A mente humana pode ter dificuldade em compreender toda a extensão do “infinito.”
Por exemplo, na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32), o irmão mais velho fica desapontado com a generosa resposta do pai ao retorno do irmão mais novo, que havia se desviado do caminho. O irmão mais velho não consegue compreender que a generosidade do pai para com o filho pródigo não diminuirá a sua própria herança; ele não consegue entender que o amor do pai é infinito.
“Só porque conseguimos definir a palavra ‘infinito’... às vezes pensamos que sabemos o que ela significa. Às vezes usamos o termo de forma simplista, fingindo um entendimento que não possuímos”, disse Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos.
Portanto, não é de surpreender que as pessoas nem sempre compreendam o significado da “Expiação infinita e eterna” de Jesus Cristo (Doutrina e Convênios 20:17).
“Aqui, ‘infinito’ não se refere apenas à duração, mas também ao alcance, à profundidade e à suficiência”, disse Élder Renlund, acrescentando: “Portanto, o infinito não é apenas um número muito grande. Ele se manifesta na natureza de Deus. … O infinito não é apenas tempo sem fim, mas também capacidade ilimitada, alcance irrestrito e amor inexaurível.”
Élder Renlund falou sobre a Expiação do Salvador e o conceito de infinito no Instituto Neal A. Maxwell de Estudos Religiosos [em inglês], na terça-feira, 13 de outubro.
A organização, localizada na Universidade Brigham Young em Provo, Utah, é um instituto de pesquisa focado na Religião, principalmente em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Élder Renlund proferiu a palestra anual Neal A. Maxwell do Instituto, em comemoração ao 20º aniversário do instituto e ao falecido Élder Neal A. Maxwell, do Quórum dos Doze Apóstolos.
A Expiação Infinita

Em seus comentários, Élder Renlund fez referência ao profeta Enoque, do Velho Testamento, que teve uma visão de todos os que sofreriam por não terem escolhido Deus. Ao ver isso, Enoque “chorou; e estendeu os braços e dilatou-se-lhe o coração, como a eternidade; e comoveram-se-lhe as entranhas e toda a eternidade tremeu” (Moisés 7:41).
Mas então, Deus mostrou a Enoque uma visão do Salvador, “e sua alma rejubilou-se” (Moisés 7:47).
“Enoque passou de um desespero avassalador a uma alegria irrestrita”, disse Élder Renlund. “Por quê? Ele contemplou o alcance e a abrangência da Expiação de Jesus Cristo. Naquele momento de transição, de uma maneira milagrosa, Enoque não apenas compreendeu a eternidade, mas também entendeu a natureza infinita da Expiação do Salvador.”
E embora a enormidade do poder de Cristo tenha sido revelada a Enoque em escala global, esse mesmo poder pode salvar e consolar todos aqueles que “caem em si” (Lucas 15:17) por meio do arrependimento, disse Élder Renlund.
Ele testificou que todas as circunstâncias estão ao alcance redentor do Salvador. A Expiação de Jesus Cristo, Suas experiências desde o Getsêmani até Sua execução na cruz e Sua gloriosa Ressurreição, permitiram que o Pai Celestial Lhe desse todo o poder “no [C]éu e na [T]erra” (Mateus 28:18).
“Consequentemente, o poder do Messias para salvar e exaltar é profundamente íntimo e infinito, além da compreensão humana”, disse Élder Renlund. “Seu poder é amplo para tudo; há mais do que o suficiente para suprir qualquer lacuna, necessidade ou carência de todos nós.”
‘A misericórdia não é racionada’

Uma vez que alguém chega a conhecer seu Redentor e sente Seu poder infinito para perdoar, curar e compensar, o próximo passo é recorrer mais plenamente a Seu poder, fazendo convênios com Ele, disse Élder Renlund.
Os convênios podem ser uma fonte de alegria diária, continuou ele. E embora atos intencionais de devoção, como oração, estudo das escrituras e guardar os mandamentos, às vezes sejam tratados como “respostas da Primária”, estas ações são fundamentais porque ajudam as pessoas a sentirem uma “admiração palpável” pelo Salvador.
“São essas coisas que nos ajudam a corrigir o rumo e a nos voltarmos para Ele”, disse Élder Renlund. “São as ações que nos ajudam a nos tornarmos Seus discípulos por toda a vida e nos permitem ter Seu Espírito sempre conosco. Essas ações nos ajudam a encontrar e manter uma perspectiva eterna.”
Além disso, os atos de devoção são pessoais, porque ninguém pode fazê-los por outra pessoa; assim como o exercício físico, os atos de devoção são um trabalho individual e geralmente também são privados. Não são meramente itens em uma lista de tarefas, mas sim destinados a ajudar a pessoa a se aproximar de Deus.
Élder Renlund prosseguiu dizendo que um dos frutos da devoção pessoal é o arrependimento diário, voltar-se diariamente para Jesus Cristo.
“A misericórdia não é racionada. A graça não se esgota”, disse Élder Renlund. “Por causa de Jesus Cristo, tudo o que o Pai tem pode ser oferecido.”


