Sonasi Po’uha deixou Tonga, sua terra natal, em meados da década de 1970, para começar uma nova vida e criar sua família nos Estados Unidos.

Chegando a Utah em 1976, Po’uha não falava muito inglês, mas amava sua família, sua fé no evangelho de Jesus Cristo era forte, e ele sabia trabalhar.
Seu pai, que fazia bicos e servia regularmente no Templo de Salt Lake, era um exemplo maravilhoso de como ativamente “presidir, atender às necessidades e proteger”, uma referência viva do papel de um pai em “A Família: Proclamação ao Mundo”, de acordo com seu filho, Sione Po’uha, ex-jogador da linha defensiva da Universidade de Utah e da NFL, e atual técnico assistente de futebol americano da BYU [em inglês].
“Crescendo com meu pai, vendo-o presidir, atender às necessidades e proteger os três pilares de um portador do sacerdócio e pai de família, vi seu toque pessoal em cada uma dessas três categorias, e aprendi e me beneficiei de todos estes três papéis. Esta sempre foi minha referência quando se trata da minha família.”
Sione Po’uha prestou homenagem ao pai, compartilhando experiências memoráveis e lições aprendidas, em uma entrevista recente ao Church News.

Sábados no templo
Quando Sione Po’uha completou 12 anos, seu pai começou a acordá-lo aos sábados às 5h30, para realizarem batismos pelos mortos no Templo de Salt Lake.
Inicialmente, o diácono ficou animado. Observara seus pais indo com frequência à casa do Senhor e estava curioso para saber o que faziam lá. Mas, depois de quatro meses, o jovem meio acordado não conseguia parar de pensar em todos os seus amigos que ainda dormiam profundamente nas manhãs de sábado. No entanto, tomar um café da manhã em um buffet em seguida era sempre um grande bônus.
Sonasi Po’uha persistiu, e frequentar o templo nas manhãs de sábado se tornou um hábito para os dois. Sione Po’uha não se lembra de um sábado, dos 12 aos 19 anos, em que seu pai não o tenha levado para realizar batismos pelos mortos.

“Obtive minha própria conexão e relacionamento pessoal com o Pai Celestial”, disse Po’uha, que concordou com um artigo do Deseret News de 2024 [em inglês], sobre um estudo que correlacionou a frequência dos jovens santos dos últimos dias ao templo, com uma melhor saúde mental e fé mais duradoura.
A frequência regular ao templo com o pai, não apenas aprofundou seu relacionamento; ele disse que sentiu mais força espiritual durante os desafiadores anos da adolescência, conforme Presidente Russell M. Nelson prometeu sobre o tempo no templo. Po’uha também encontrou refúgio e aprendeu a apreciar as coisas sagradas.
“A prática de ir ao templo moldou a visão e o foco de muitas coisas que fiz em minha vida”, disse ele. “Houve muitas noites de sexta-feira, talvez, em que eu evitei sair com meus amigos, porque sabia que iria ao templo na manhã seguinte.... Agora, foi apenas uma ida ao templo? Acho que não. Foi com o tempo que começou a surtir efeito.”

Naqueles anos, pai e filho frequentemente se juntavam a outros rapazes e moças da ala. Até hoje, os jovens da Ala Liberty 3 (Tonganês,) da Estaca Salt Lake Utah (Tonganês), realizam batismos regularmente no Templo de Jordan River Utah nas manhãs de sábado, disse Po’uha, desviando o crédito por ter iniciado qualquer tradição.
“O convite do Senhor sempre foi para irmos à Sua casa”, disse ele. “Isso foi algo que um pai de Tonga se sentiu muito inspirado a fazer e disse: ‘Vou praticar a minha versão do que isso significa para mim, para dizer ao meu filho pequeno: vamos ao monte do Senhor, vamos lá com frequência e ver quais são os efeitos.’”
Armários e equipes
De 1998 a 2000, Po’uha serviu na Missão Pensilvânia Pittsburgh.
Ele retornou para jogar futebol americano na Universidade de Utah, onde completou sua carreira de quatro anos como jogador de linha defensiva do primeiro time da conferência All-Mountain West, pelos Utes, o time campeão invicto do Fiesta Bowl em 2004.
Po’uha foi escolhido, na terceira rodada do draft da NFL de 2005, pelo New York Jets e jogou por oito anos na National Football League [Liga Nacional de Futebol – NFL].

Após sua carreira como jogador, Po’uha foi treinador na Academia Naval dos E.U.A. e na Universidade de Utah, antes de ingressar na BYU para a temporada de 2023.
Durante muitos anos, Sonasi Po’uha serviu como oficiante de ordenanças no Templo de Salt Lake. Após falecer de câncer no pâncreas, aos 76 anos, em julho de 2009, seu filho foi convidado a ir ao templo e esvaziar o armário do pai.
Enquanto Po’uha separava os itens de seu pai no simples armário do templo, ele refletiu sobre seus próprios armários sofisticados em vestiários muito respeitados, desde a faculdade até a NFL.

Por outro lado, ele sentiu que seu pai tinha o armário com o time, o time do Senhor, que significa o melhor de uma perspectiva eterna.
“De todos os armários, este é o mais significativo, à sua maneira humilde”, disse ele. “Isso continua a me impactar.”
O legado de um pai
Agora, como marido e pai de família, Po’uha espera dar continuidade ao legado de fé de seu pai, “para continuar a manter o Salvador no centro de nossa vida e viver o evangelho com alegria”, disse ele.
Uma das lições mais importantes que Po’uha aprendeu com seu pai se centralizou no poder do exemplo, o que o lembrou de um pensamento atribuído a São Francisco de Assis, e citado por Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, em abril de 2011: “Pregue o evangelho a toda hora e, se necessário, use palavras.”
“Acho que o mais importante é que eu não ouvia tanto meu pai ensinando, eu me sentia guiado”, disse Po’uha. “Havia muita orientação. Havia muitos exemplos. Sua vida, a maneira como ele a conduzia, falava por si. Para mim, foi muito significativo ver, acompanhar e fazer isso.”


