Nota do editor: Nesta primeira parte de uma série de duas partes, o Church News analisa os novos hinos vindos de outras tradições cristãs. A segunda parte trará a lista destes novos hinos, apresentados pelo Coro do Tabernáculo na Praça do Templo.
Enquanto líderes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e do Comitê do Hinário têm trabalhado no novo hinário global, “Hinos — Para o Lar e para a Igreja”, eles consideraram cuidadosamente muitas seleções, incluindo hinos existentes de outras tradições cristãs, e hinos e canções dos atuais hinários da Igreja em idiomas além do inglês.
Abaixo está uma lista de alguns destes “hinos emprestados”, que podem ser novos para algumas pessoas, mas familiares para outras.
Cada um dos 48 hinos lançados até agora possui contexto, sugestões de estudo, referências das escrituras e outros recursos listados na seção “Sobre os Hinos” [em inglês], da Biblioteca do Evangelho. Estes capítulos também estão vinculados na parte inferior da visualização de “letras”, das páginas digitais dos hinos, nos aplicativos Biblioteca do Evangelho, Biblioteca de Música ou Música da Igreja.
‘O Amor de Deus’
“O amor de Deus” foi escrito por Karolina Wilhelmina “Lina” Sandell-Berg, da Suécia, em 1865.
Quando criança, Sandell-Berg lutou contra uma doença grave e prolongada. Então, aos 25 anos, ela viu seu pai ser arrastado de um barco para o mar. Mas, ao longo da vida, ela expressou sua fé na bondade de Deus escrevendo mais de 600 hinos, explica o capítulo sobre este hino [em inglês].

Ela teve a ideia para este hino depois de ler um conto sobre o pêndulo de um relógio que enfrentava sua tarefa infinita se concentrando em apenas um tique-taque de cada vez. O título em sueco é “Blott en dag” (“Apenas um dia”).
Em 1872, o amigo de Sandell-Berg, o compositor sueco Oscar Ahnfelt, musicou a letra, e a canção se tornou querida em toda a Suécia. Esta canção também está incluída no hinário sueco da Igreja desde 1993.
‘Muitas bênçãos recebo’
Sandell-Berg também escreveu “Muitas bênçãos recebo” ou “Jag kan icke räkna dem alla”, como é chamado em sueco. Ele também está no hinário sueco da Igreja desde 1993.
Este hino foi originalmente um poema escrito em 1880, inspirado em uma ilustração de um livro infantil, de um menino trabalhando intensamente no que parece ser um problema de matemática em uma lousa.
Sandell-Berg percebeu que algumas coisas não podem ser pesadas, medidas ou contadas, ou seja, as provas da bondade de Deus em todos os lugares, explica o capítulo [em inglês] sobre este hino.
O organista sueco Albert Lindström, musicou o texto do poema em 1889.
‘Consagro meu coração em retidão’
“Consagro meu coração em retidão” foi escrita por Frances Ridley Havergal, a filha profundamente religiosa de um pastor e compositor britânico.
Ela escreveu o texto um ano depois de hospedar-se com amigos em dezembro de 1873. Havergal orou por todos eles durante sua estadia e ficou feliz em ver cada um deles se aproximar de Deus.
Por causa dessa experiência, as palavras deste hino “se formaram e ressoaram em [seu] coração”, diz o capítulo [em inglês] na seção “Sobre os Hinos”.
Por fim, o poema foi combinado com uma música composta décadas antes pelo ministro suíço César Malan.
‘Tenho uma luz em mim’

“Tenho uma luz em mim” é um hino espiritual afro-americano do século XIX. O capítulo deste hino [em inglês] afirma que a canção surgiu de tradições orais no sul dos Estados Unidos, antes da abolição da escravidão em 1865.
Francis A. Clark publicou uma versão inicial da canção. “Desde a mais tenra infância, ouvia [esta e outras] canções, cantadas pelos mais velhos (que foram escravizados durante toda a vida...) enquanto se reuniam, quase todas as noites, em nossa casa e nas casas de nossos parentes e amigos”, disse ele.
Mais tarde, Clark escreveu algumas dessas canções de memória e as publicou em 1937.
“Tenho uma luz em mim” foi cantada em eventos da Igreja, como o Festival de Música da Igreja de 2023 [em inglês], e também foi apresentada em um evento “De Amigo para Amigo”, em setembro de 2023.
‘Vou viver para a Deus servir’
“Vou viver para a Deus servir” também é uma canção espiritual afro-americana e acredita-se que tenha sido transmitida pela tradição oral entre os povos da África Ocidental e Central escravizados nos Estados Unidos.
A primeira gravação conhecida de “Vou viver para a Deus servir” apareceu em 1928 [em inglês], cantada por Blind Benny Paris e sua esposa, Pauline.
A música foi cantada por um coro de crianças na transmissão do evento “De Amigo para Amigo” de novembro de 2022.

O capítulo sobre este hino [em inglês]destaca que as palavras recorrentes “Vou viver”, “Vou lutar”, “Vou orar” e “Vou cantar” incentivam a crença ativa.
‘Ó, vinde, ouvi a voz divina’
O autor e compositor Frans Heijdemann, um talentoso organista, maestro e tradutor da Holanda, escreveu “Ó, vinde, ouvi a voz divina” em 1992, para o hinário holandês da Igreja.
A canção foi originalmente intitulada “Luister naar het woord des Heren” ou “Ouvi a palavra do Senhor”, diz o capítulo sobre este hino [em inglês].
Heijdemann trabalhou na área de publicações da Igreja por muitos anos, onde trabalhou no hinário holandês (Lofzangen) e no hinário de músicas para crianças (Kinderliedjes) na década de 1990. Ele também foi editor da edição holandesa da revista Liahona. Ele faleceu em junho de 2015 [em holandês].

‘O meu Senhor é meu Pastor’
“O meu Senhor é meu Pastor” pode trazer à mente “O Senhor Meu Pastor É”, que está na edição de 1985 do hinário da Igreja, já que ambos são baseados no Salmo 23.
Mas “O meu Senhor é meu Pastor” foi publicado antes do outro, em 1650, em uma coletânea de salmos conhecida como Saltério Escocês. “Hinos — Para o Lar e para a Igreja” marca a primeira vez que “O meu Senhor é meu Pastor” foi publicado pela Igreja.
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, o compositor e pastor escocês James Leith Macbeth Bain, quis oferecer consolo a outras pessoas por meio da mensagem de “O meu Senhor é meu Pastor”, que ele havia lido na infância no Saltério Escocês. Ele compôs música para o texto, e a melodia ficou conhecida como “A canção do irmão James” em sua homenagem, explica o capítulo sobre este hino [em inglês].
‘O menino Jesus nasceu’
Tanto o texto quanto a melodia do hino “O menino Jesus nasceu” são originários da França e datam do século XIX. O título em francês é “Il est né le divin Enfant” e é um dos hinos de Natal mais populares da França. Foi incluído nos hinários da Igreja em francês e taitiano, conforme explicado no capítulo sobre este hino [em inglês].

Depois que os anjos anunciaram aos pastores que o Salvador havia nascido, os pastores foram ver pessoalmente o menino Jesus. Então, “divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita. E todos os que os ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam” (Lucas 2:17-18).
‘Você viu?’
“Você viu?” é um hino de Páscoa que pertence à tradição de canções espirituais afro-americanas e data do século XIX.
O capítulo sobre este hino [em inglês]explica que os escravizados nos Estados Unidos transmitiram esta canção oralmente com muitas variações. Em 1940, ele se tornou o primeiro hino espiritual afro-americano a ser incluído em um grande hinário americano. A Igreja posteriormente o publicou na coletânea de 1968, “M.I.A. Let’s Sing, No. 2”.
O Coro Masculino da Universidade Brigham Young cantou um arranjo em maio de 2024 [em inglês], e um coro combinado da Universidade Brigham Young cantou a música na conferência geral de abril de 2025 [em inglês].

