MANÁGUA, Nicarágua — Em 9 de abril de 1990, perto de uma cratera vulcânica, a sudeste de Manágua, dois apóstolos e 26 membros locais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se reuniram para uma oração voltada ao futuro da Igreja na Nicarágua.
Falando em espanhol, Élder Richard G. Scott, acompanhado pelo então Élder Russell M. Nelson, ambos do Quórum dos Doze Apóstolos, ofereceu uma oração pela Nicarágua, suplicando ao Senhor pelo estabelecimento de Sião, “para que as ordenanças de salvação estejam disponíveis aos justos deste país.”
Ele também orou para que, “no devido tempo, todas as promessas que foram declaradas por Teus santos profetas ao longo dos séculos, por ordem de Teu Filho, possam se cumprir nesta nação”, informou o Church News [em inglês].
Mais de 36 anos depois, a dedicação da primeira casa do Senhor na Nicarágua marcará o cumprimento dessa oração, trazendo as ordenanças do templo para o país da América Central.
Élder Ronald A. Rasband, do Quórum dos Doze Apóstolos, dedicará o Templo de Manágua Nicarágua no domingo, 18 de outubro. A sessão dedicatória será transmitida a todas as unidades do distrito do templo.
Um templo na Nicarágua
Durante décadas, os santos dos últimos dias nicaraguenses viajaram para Honduras, Guatemala, México, e até mesmo para os Estados Unidos, para frequentarem um templo, jornadas estas marcadas por fé, sacrifício e profunda devoção.
Agora eles terão seu próprio templo.
Quando o Templo de Manágua Nicarágua, o primeiro do país, abriu suas portas para a imprensa em 7 de setembro, Élder Patricio M. Giuffra, Setenta Autoridade Geral e presidente da Área América Central da Igreja, descreveu o significado desse marco, conforme relatado pela Sala de Imprensa da Igreja em espanhol.

“Para milhares de membros nicaraguenses de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a conclusão deste templo representa muito mais do que um evento histórico”, disse Élder Giuffra. “Significa ter uma casa do Senhor em seu próprio país, um lugar sagrado onde podem fortalecer sua fé e participar com mais frequência das bênçãos recebidas no templo.”
Élder Taylor G. Godoy, também Setenta Autoridade Geral e diretor executivo assistente do Departamento de Templos, disse que os templos ajudam as pessoas a se aproximarem do Salvador e a fortalecerem sua fé, além de encontrarem paz e esperança. Uma das bênçãos mais significativas é a promessa de que as famílias podem permanecer unidas por toda a eternidade.
“Os templos são os lugares mais sagrados da Terra”, disse Élder Godoy. “Eles são literalmente a casa do Senhor Jesus Cristo, onde podemos fazer convênios para nos aproximarmos mais de Deus e de Jesus Cristo.”

María Isabel Jirón, uma santo dos últimos dias na Nicarágua, disse que o templo tem sido uma fonte constante de inspiração em sua vida, guiando suas decisões sobre sua família, sua profissão e sua fé em Jesus Cristo.
A construção do templo de Manágua, disse ela aos jornalistas, representa uma grande bênção para toda a Nicarágua, aproximando as famílias de um lugar de paz, esperança e propósito eterno.
‘Muito importante para mim’
A irmã Reyna I. Aburto, que serviu como segunda conselheira na presidência geral da Sociedade de Socorro de abril de 2017 a agosto de 2022, nasceu em Manágua em 1963.

Ela tinha 9 anos quando um terremoto devastador atingiu Manágua em 22 de dezembro de 1972, fazendo desabar a casa de adobe de sua família enquanto dormiam. Ela ficou presa na cama, salva apenas por uma viga do telhado que se alojou contra um móvel pesado, criando um espaço ao seu redor. Seus pais e sua irmã mais nova sobreviveram, mas seu irmão de 10 anos faleceu.
Com o aumento da violência política e civil na Nicarágua, a irmã Aburto se mudou para os Estados Unidos aos 21 anos, onde, mais tarde, se filiou à Igreja e formou família. Atualmente, ela serve como instrutora do Instituto [em inglês] e como coordenadora de espanhol no Instituto de Religião de Utah Valley, em Orem, Utah.
“Como vocês podem imaginar, isso é muito importante para mim”, disse ela, falando sobre a dedicação do templo na Nicarágua. “No templo, podemos nos sentir mais próximos de nosso Pai Celestial e do Salvador, e podemos sentir Sua paz ali, e receber força, a força que nos ajuda em nosso dia a dia. … Quanto mais nos esforçamos para estar mais próximos de nosso Pai Celestial e de nosso Salvador, mais Eles podem abençoar nossa vida, nos dando Sua paz, luz e orientação.”
A irmã Aburto disse acreditar que a adoração no templo torna as pessoas melhores cônjuges, pais, filhos, irmãos e vizinhos.
“Podemos receber essa força de Deus e sermos capazes de nos relacionar com outras pessoas de uma maneira mais semelhante à de Cristo”, disse ela.
“Os membros da Igreja na Nicarágua têm sido muito fiéis em sua participação na Igreja e em se esforçarem para serem os melhores discípulos de Cristo que podem ser. Para mim, isso é algo maravilhoso: saber que eles terão acesso a essas bênçãos e que mais pessoas na Nicarágua terão acesso a um templo bem ali, em seu meio, pode ser de grande ajuda para eles em seus caminhos na vida.”
‘Quando voltaremos?’
Às 22h de terça-feira, 15 de setembro, missionários e 20 membros do Ramo Nueva Guinea, em Nueva Guinea, Nicarágua, embarcaram em um ônibus para uma viagem de seis horas até Manágua, a fim de visitar o novo templo. Este foi um dos muitos ônibus que trouxeram centenas de membros e amigos da Igreja de longas distâncias para participarem da casa aberta do templo, realizada de 10 a 26 de setembro.
Liderando o grupo estava o presidente do ramo, Jose Rivas, que se filiou à Igreja há oito anos e estava servindo em seu chamado há apenas alguns meses. Ele estava acompanhado de sua esposa e filhos.

Entre os membros, havia três mulheres idosas. Antes da organização do ramo, uma delas viajava por três horas de ônibus todos os domingos para participar das reuniões. As outras duas já haviam viajado mais de 570 quilômetros, uma viagem de ônibus de 8 a 10 horas, para receberem sua investidura no Templo de Tegucigalpa Honduras [em inglês].
Os demais eram recém-conversos.
Antes da viagem, os missionários realizaram uma atividade para ajudar os membros a se prepararem para a casa aberta. Juntos, eles viram fotos das salas do templo e conversaram sobre as ordenanças realizadas ali. Os missionários também explicaram o propósito do trabalho de história da família e ajudaram os membros a preencherem árvores genealógicas.

O ônibus chegou a Manágua por volta das 4h da manhã. Algumas horas depois do tour, os participantes comentaram sobre a beleza do templo e a paz que sentiram na sala celestial. A pergunta que mais ouviam era: “Quando voltaremos?”. Duas moças do grupo já sonhavam em se casar lá.
O presidente Rivas descreveu a experiência como “muito emocionante”. Pessoalmente, ele mal pode esperar para retornar com sua família para serem selados.
“Visitar o templo me ajudou a perceber o quanto nosso Pai Celestial nos ama. Senti a paz que se encontra nos lugares sagrados. Isso fortaleceu minha fé em Jesus Cristo e em Seu evangelho”, disse ele. “Sei que posso ser selado à minha família por toda a eternidade e que as gerações futuras poderão desfrutar das bênçãos do templo e fazer convênios com nosso Pai Celestial.”

Para Dariana Martinez, de 22 anos, visitar o templo de Manágua trouxe uma compreensão pessoal da paz que os missionários haviam descrito, enquanto lhe ensinavam o evangelho. Ao ver o templo iluminado na escuridão do início da manhã, ela sentiu “uma alegria indescritível, como se estivesse chegando a um lugar onde sempre quis estar.”
Essa sensação espiritual se intensificou na sala celestial. “Para mim, foi como receber um abraço do Pai Celestial e me sentir perto Dele”, disse ela.
A visita ao templo e o aprendizado sobre as ordenanças fortaleceram sua fé em Jesus Cristo e sua esperança de uma família eterna. “Também compreendi que, graças a Jesus Cristo, temos a esperança de que a morte não é o fim e que nossas famílias podem estar juntas por toda a eternidade”, disse ela.
A visita ao templo renovou o entusiasmo de seu irmão mais novo, Alonzo Martinez, de 13 anos, que havia se filiado à Igreja há apenas três meses. No domingo seguinte, ele falou na reunião sacramental sobre a paz que sentiu no templo, uma paz que, segundo ele, não conseguia encontrar em nenhum outro lugar do mundo.

História da Igreja na Nicarágua
De acordo com a página “Histórias do mundo” em ChurchofJesusChrist.org, os élderes Manuel Arias e Archie R. Mortensen se tornaram os primeiros missionários a entrar na Nicarágua em 1953, um ano após a organização da Missão América Central na Cidade da Guatemala.
Em 11 de abril de 1954, José D. Guzmán e sua filha, Nora Esperanza Guzmán Muñoz, se tornaram os primeiros nicaraguenses a serem batizados. Outras conversões se seguiram, e a primeira congregação foi organizada naquele mesmo ano.
Em setembro de 1956, Roger Zelaya Aragon foi ordenado élder e apoiado como o primeiro presidente nicaraguense do Ramo Manágua. No ano seguinte, Josefa Correa iniciou um período de 15 anos de serviço como presidente da Sociedade de Socorro do ramo.
O Distrito Nicarágua foi organizado em 1959. Em janeiro de 1961, Presidente Joseph Fielding Smith, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, presidiu uma conferência de distrito em Manágua.
O primeiro templo construído pela Igreja na Nicarágua foi dedicado em setembro de 1967. A Igreja recebeu reconhecimento legal em abril de 1970.
Desastres naturais e a guerra civil interromperam o crescimento da Igreja. Um grande terremoto em 1972 danificou gravemente as capelas em Manágua, e conflitos políticos interromperam o trabalho missionário em setembro de 1978. Os missionários de tempo integral foram retirados em maio de 1980, mas missionários locais continuaram a compartilhar o evangelho até que o trabalho missionário de tempo integral fosse retomado no final da década de 1980.
A Estaca Manágua Nicarágua foi organizada em 22 de março de 1981, descontinuada em outubro de 1989 e restabelecida em 21 de junho de 1998.
No verão de 1987, 146 membros da estaca de Manágua receberam permissão do governo e viajaram de ônibus para visitarem do Templo da Cidade da Guatemala Guatemala [em inglês].
Quando a Missão Nicarágua Manágua foi criada em outubro de 1989, a Igreja tinha 3.453 membros no país.
Presidente Gordon B. Hinckley discursou para 2.400 membros na Nicarágua em 21 de janeiro de 1997, durante a primeira visita de um presidente da Igreja desde Presidente David O. McKay, em 1954, informou o Church News [em inglês].
“O Senhor os ama e os contempla com grande amor”, disse Presidente Hinckley naquela ocasião.
No final de 2005, o número de membros da Igreja ultrapassou os 50.000.
Presidente Russell M. Nelson anunciou a construção de um templo em Manágua, Nicarágua, na conferência geral de 1º de abril de 2018.A cerimônia de abertura de terra do templo foi realizada em 26 de novembro de 2022.
Atualmente, cerca de 109.000 santos dos últimos dias vivem na Nicarágua e frequentam mais de 100 alas e ramos.

Templos na América Central
O Templo de Manágua Nicarágua é um dos 13 templos santos dos últimos dias dedicados, em construção ou anunciados em toda a América Central até outubro de 2026.
Nove estão em operação: Cidade da Guatemala Guatemala (dedicado em 1984), San José Costa Rica (2000), Cidade do Panamá Panamá (2008), San Salvador El Salvador (agosto de 2011), Quetzaltenango Guatemala (dezembro de 2011), Tegucigalpa Honduras (2013), Cobán Guatemala (junho de 2024), San Pedro Sula Honduras (outubro de 2024) e Cidade da Guatemala Miraflores Guatemala, que foi dedicado em 11 de outubro por Élder Gerrit W. Gong, do Quórum dos Doze Apóstolos.
Em construção: A abertura de terra do Templo de Huehuetenango Guatemala foi realizada em março de 2026.
Outros dois templos estão em fase de planejamento: Retalhuleu Guatemala (anunciado em abril de 2023) e Santa Ana El Salvador (outubro de 2024).

