Sessenta anos atrás, Mary Ann Esterling Brady e uma amiga atravessaram os portões da Feira Mundial de 1964-1965, na cidade de Nova York, com mais de 50 milhões de outros visitantes. Para a maioria dos participantes, o tema do evento, “Paz através da compreensão”, era apenas um slogan simpático. Mas para Brady, de 20 anos, não se tratava de uma estratégia de marketing, mas sim de uma promessa. Brady logo aprendeu que, se tivesse olhos para ver e ouvidos para ouvir, poderia de fato encontrar um pouco de paz e compreensão.
Na verdade, ela encontrou ambos.
A edição de 1964-1965 da Feira Mundial contou com 140 pavilhões, 45 exposições corporativas e mais de 100 restaurantes, todos espalhados por 240 hectares do Parque Flushing Meadows, no bairro do Queens. As duas jovens aventureiras de uma pequena cidade da Pensilvânia, tinham apenas um dia na feira e não conseguiriam ver tudo, então pegaram um mapa na entrada e planejaram caminhar rápido.

As amigas não sabiam o que era o pavilhão, mas ficaram intrigadas com o que mais tarde descobriram ser uma réplica da fachada da torre leste do Templo de Salt Lake, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. “Lembro-me de ouvir uma música de coro familiar tocando quando entramos, então presumimos que fosse uma das exposições religiosas, mas ainda não sabíamos qual.”
Logo elas foram convidadas a assistirem a um novo filme chamado “Man’s Search for Happiness” [O homem em busca da felicidade] de 13 minutos, produzido pelo Estúdio Cinematográfico da Universidade Brigham Young para o público no pavilhão da Igreja [em inglês]. Brady achou o filme fascinante pela forma como ele perguntava e respondia às três grandes perguntas da vida: “De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde iremos?”
Brady relembra a sensação de paz ao sentir o que agora sabe ser o Espírito Santo. “Eu sempre acreditei na vida após a morte”, disse ela. “Mas, até aquele momento, eu nunca tinha ouvido falar do conceito de preexistência, mas fez sentido desde o início.”
Ao saírem da exposição, as duas amigas foram convidadas a preencherem um cartão com suas informações de contato. Elas assinaram seus nomes e seguiram adiante. Depois de percorrerem o restante da feira e verem inúmeras outras exposições do mundo todo, o pavilhão da Igreja era apenas uma lembrança.
Mas isso durou pouco tempo.

Uma semana depois, Brady voltou do trabalho e encontrou dois jovens bem-vestidos sentados na varanda, conversando com sua mãe. O primeiro pensamento de Brady? “Presumi que estivessem vendendo panelas e frigideiras”, disse ela, rindo. Naturalmente, os homens eram missionários, e lembraram Brady de que ela e a amiga haviam preenchido e assinado cartões na Feira Mundial.
Os missionários, élderes Liddell e MacLachlan, perguntaram quando poderiam lhe ensinar mais sobre o evangelho de Jesus Cristo. “Eu lhes disse que poderiam voltar, mas que se eu fosse participar desta reunião, minha amiga também participaria.”
Algumas noites depois, os missionários retornaram e não perderam tempo em ensinar Brady e sua amiga sobre a restauração, o Livro de Mórmon e o batismo. Os missionários também fizeram um convite para que elas fossem à Igreja, e ambas aceitaram.

Quando chegou o domingo, elas entraram no Ramo Media, da Estaca Filadélfia Pensilvânia, usando seus melhores chapéus de domingo, e imediatamente se perguntaram o que tinham acabado de fazer. O edifício alugado não se parecia em nada com as igrejas com as quais estavam familiarizadas.
Mas dentro das portas daquele humilde salão sacramental, Brady sentiu algo familiar. Era o mesmo espírito doce de sua experiência em Nova York. “Foi uma demonstração de amizade e amor”, disse ela.
As visitantes se sentiram genuinamente acolhidas, e Brady observou que era bem diferente de suas experiências anteriores em outra igreja quando criança. “A única pessoa que me cumprimentava era o pastor na saída.” Mas naquele memorável primeiro domingo, em um ramo de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cada alma as cumprimentou e convidou a voltarem.
Conforme as lições missionárias continuavam, o interesse e a compreensão de Brady cresciam, mas também a oposição. Sua amiga estava perdendo o interesse, e uma das colegas de trabalho de Brady era particularmente agressiva em desencorajá-la a aprender mais. “Comecei a me sentir como se estivesse em um vício”, disse Brady. “Quando os missionários ou membros falavam comigo, eu me sentia animada e feliz, e então, assim que aquela mulher me ligava, eu me sentia muito incomodada.”
O pai de Brady também estava preocupado e disse à filha que não permitiria futuras visitas dos missionários na casa dos Esterling, a menos que ela se encontrasse com o pastor da igreja batista local. Para a sua surpresa, e certamente de seu pai, o pastor lhe disse que conhecia algumas pessoas muito boas, com sólidos princípios morais, que eram membros da Igreja. Ele disse que, embora não concordasse com algumas doutrinas, se ela acreditava que poderia ter um relacionamento mais próximo com o Salvador se tornando membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, então deveria fazê-lo.
Depois de mais estudo, oração e um jejum a seu favor feito por todos os membros do ramo, Brady foi batizada na Filadélfia em 3 de outubro de 1964.

Dois anos depois, naquela mesma capela, enquanto a decorava para um jantar e baile, Mary Ann Esterling conheceu um jovem fazendeiro de Idaho, que virou marinheiro, chamado Ed Brady. “Não tenho dúvidas de que não fui à Feira Mundial para me divertir, e Ed não entrou para a Marinha para ver o mundo”, disse ela. “O Senhor está tão ciente de nós, tão presente.”
Várias décadas e muitas experiências depois, Ed e Mary Ann Brady foram chamados para servirem como missionários seniores na Missão Canadá Winnipeg, servindo em Regina, Saskatchewan por 18 meses em um pequeno ramo. Era muito diferente do Queens e da Feira Mundial, mas o Espírito era o mesmo.
Hoje, os Bradys moram em Bel Air, Maryland. Eles são pais de três filhos e têm nove netos.
Relembrando sua jornada, Mary Ann Brady sabe que a Feira Mundial de 1964-1965 não se lembrará dela, mas ela sempre se lembrará da feira. Mais importante ainda, ela nunca se esquecerá de sua poderosa promessa de “paz através da compreensão”.
Sim, de fato, ela encontrou ambos.

