Nota do editor: Esta é a primeira de uma série de três partes do programa “Living Record: A Church News Documentary Series” [Registro Vivo: Uma série documental do Church News – em inglês], exibido no canal BYUtv, intitulada “Harvest of Faith” [Colheita de Fé]. A parte 1 apresenta as fazendas de bem-estar. A parte 2 examina as instalações de bem-estar de processamento e distribuição de alimentos, pertencentes e operadas por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A parte 3 se concentra na AgReserves, o braço comercial da Farmland Reserve, uma afiliada de investimentos da Igreja.
Em 1936, durante a Grande Depressão, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias criou seu programa de bem-estar para cuidar dos membros necessitados da Igreja e fortalecer sua capacidade de se tornarem autossuficientes.
Hoje, os esforços de bem-estar da Igreja ajudam pessoas de todas as crenças, ou mesmo sem nenhuma crença, em todo o mundo.
Bispo L. Todd Budge, primeiro conselheiro do Bispado Presidente da Igreja, disse que o programa de bem-estar da Igreja é fundamentado nos princípios do trabalho, da dignidade, da autossuficiência e do desejo de seguir os dois grandes mandamentos: amar a Deus e amar ao próximo.
“Sempre temos excedentes, e esses excedentes são destinados a bancos de alimentos em todos os Estados Unidos, para servir a todos os filhos de Deus”, disse o Bispo Budge.

O sistema inclui pomares, vinhedos, criação de gado e outras atividades agrícolas. As plantações incluem feijão-verde, milho-verde, pêssegos, peras, maçãs, trigo, beterraba sacarina, batatas, uvas e amendoim.
Blaine Maxfield, diretor administrativo dos Serviços de Bem-Estar e Autossuficiência da Igreja, disse que há cerca de duas dúzias de fazendas de bem-estar, a maioria delas na região oeste dos Estados Unidos.
“Temos um número muito limitado de funcionários que trabalham diretamente nas fazendas, e isso tem um motivo específico. O motivo é que queremos oferecer oportunidades para aqueles que prestam serviço”, disse Maxfield.
Voluntários e missionários plantam, cultivam e colhem os alimentos. E, nesse processo, eles se aproximam de Jesus Cristo.
“Acredito que tão importantes quanto os alimentos que produzimos em nossas fazendas são as vidas que estamos transformando”, disse Maxfield. “Essa é a lei da colheita, talvez a verdadeira lei da colheita no que diz respeito às fazendas de bem-estar e autossuficiência.”
Bispo Budge afirmou que depender de trabalho voluntário apresenta desafios. Às vezes, as pessoas cumprem suas tarefas; outras vezes não. Às vezes, elas têm as habilidades necessárias, outras vezes, não. Mas, segundo ele, vale muito a pena.
“Trata-se menos de produtividade e mais da transformação das almas”, disse ele.
A seguir, apresentamos exemplos de experiências vividas ao longo de um ano em algumas das fazendas de bem-estar da Igreja.
Outono: Fazenda de Culturas Taylorview
Em um dia de colheita no outono da Fazenda de Culturas Taylorview, na cidade de Idaho Falls, estado de Idaho, os trabalhadores começaram logo cedo com uma oração e treinamento sobre o que fazer.
Em pouco tempo, milhares de batatas empoeiradas despencavam por uma esteira transportadora, passando de uma máquina para a outra.

O gerente, David Nielson, disse que 121 hectares de batatas equivalem a cerca de 5 mil toneladas de batatas frescas por ano, que saem desta fazenda de bem-estar e são distribuídas aos necessitados.
“Embalamos e enviamos muitas de nossas batatas para bancos de alimentos comunitários”, disse ele.
Naquele dia, houve uma falha de comunicação e, no início do turno, não havia voluntários. Após alguns telefonemas, 20 voluntários vieram de uma estaca vizinha para ajudar na colheita.
Ao final do turno, havia dificuldade em encontrar tarefas suficientes para todos os que queriam servir.
“Eu acredito que Deus ainda opera milagres, e Ele opera milagres através dos voluntários que vêm a esta fazenda”, disse Nielson.
Três homens que servem regularmente na fazenda são missionários de serviço da Igreja e amigos de longa data: Don Stevens, Roger Christensen e Lynn Jorgensen. Élder Stevens foi o primeiro a receber o chamado de seu presidente de estaca e perguntou se dois de seus amigos também poderiam servir.

Agora, eles embalam batatas nas três primeiras quartas-feiras de cada mês, durante todo o ano. E a colheita “dura praticamente uma semana e meia, com jornadas de trabalho de 12 horas”, disse o élder Stevens.Agora, eles embalam batatas nas três primeiras quartas-feiras de cada mês, durante todo o ano.
Eles estão em seu terceiro ano de serviço. Toda vez que se reúnem, disse o élder Christensen, “levamos o trabalho a sério, mas não a nós mesmos.”
A esposa e a filha do élder Jorgensen faleceram alguns meses antes dele receber o chamado para servir, e ele admite que não estava entusiasmado com isso. Ele só queria ficar em casa.

“Acho que, no geral, o Senhor sabia do que eu precisava. Ele me deu uma direção”, disse ele. “Passamos por altos e baixos. A esposa de Don também faleceu. O filho de Roger, que não sabíamos se sobreviveria a uma doença, sobreviveu, mas, mesmo assim, permanecemos unidos.”
Élder Stevens disse: “O serviço me ensinou a não pensar apenas em mim. Mesmo quando me sinto muito mal, venho, sirvo e me sinto um pouco melhor. Então, o serviço realmente me salvou e me permitiu sobreviver.”
Élder Christensen disse que eles sabem que seu trabalho é seguir os ensinamentos do Salvador de amar uns aos outros.

Nielson explicou melhor: “Se o Salvador estivesse aqui, Ele estaria cultivando batatas para as pessoas necessitadas. Como Ele não está aqui, nós é que temos que fazer isso.”
Inverno: Vinhedo de Bem-Estar Madera Raisin
Em um dia de inverno em Madera, Califórnia, Jamie Hansen e Kenneth Moore trabalhavam na inspeção das vinhas do Vinhedo de Bem-Estar Madera Raisin. Hansen é o gerente da fazenda e Moore o gerente assistente.
O vinhedo foi plantado em 1949 e a Igreja o comprou em 1962, disse Hansen. “São 32,3 hectares. Já produzimos mais de 200 toneladas de uvas-passas.”

As uvas-passas são destinadas tanto ao programa de bem-estar da Igreja quanto às iniciativas humanitárias. Hansen afirmou que, na maioria dos anos, a fazenda registra entre 30.000 e 35.000 horas de trabalho voluntário.
“Nossa fazenda existe para fornecer uvas-passas, mas mais do que qualquer quantidade de uvas ou uvas-passas que seja colhida aqui, esta fazenda serve para nos ajudar a aprender”, disse ele.
Hansen conhece Moore desde que ele era menino e o viu enfrentando dificuldades enquanto crescia.
Moore se afastou da Igreja e de sua família aos 17 anos. “Passei 30 anos em um mundo muito diferente do que vivo agora”, disse ele.

Em dezembro de 2011, o filho de Moore, de 16 anos, foi assassinado em Fresno, na Califórnia.
“Eu estava perdido. Nada mais importava”, disse Moore. Ele mergulhou no abuso de drogas e, em seguida, protagonizou uma perseguição policial que resultou em um acidente, uma longa internação hospitalar e, posteriormente, prisão.
Quando foi libertado da prisão, perguntou à mãe o que fazer. Seu conselho foi orar. Ele voltou a frequentar a Igreja e lá encontrou Hansen. Uma coisa levou à outra e agora ele trabalha na vinha.

Naquele dia de inverno entre as vinhas, Moore apontou os paralelos com a sua própria vida.
“Hoje, este lugar parece bastante sem vida. Começa com quase nada, que é o que este vinhedo é agora. Quase nada. Mas cresce e se transforma em algo magnífico”, disse ele. “Quando voltei para casa no ano passado, voltei sem absolutamente nada. A fazenda me curou fisicamente e tem sido uma grande parte da minha cura emocional.”
Bispo Budge disse que, muitas vezes, quando as pessoas estão no fundo do poço ou as coisas não vão bem,elas sentem uma profunda falta de esperança. “Mas quando elas saem, colocam a mão na massa e trabalham lado a lado com outras pessoas; isso as transforma.”
Moore disse: “Vivo minha vida todos os dias, todos os dias, para que meu filho se orgulhe de mim do outro lado do véu.”
Primavera: Pomar de pêssegos de North Ogden
Em um dia de abril, fileiras e mais fileiras de pessegueiros estavam cobertas de minúsculas flores rosadas no pomar de pêssegos de North Ogden, em Pleasant View, Utah.

Voluntários das estacas locais e jovens missionários de serviço estavam lá para podarem e desbastarem as árvores conforme necessário.
Bruce Liston, gerente da fazenda, disse que os pêssegos colhidos nesta fazenda de bem-estar são enviados para a fábrica de conservas em Boise, Idaho, e depois distribuídos para bancos de alimentos em todos os Estados Unidos, para alimentar quem precisa.
A primavera é uma época crucial para todos os fruticultores. É quando as árvores começam a florescer, mas as flores são extremamente vulneráveis à geada. O mau tempo pode matar ou limitar a colheita potencial, disse Liston.
Certo ano, a temperatura caiu e a neve cobriu todas as árvores. Liston percorreu o pomar de trator para ver se conseguia remover a neve das árvores antes que congelasse.
“Mas cheguei tarde demais”, recordou ele. “Fui e examinei todo o pomar. As flores estavam cobertas de gelo. Era morte certa. Pensei: ‘Perdi a colheita este ano’, e isso dói muito por dentro.”

Ele teve que esperar até o degelo e o fim da floração para ver se haveria colheita naquele ano.
“O pomar começou a ficar mais forte, mais saudável e mais cheio. E foi preciso desbastar a árvore inteira. Havia tanta fruta naquela árvore. Não foi uma pequena colheita; foi uma colheita farta. Eu não conseguia acreditar.”
Ele sabe que foi com a ajuda do Senhor naquele ano e diz que vê a mão do Senhor quase diariamente no pomar.
“Eu vejo o desabrochar acontecer e as pessoas mudarem, e você sabe que o Senhor deve nos ver desta forma. Começamos como uma pequena flor e, com sorte, nos tornamos frutos maduros.”
Maxfield disse que as fazendas de bem-estar da Igreja enfrentam os mesmos desafios que qualquer outra fazenda. Há coisas que os agricultores não podem controlar, como o clima, os preços dos produtos ou problemas com a mão de obra.
“É a lei da colheita, que vemos não apenas como o alimento que temos que vem das fazendas, mas também como a forma como transformamos as pessoas, levando-as a se concentrarem no cuidado com os necessitados”, disse Maxfield.
Verão: Fazenda de Feijão-Verde e Milho em Layton
Na Fazenda de Feijão-Verde e Milho da Igreja em Layton, Utah, são cultivados vegetais em uma área de 485 hectares. O verão é uma época de verde até onde a vista alcança.

Glenn Ross é voluntário na fazenda.
“Este ano, acho que já produzimos 1,24 milhão de latas de feijão e acredito que vamos ultrapassar os 2 milhões de latas de milho”, disse ele.
A fazenda conta com muita mão de obra voluntária e não apenas de membros da Igreja. Muitos da comunidade perguntam se podem ajudar. Ross disse que já viu até 500 pessoas capinando em até três ou quatro campos ao mesmo tempo.
“Temos homens, mulheres e crianças, e eles estão lá no campo rindo e se divertindo”, disse ele. “Eu os vi cavando valas a 38 graus Celsius e penso: ‘Por que eles estão fazendo isso?’ Acho que as pessoas o fazem porque sabem para onde vai a produção. Isso lhes ensina um aspecto do serviço que geralmente não se aprende.” Isso lhes ensina um aspecto de serviço que normalmente não se obtém.”

Por meio desse trabalho, Ross disse que sabe que o Senhor cuida das pessoas. As pessoas precisam de milho e feijão e estão esperando e orando por isso.
Maxfield disse que a Igreja poderia comprar coisas e, muitas vezes, o faz, mas as fazendas de bem-estar demonstram o princípio da autossuficiência.
E o Bispo Budge disse que servir é a maneira de expressarmos amor a Deus e ao próximo.
“Esses princípios espirituais se tornam muito tangíveis quando você está trabalhando na fazenda de bem-estar”, disse ele. “Há um elemento de sacrifício e de amor na oferta, e as pessoas sentem isso; ele transparece.”
Outono: Fazenda de Amendoim Pearsall em Pearsall, Texas
Mike Hurst, gerente da Fazenda de Amendoim Pearsall em Pearsall, Texas, tem um truque à moda antiga para verificar a umidade do amendoim.

Ele abre a casca e pressiona o amendoim contra algopor um para ver se gruda. Em um dia de outono, no campo, ele estava fazendo esse teste, pressionando amendoins descascados contra a barra do trator.
“Se grudarem, estão bem úmidos. Se se desfizerem, estão secos”, disse Hurst. Pareciam secos o suficiente naquele dia, mas ele também verificou a umidade “do jeito certo”, levando uma amostra até a cidade, onde os amendoins foram descascados e depois passados por uma máquina ou por um medidor de umidade de grãos para obter uma leitura.
A leitura indicou o nível de umidade ideal: os amendoins estavam prontos para serem triturados.
“Os amendoins que cultivamos são vendidos imediatamente no mercado”, disse Hurst. “A venda desses amendoins compensa o custo de compra à fábrica de conservas de bem-estar, que os mói e os transforma em manteiga de amendoim.”

Cerca de 200 hectares são destinados ao cultivo de amendoim, e outros hectares são arrendados, visto que a fazenda pratica rotação de culturas e boas práticas de manejo do solo. A produção anual da fazenda é tipicamente de 680 a 725 toneladas de amendoim.
Hurst afirmou que a forma como as fazendas de bem-estar são administradas é diferente da forma como uma corporação é administrada.
“Nossos orçamentos vêm de fundos sagrados, então nos preocupamos com isso, mas não é disso que falamos. Não são as conversas corporativas em que tudo gira em torno do lucro, de como aumentar as vendas e cortar custos. Falamos sobre pessoas. Estamos fazendo tudo o que podemos para ajudar a aliviar a fome das pessoas”, disse ele.
Gerir todos esses hectares é um trabalho árduo, mas Hurst sente como se estivesse em uma missão, disse ele, e é o melhor trabalho que poderia imaginar. “Acredito sinceramente que o sistema de fazendas de bem-estar está funcionando algocomo o Salvador deseja.”

Maxfield disse que tudo o que é feito neste programa visa abençoar outras pessoas.
“Aquela pessoa necessitada que recebe a manteiga de amendoim, os pêssegos ou o milho, de alguma forma, em seu momento de necessidade, reconhece que o céu a vê, que seu Pai Celestial está ciente dela.”
Bispo Budge disse que o propósito das fazendas de bem-estar é levar as pessoas a Jesus Cristo. E isso só pode ser feito ao viver o evangelho de Jesus Cristo.
“Estas não são fazendas apenas para gerarem lucro ou produzirem alimentos; são fazendas que transformam a vida das pessoas.”
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