Durante o Devocional de Natal da Primeira Presidência de 2023, membros ficaram maravilhados quando Élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos, vestiu um cachecol e uma cartola enquanto compartilhava a tradição anual de sua família, de ler “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens.
Ele explicou que o livro, publicado em 19 de dezembro de 1843 [em inglês], foi escrito em uma época na Inglaterra vitoriana, quando as pessoas estavam reconsiderando o significado do Natal. “Numa época em que muitos se sentiam inseguros, isolados e sozinhos, o ‘Conto de Natal’ de Dickens abordou um desejo profundo de amizade, amor e valores cristãos reconfortantes, assim como Ebenezer Scrooge encontrou paz e cura em seu passado, presente e futuro.”
Infelizmente, muitos pensam no velho avarento e rabugento, em vez do novo e generoso Scrooge, quando se lembram do personagem. “Há alguém ao nosso redor, talvez nós mesmos, que poderia ser diferente, se deixássemos de estigmatizá-lo ou estereotipá-lo como ele era no passado?”, Élder Gong perguntou.
Élder Gong não é o único líder da Igreja que usou a amada história de Natal para ilustrar os princípios do evangelho. No 170º aniversário da publicação do livro, veja outras nove vezes em que os líderes fizeram referência a “Um Conto de Natal”:
A magia do Natal
“Em ‘Um Conto de Natal’, escrito pelo escritor inglês Charles Dickens, o sobrinho de Ebenezer Scrooge capta a magia desta época sagrada do ano. Ele reflete: ‘Sempre pensei na época do Natal, quando acontecia …, como um bom momento; uma época boa, caridosa, agradável e de perdão; era a única vez que eu via, no longo calendário do ano, homens e mulheres parecendo abrir o coração livremente, por consentimento mútuo, e pensar no próximo. E portanto …, embora nunca tenha colocado um pedaço de ouro ou prata no meu bolso, acredito que isso me faz bem e me fará bem; e digo: Deus seja louvado!’
Como pai, e agora como avô, me lembro da magia do Natal ao observar meus filhos, e agora seus filhos, celebrarem o nascimento do Salvador e desfrutarem da companhia um do outro quando nossa família se reúne. Tenho certeza de que você observa, assim como eu, a alegria e a inocência com que as crianças esperam e apreciam essa data especial. Vendo a alegria delas, cada um de nós lembra das felizes comemorações passadas do Natal. Foi Dickens novamente quem observou: ‘É bom ser criança de vez em quando, e nunca é melhor ser criança do que no Natal, quando seu poderoso Fundador foi criança também.’”
— Élder L. Whitney Clayton, Devocional de Natal da Primeira Presidência de dezembro de 2015, “Não temais”
![Uma cópia de “A Christmas Carol” [Conto de Natal] de Charles Dickens, aberta na página de título.](https://pt.thechurchnews.com/resizer/v2/GV54PFSDHZOK4LWVOOKHC7AI5Q.jpg?auth=82f6ec900f1b85979e6f02e4ede2c0462a28e0f9ffa77131c264563cc9994b09&focal=3500%2C2334&width=800&height=533)
“Em ‘Um Conto de Natal’, Jacob Marley está vivendo um pesadelo, preso nas correntes que ‘forjou em vida... elo por elo’. Ele vocaliza seu pesadelo em resposta a um comentário de Scrooge, de que ele sempre foi um bom homem de negócios.
“‘Negócios!’ grita Marley. ‘A busca da fraternidade e do bem comum é que deveria ter sido o meu negócio. A caridade, a misericórdia, a tolerância, a paciência, a bondade, tudo isso era parte do meu negócio e eu não sabia. Meus assuntos financeiros eram apenas uma gota d’água no enorme oceano dos meus negócios! …
“‘Por que nunca ergui os olhos para ver a Estrela Sagrada, que conduziu os Reis Magos à manjedoura humilde? Como, se não houvesse pobres casebres para os quais aquela luz poderia ter me conduzido?’
“Em sua busca por renda, lembre-se, como afirmou Marley, de que a busca pela fraternidade é o seu verdadeiro negócio, e que o Salvador é a sua luz para levá-lo a se tornar um indivíduo de primeiro nível.”
— Élder Lynn G. Robbins, revista Ensign de dezembro de 2013, “Trabalhando e construindo uma vida” [em inglês]
A lei do sacrifício e o homem natural
“No clássico imortal de Charles Dickens, ‘Um Conto de Natal’, Bob Cratchit tinha esperanças de passar o dia de Natal com a família. ‘Se não for incômodo para o senhor, pediu ao patrão, o Sr. Scrooge.
“‘— É incômodo e injusto. Se eu quisesse descontar este dia do seu salário, você acharia errado, não é?
“‘Mas’, disse Scrooge, ‘acha certo que eu lhe pague um dia de salário sem que você trabalhe.’
“O empregado disse que isso acontecia somente uma vez por ano.
“‘Uma desculpa muito esfarrapada para meter a mão no bolso de um homem a cada 25 de dezembro!’ disse Scrooge.
“Para Scrooge, como para qualquer egoísta e qualquer ‘homem natural’, os sacrifícios nunca são convenientes.
“O homem natural tem a tendência de pensar só em si mesmo: não só de colocar a si mesmo em primeiro lugar, mas de raramente, colocar alguém em segundo lugar, nem Deus. Para o homem natural, o sacrifício não é uma coisa natural. Sua sede por mais é insaciável. Parece que suas ditas ‘necessidades’ sempre excedem sua renda, de modo que ‘ter o suficiente’ é sempre uma meta inalcançável, assim como para o avarento Scrooge. …
“Em ‘Um Conto de Natal’, o sr. Scrooge mudou de vida: deixou de ser o que era antes. O ‘evangelho do arrependimento’ também é assim. Se o Espírito nos inspira a ser mais obedientes à lei de sacrifício na vida, comecemos hoje a mudar.”
— Élder Lynn G. Robbins, conferência geral de abril de 2005, “O Dízimo: Um mandamento até para os mais pobres“

Manter o Natal o ano todo
“Nesta época do ano, minha família sabe que vou ler meus livros de Natal preferidos e ponderar sobre as extraordinárias palavras de seus autores. O primeiro será o Evangelho de Lucas, sim, a história do Natal. Então será a vez de ‘Um Conto de Natal’, de Charles Dickens e por fim, ‘A Mansão’, de Henry Van Dyke.
“Sempre tenho que enxugar os olhos ao ler estas inspiradas obras. Elas tocam profundamente minha alma, assim como irão tocar a sua.
“Escreveu Dickens: ‘Sempre pensei na época do Natal, toda vez que ela chega, … como uma época boa: uma época agradável de bondade, perdão e caridade; a única época, segundo me consta, de todo o longo calendário anual, em que homens e mulheres parecem abrir espontânea e liberalmente o coração fechado, e pensar sobre as pessoas menos afortunadas, como verdadeiras companheiras na jornada para a sepultura, e não como uma raça de criaturas à parte, destinadas a outros tipos de caminhos.’
Em seu clássico ‘Um Conto de Natal’, o agora arrependido personagem de Dickens, Ebenezer Scrooge, finalmente declara: ‘Honrarei o Natal em meu coração e lembrar-me-ei dele o ano todo. Viverei no Passado, no Presente e no Futuro. Os Espíritos desses três estarão sempre comigo. Não fecharei meu coração para as mensagens que cada um deles ensina.’”
— Presidente Thomas S. Monson, revista A Liahona de dezembro de 2003, “As dádivas do Natal”
Superar o egoísmo
“Alguns, como Ebenezer Scrooge em ‘Um Conto de Natal’, de Dickens, têm dificuldade em amar alguém, até mesmo a si mesmos, por causa de seu egoísmo. O amor procura dar, em vez de receber. A caridade e a compaixão pelos outros é uma forma de superarmos o excesso de amor próprio.”
— Presidente James E. Faust, revista Liahona de dezembro de 2001, “Um Natal sem presentes” [em inglês]
Ebenezer Scrooge: ‘Não sou mais o homem que era’
“Ao nos lembrarmos de que ‘… quando estais a serviço de vosso próximo estais somente a serviço de vosso Deus’ (Mosias 2:17), não nos veremos na posição do Espírito de Jacob Marley, que falou a Ebenezer Scrooge no clássico imortal de Dickens, ‘Um Conto de Natal’.
“Marley falou com tristeza a respeito das oportunidades perdidas. Disse ele: “Ignorar que para toda alma cristã, por mais humilde que seja a sua trajetória, a vida é demasiadamente curta para todo o bem que poderia fazer. Desconhecer que uma eternidade de lágrimas não pode reparar uma vida de egoísmo! E foi o que fiz! Foi o que fiz!’
“Marley acrescentou: ‘Por que vivi entre os meus irmãos com os olhos baixos, sem tentar erguê-los para o céu, à procura daquela estrela maravilhosa que conduziu os magos à cabana humilde onde nasceu Jesus? Não haveria outras choupanas humildes aonde sua luz pudesse também ter-me conduzido?’
“Felizmente, como sabemos, Ebenezer Scrooge mudou sua vida para melhor. Adoro sua declaração: “Não sou mais o homem que era!’
“Por que a história de ‘Um Conto de Natal’ é tão popular? Por que é sempre atual? Sinto pessoalmente que ela é inspirada por Deus. Ela traz à tona o que há de melhor na natureza humana. Traz esperança. Motiva as pessoas para que mudem. Podemos nos desviar dos caminhos que nos levam para o fundo e, com uma canção no coração, seguir uma estrela e caminhar rumo à luz. Podemos apressar nosso passo, reforçar nossa coragem e aquecer-nos ao sol da verdade. Podemos ouvir mais claramente o riso das criancinhas e secar as lágrimas dos que choram. Podemos consolar o moribundo compartilhando com ele a promessa da vida eterna. Se erguermos as mãos que pendem, se levarmos a paz a uma alma atormentada, se dermos de nós assim como fez o Mestre, poderemos, ao indicar o caminho, nos tornar uma estrela guia para o navegador perdido.”
— Presidente Thomas S. Monson, conferência geral de outubro de 2001, “Agora é o tempo”

Tiny Tim: ‘Que Deus nos abençoe’
“Todos nós amamos o imortal ‘Um Conto de Natal’, de Dickens. É a história do rico e egoísta Ebenezer Scrooge, que é mau e impiedoso no tratamento que dispensa a seu empregado, Bob Cratchit. E então, na noite da véspera de Natal, o falecido parceiro de Scrooge, Jacob Marley, vem visitá-lo com visões do Natal passado, do Natal presente e do Natal futuro. Esta experiência aterrorizante choca tanto Scrooge que, quando ele percebe que foi um sonho, ele fica feliz e muda toda a sua vida. Ele estende a mão para a família Cratchit. A história é um retrato do Espírito de Cristo, que pode mudar completamente a vida dos homens. É uma história de egoísmo sendo substituído pela generosidade. É uma história de despreocupação sendo substituída por profunda preocupação. É uma história de ódio sendo substituído pelo amor. É uma história de doce bênção quando a criança aleijada, o pequeno Tim, grita: ‘Que Deus nos abençoe.’”
— Presidente Gordon B. Hinckley, revista Liahona de dezembro de 1994, “Fazer o bem sempre” [em inglês]
Amor de criança
“Em nossa experiência diária com as crianças, descobrimos que elas são muito perceptivas e, com freqüência, exprimem verdades profundas. Charles Dickens, autor do clássico ‘Um Conto de Natal’, ilustrou isto quando descreveu a humilde família de Bob Cratchit, reunida para uma frugal, porém longamente esperada, ceia de Natal. Bob, o pai, voltava para casa com seu frágil filho, o pequeno Tim, sobre os ombros. O pequeno Tim se apoiava em uma pequena muleta, e suas pernas eram sustentadas por um aparelho de ferro. A esposa de Bob lhe perguntou: “E como o pequeno Tim se comportou?’
ʻComo um menino de ouroʼ, disse Bob, ʻe ainda melhor. Parece que, como passa tanto tempo sentado sozinho, ele fica meditando, e pensa as coisas mais estranhas que você já ouviu. Ele me disse, ao voltarmos para casa, que esperava que as pessoas o tivessem visto na igreja, porque, como ele era aleijado, poderia ser agradável para elas se lembrarem, no dia de Natal, daquele que fez os mendigos coxos andarem, e os cegos enxergaremʼ” (Charles Dickens, ‘Um Conto de Natal’ e ‘Cricket on the Hearth’, Nova York: Grosset e Dunlop, n.d., pp. 50-51).
“O próprio Charles Dickens disse: ‘Amo esta gente pequenina, e não é uma coisa banal quando eles, que vieram há tão pouco tempo de Deus, nos amem.’
“As crianças exprimem seu amor de maneiras originais e inovadoras.”
— Presidente Thomas S. Monson, conferência geral de outubro de 1991, “Crianças preciosas: um dom de Deus”

Espíritos do Natal passado, presente e futuro
“Talvez eu também tenha sido influenciado, assim como incontáveis milhares de outras pessoas, pelas palavras de Charles Dickens, ao escrever aquele clássico imortal, ‘Um Conto de Natal’. Recordamos a resposta habitual de ‘Bah! Que bobagem! que Ebenezer Scrooge dava a qualquer saudação de Natal. Em uma dessas ocasiões, seu alegre sobrinho respondeu: ‘Sempre pensei na época do Natal... como uma época boa; um momento gentil, misericordioso, caridoso e agradável... e eu digo, Deus o abençoe!’
“Então você se lembrará do sonho de Scrooge, quando o Espírito do Natal Passado apareceu e lhe disse: ‘Carrego a corrente que fiz em vida. Fiz cada um destes elos... e por livre vontade os arrasto por toda a parte.’
“Assim, Scrooge se lembrou de sua própria negligência para com seus semelhantes e seu coração começou a amolecer. No momento do aparecimento do Espírito do Natal Presente, ele foi capaz de dizer: ‘Esta noite, se tem algo para me ensinar, me deixe tirar algum proveito disso.’
“Então, quando o Espírito do Natal Futuro apareceu, Scrooge disse: ‘Estou preparado para o que tem a me dizer... com um coração agradecido.’
“Ao lhe ser mostrado o triste destino de alguns que ele não conseguiu ajudar e previu sua própria morte solitária, ele implorou: ‘Garanta-me que ainda posso mudar... [e] honrarei o Natal em meu coração e tentarei mantê-lo durante todo o ano.’
“Ele ficou muito feliz quando acordou e descobriu que ainda estava vivo e tinha tempo para fazer as pazes, o que prontamente se propôs a fazer.
“Que possamos viver de modo que não tenhamos arrependimentos pelos Natais passados. Que nosso Natal presente sejam repletos da alegria que advém do cumprimento dos mandamentos que nosso Senhor e Salvador veio ensinar. Que possamos continuar a aguardar com expectativa a chegada de Natais mais felizes, porque compartilhamos nossas bênçãos com outras pessoas. E que se possa dizer de nós que ‘ele sabia celebrar a reverência do Natal’”.
— Presidente N. Eldon Tanner, revista Liahona de dezembro de 1977, “Lembranças de Natal da Primeira Presidência” [em inglês]
