Recentemente, fui designado para falar em um devocional de uma conferência de jovens no Heber Valley Camp. Senti-me inspirado a falar com eles sobre os desafios que os jovens enfrentam hoje.
Naturalmente, esta lista cresce muito rápido. Mesmo que a vida possa ser difícil e, às vezes, sentirmos que nada está indo bem, se continuarmos a buscar a influência do Senhor, poderemos encontrar milagres ao permanecermos no caminho do convênio.
Quando minha esposa e eu servimos como líderes da Missão Brasil Fortaleza Leste, nosso lema era “Missão de milagres”. Em todas as oportunidades, incentivávamos os missionários a procurarem os muitos milagres que viriam ao seu encontro ao serem obedientes e diligentes. Incentivávamos os missionários a registrarem os milagres por escrito e a compartilharem conosco. Ao longo de três anos, recebemos quase 1.000 histórias escritas sobre milagres que nossos missionários testemunharam.

Uma manhã, enquanto estava a caminho de uma conferência de zona, recebi uma ligação de um dos élderes do escritório. Ele me pediu para passar em uma certa loja e pegar água mineral para os missionários, já que não havia nenhuma disponível no local da reunião. Eu sempre me esforço para chegar cedo às minhas reuniões, e fiquei pensando se teria tempo suficiente. No entanto, com o calor de Fortaleza, a alternativa não era uma opção.
Quando cheguei à loja, estacionei o carro na rua, de onde poderia sair rapidamente. Corri pela rampa até a porta da frente, peguei um carrinho e fui rapidamente até a pilha de garrafas de água. Joguei algumas no carrinho e me apressei até o caixa.
No primeiro corredor em que entrei, havia uma senhora idosa empurrando seu carrinho lentamente pelo meio do corredor. Em vez de forçar minha passagem ao redor dela, eu me virei e fui para o próximo corredor. Havia uma empilhadeira naquele corredor que tornava a passagem impossível. Então, inverti o curso e tentei o próximo corredor.
Enquanto eu corria por aquele corredor, pude ver as caixas registradoras à minha frente; no entanto, todas, exceto uma, tinham uma longa fila. Pouco antes de chegar à única caixa disponível, a simpática senhora idosa que inicialmente bloqueou meu caminho, entrou na minha frente. Fui forçado a esperar em outra fila, pois o carrinho dela estava cheio.
Eu escolhi uma caixa que estava ajudando um homem a comprar itens básicos, mas o cartão dele não estava funcionando. Ele pediu paciência enquanto tentava resolver o problema por telefone. Após alguns minutos sem resolução, minha impaciência aumentou. Perguntei à caixa o valor total, e ao saber que era cerca de $25, ofereci-me a pagá-lo junto com minha água. O senhor ficou surpreso e genuinamente agradecido, me agradecendo enquanto acenei com a cabeça.

Depois de entregar o dinheiro em espécie à caixa, ela saiu para buscar troco. Eu a chamei, explicando que não precisava de troco: apenas queria comprar a água, pois estava atrasado.
Depois de finalmente pagar pela água, a mesma senhora idosa que me atrasou duas vezes antes, bloqueou meu caminho com seu carrinho enquanto eu estava saindo da loja. Incapaz de passar na calçada estreita, eu a segui lentamente até meu carro.
Após carregar a água, eu estava pronto para sair, mas dois carros esperando pela minha vaga bloquearam minha saída. Tive que pedir a um dos motoristas que se movesse para que eu pudesse sair.
Nem é preciso dizer que cheguei tarde à conferência de zona e estava muito frustrado. Tentando justificar meu atraso, contei toda a história aos missionários. Eles riram da história e da minha evidente frustração.
Mais tarde, durante o almoço, eu ainda estava expressando minha frustração com as circunstâncias, quando uma de nossas missionárias, a síster Kiane Matzenbacher, de Florianópolis, Brasil, disse: “Mas, presidente, o senhor está sempre nos ensinando a procurar por milagres ao nosso redor. Não acha que talvez o senhor tenha sido o milagre hoje para aquele homem que não podia comprar comida para sua família?”
Ela estava certa. Fiquei humildemente grato e expressei minha gratidão à “aluna” que ensinou ao “professor” uma lição importante.
Às vezes, ficamos tão presos em nossas próprias circunstâncias difíceis ou preocupações, que não vemos os milagres acontecendo ao nosso redor. Eles estão lá, e ao nos esquecermos de nós mesmos, podemos vê-los.
— O irmão J. Scott Nixon é membro do conselho consultivo geral dos Rapazes.
