos ungidos do Senhor, tudo enganosamente disfarçado como honestidade”, disse ele.
O ACI também pode enganar recém-conversos que talvez estejam mais acostumados a tradições religiosas nas quais os líderes são contratados ou demitidos por suas congregações locais. Alguns estarão mais acostumados a líderes religiosos que evitam temas controversos.
Irmão Corbitt também aconselhou os capelães a terem cuidado com frases que são ditas com frequência e que, de alguma forma, mantêm um senso de sinceridade religiosa para influenciar outras pessoas, tais como: “Eu não sigo os Irmãos, sigo Jesus Cristo”, ou “Responsabilizo os Irmãos a fazerem o que é certo.”
“Estas alegações perigosas são tão contrárias aos próprios ensinamentos de Jesus quanto confusas”, disse o Irmão Corbitt. “Em contraste, o discipulado de Jesus Cristo edifica e expressa ‘confiança, fé e oração’ em nome dos líderes da Igreja.”
“Por favor, não interpretem mal. Não estou dizendo que todas as causas do ACI não são importantes, boas ou, muitas vezes, exercidas de boa-fé”, disse ele. “Uma lâmpada deve ser trocada para evitar a escuridão e restaurar a luz. Meu ponto simples é que um martelo não é a ferramenta certa para tal trabalho. Todas as mudanças necessárias e apropriadas no reino de Deus são efetuadas por Ele.”
Como reconhecer o ‘Ativismo Contra a Igreja’
Irmão Corbitt ensinou que o ACI “manipula de maneira eficaz” os membros da Igreja que tomam parte disso, “não no sentido de que os faz questionar sua própria sanidade, mas de forma que simultaneamente restringe o raciocínio, amplia argueiros e pontos cegos, e convida a julgar outras pessoas.”
“Ao passo que o discipulado diz: ‘Porventura sou eu, Senhor?’ ou ‘Ajuda a minha incredulidade’, o ACI raramente busca compreender com humildade as perspectivas ou experiências de terceiros, ou leva à singela introspecção”, disse o Irmão Corbitt.

Aqui estão algumas outras maneiras de reconhecer o ativismo contra a Igreja:
- “O ACI olha para trás com um olhar de julgamento e condena ou olha para o lado com um olhar de desprezo e encontra falhas.”
- “O ACI se concentra na pilha de lixo da história decepcionante, reciclando o zelo dos outros, ou os pecados e as falhas imaginárias.”
- “O ACI também encontra falhas nas tentativas atuais de regular os assuntos da Igreja, acorrentando todos os envolvidos ao passado ou presente.”
- “O ACI geralmente ignora as características e feitos positivos dos líderes da Igreja.”
- “Por natureza, o ACI sempre levará seus seguidores a encontrarem outros problemas.”
- “O ACI (...) utiliza identidades culturais de maneira inteligente e procura elevá-las acima de tudo na mente e no coração de seus seguidores. Ele substitui as vozes divinas pelas que são culturalmente familiares. (...) Devemos ajudar aqueles a quem ministramos a evitar que suas identidades sociais os consumam.”
- “O ACI rejeita prioridades proféticas.”
- “O ACI é como se debater contra a areia movediça. (...) Seus métodos afundam a alma e a fé de seus seguidores porque, novamente, esta abordagem mina a doutrina de Cristo.”
- O ACI não apenas promove a discórdia, mas a justifica como nobre.
Perguntas a considerar sobre o ‘Ativismo Contra a Igreja’
Irmão Corbitt encorajou os capelães a ajudarem as pessoas a quem servem a enxergar que o “ACI é a abordagem do mundo, não a luz do mundo, ou uma cidade edificada sobre um monte.”
“Na minha opinião, o ACI é uma das mentiras mais magistrais da nossa época’, disse ele. “O ACI é estranhamente semelhante à rebelião pré-mortal contra o plano de Deus.”
O Irmão Corbitt encorajou os membros a se aconselharem com seus líderes locais para “expressar suas preocupações de maneira humilde e amorosa, compartilhar observações e até mesmo apresentar queixas formais”.
Ele ofereceu as seguintes perguntas para ajudar “amigos valorosos” a saberem se devem se dedicar a uma causa:
- Isto promove a doutrina de Cristo em nossa vida?
- Isto edifica a fé em Cristo, Sua Expiação, Seu evangelho e Suas promessas?
- Isto leva outras pessoas a confiarem em Deus e terem confiança nos ensinamentos e na liderança de Seus servos?
- Isto encontra defeitos ou critica os líderes da Igreja?
- Isto gera sentimentos de amor por todos os outros ou algum tipo de rancor?
- Isto promove a harmonia em Cristo entre todos os filhos de Deus ou tende a dividir?
- Isto parece estar mais voltado ao avanço de uma narrativa do que da causa de Cristo?
- Em alguns casos, há necessidade de alertar e incitar mudanças; esta causa o faz de acordo com os princípios e métodos do evangelho, ou tende a se apoiar na sabedoria mundana ou em ditados e abordagens seculares?
- Isto é polêmico ou introduz paz, união e cura?
- Isto promove as prioridades proféticas?
“Que todos nós sejamos eficazes e divinamente guiados ao ajudarmos a nova geração e todos os nossos membros a usarem os métodos mais elevados e sagrados — especialmente a fé em Cristo — que o próprio Senhor prescreveu para mudar corações, mentes e comportamentos, e edificar um povo unificado”, disse o Irmão Corbitt.

