Depois de ter sido chamado para o Quórum dos Doze Apóstolos, Élder Dallin H. Oaks perguntou a si mesmo: “Pelo resto de sua vida, você será um juiz e advogado que foi chamado para ser um Apóstolo, ou será um Apóstolo que costumava ser um advogado e juiz?”
Ele respondeu à sua pergunta com o seguinte: “Decidi que concentraria meus esforços no que eu havia sido chamado a fazer, não no que eu estava qualificado a fazer. Determinei que, ao invés de tentar moldar meu chamado às minhas credenciais, eu tentaria me moldar ao meu chamado.”
Élder Paul V. Johnson, da Presidência dos Setenta, compartilhou esta história de Élder Oaks, hoje primeiro conselheiro na Primeira Presidência, durante o Seminário para Novos Líderes de Missão de 2023 no sábado, 24 de junho.
“Os líderes de missão podem ter a mesma determinação de se moldarem ao chamado, mesmo que isto signifique perdermos nosso controle sobre as coisas mais familiares e confortáveis para nós.”
Élder Johnson falou para um novo grupo de líderes de missão no Centro de Treinamento Missionário de Provo. Ele discursou ao lado de outros líderes da Igreja e explicou que o poder em um chamado vem da liderança cristã.
Os poderes do céu
Ilustrando de onde vem o poder, Élder Johnson leu Doutrina e Convênios 121:36: “Os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e … os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão.”
Ele compartilhou a experiência de Lorenzo Snow, ao ter dificuldades com um líder quando era um missionário de 26 anos. O líder, embora trabalhador, tinha um espírito de exaltação própria em seu trabalho. Em vez de se alegrar por alguém ter sido levado ao batismo, ele se regozijava por isso ter sido feito sob sua liderança.
Por causa da auto-exaltação deste líder, ele “perdeu o poder de levar o trabalho adiante de maneira adequada”, disse Élder Johnson.
Ele explicou que um caso semelhante de orgulho aconteceu quando Lúcifer se ofereceu para redimir a humanidade: “Eu o farei; portanto, dá-me a [T]ua honra” (Moisés 4:1). Em contraste, o apelo do Salvador foi: “Pai, faça-se a [T]ua vontade e seja [T]ua a glória para sempre” (Moisés 4:2).
Élder Johnson observou: “Nossa capacidade de seguirmos o modelo do Salvador faz toda a diferença em nossa capacidade de cumprirmos nossos chamados, para nos tornarmos semelhantes a Ele e ajudarmos nossos missionários a se tornarem semelhantes a Ele.... Seja qual for o espírito ou motivação que conduz nossos pensamentos e ações, isto determina o que surge dessa motivação.
A visão do mundo sobre o poder
A autoridade do sacerdócio, conforme explicada em Doutrina e Convênios 121:41, deve ser mantida somente com “persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido.”
O mundo, no entanto, não vê essas características como atributos de poder, disse Élder Johnson. Palavras como “domínio”, “compulsão” e “controle” são associadas ao poder.

Mesmo que um líder com estas características seja visto como um líder poderoso, “eles não têm o poder de Deus”, disse Élder Johnson. “... Eles podem produzir conformidade, mas não promovem a conversão. Se há algum progresso real na conversão, ela acontece apesar de qualquer compulsão, mas não por causa dela.”
Ele continuou: “Medo, força, manipulação e domínio injusto não afetarão as mudanças reais que o Senhor deseja ver em Seus missionários.”
Poder da liderança cristã
Com o plano de Deus, em contraste, “não é apenas o comportamento que precisa mudar, mas sim o coração de uma pessoa”, disse Élder Johnson. “Você não muda um coração com coerção. O Senhor muda os corações quando as pessoas vêm a Ele voluntariamente. Essa é uma manifestação de Seu poder.”
Élder Johnson disse que “o domínio injusto não produz crescimento espiritual real, porque isso somente ocorre quando uma pessoa escolhe fazer o que é certo, não quando ela é forçada ou coagida a algum comportamento”. Esta força, disse ele, “pode realmente promover resistência e rebelião, e pode levar à perda da fé.”

Mesmo quando os missionários precisam ser repreendidos, isto pode ser feito com amor. Um ex-presidente de missão disse a Élder Johnson: “Se essas repreensões forem seguidas por um aumento de amor, com o tempo eles reconhecerão que você estava realmente tentando ajudá-los e apreciarão suas conversas difíceis.”
Quando os líderes são motivados pela caridade e pelo amor cristão, disse ele, os frutos de seus esforços são doces.
“Fomos investidos de poder do alto” (Doutrina e Convênios 38:32)”, disse Élder Johnson aos novos líderes de missão, “e precisamos viver de modo que o poder permaneça conosco. Nossos missionários foram investidos com o mesmo poder e, ao recebermos esse poder do alto, eles terão mais chances de viverem para que também possam tê-lo em sua vida.”
