Kailey Randall, de dezessete anos, estava enfrentando alguns desafios emocionais quando, a convite de uma amiga, ouviu um missionário de tempo integral falar sobre a Expiação de Jesus Cristo.
Ela disse que sentiu como se o próprio Deus estivesse se aproximando dela e lhe contando tudo o que ela precisava saber. Ela sentiu o Espírito de uma forma como nunca havia sentido antes.
Kailey disse à sua mãe, Michelle [em inglês]: “Nunca senti como se Deus me amasse. Mas neste momento... eu sei que Ele me ama. Eu simplesmente sei.”
Quando Michelle Randall viu esta mudança em sua filha, isso revigorou seu amor pelo evangelho de Jesus Cristo, o evangelho que ela e seu marido Brock haviam se afastado 10 anos atrás devido a várias dúvidas e preocupações.
Brock Randall procurou seu bispo em Kaysville, Utah, que apareceu, se sentou no sofá e os ouviu. E os Randalls começaram a ouvir o Espírito.

No início deste ano, a família Randall voltou para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Quando perguntaram a Brock Randall por que ele voltou, ele disse: “Porque quero estar perto de Deus novamente.”
Sentir-se próximo de Deus e reconectar-se com Ele, especialmente através da oração, restaura a fé das pessoas. Um novo estudo da Universidade Brigham Young publicado na revista Pastoral Psychology [em inglês], descobriu que as pessoas retornam à fé quando experienciam uma reconexão em seu relacionamento com Deus.
Jessica Zurcher, professora associada da Faculdade de Comunicação da BYU e coautora do estudo, explicou que quase 80% dos participantes do estudo disseram que ainda não haviam resolvido algumas das dúvidas ou preocupações que tinham, “mas sua conexão pessoal com Deus superou sua descrença.
Razões para retornar à fé
Zurcher disse que os pesquisadores decidiram fazer o estudo quando notaram uma lacuna significativa na literatura sobre por que as pessoas decidem retornar à religião.
“Há muita pesquisa por aí sobre a fé, os eventos desencadeadores de uma crise de fé, por que as pessoas decidem abandonar a religião, tópicos que afastam as pessoas, o processo de uma crise de fé, etc., mas não há muito sobre restauração da fé”, disse Zurcher.
“Até onde sabemos, o nosso estudo é o primeiro a realmente explorar este aspecto de uma crise de fé, e sentimos que esta é uma peça essencial para a compreensão da jornada [da jornada de volta à] fé.”

Zurcher disse que, seja qual for o motivo que desencadeou a saída de alguém, a maioria dos participantes experimentou uma reconexão em seu relacionamento com Deus, por meio de narrativas individualizadas que ressoaram com eles.
Cada uma das narrativas incluía os seguintes aspectos:
- A existência de Deus.
- Conversar com Deus conecta uma pessoa a Ele.
- O amor de Deus por todas as pessoas.
O estudo encontrou quatro tipos, ou grupos, de narrativas nos dados, embora não sejam inclusivos, disse Zurcher.
1. Resilientes que buscam a Deus
Os resilientes que buscam a Deus superaram sua crise de fé se agarrando à crença e à confiança de que, embora não entendessem as razões por trás das dificuldades que enfrentaram, suas lutas faziam parte do plano de Deus, disse o estudo.
Ao buscarem respostas e ajuda, levaram seus desafios diretamente a Deus. Um participante disse: “Aprendi que Deus permite que tenhamos dificuldades para que possamos aprender e crescer.” Outro disse que sua luta “não foi um acidente, não foi um erro.... Percebi que Deus tinha um propósito para mim.”
Outro acrescentou: “Agora, olhando para trás, posso ver o amor e a provisão de Deus em cada passo do caminho. Às vezes, só depois que passamos por isso é que percebemos: ‘Uau, Deus, você realmente esteve lá o tempo todo.’”
2. Autocompassivos
Os autocompassivos se concentram na compreensão de que o amor de Deus por eles, e por seus entes queridos, é perfeita, independentemente de seus desafios, deficiências, dúvidas e erros, afirmou o estudo. Eles trabalharam para restaurar seu relacionamento com Deus participando de reuniões religiosas e evitando influências negativas.

Um participante disse: “Acho que o que mais resolveu minha crise de fé foi fazer as atividades que me levaram a perceber que sou [verdadeiramente amado].”
As pessoas deste grupo perceberam que poderiam superar qualquer dificuldade através de seu relacionamento com Deus e, se desacelerassem, Deus os ajudaria ao longo do caminho. Um participante disse: “Essa é a maior revelação que recebi de todas as mudanças que fiz, de que Deus me ama e o quanto Ele me ama. É um sentimento que eu nem compreendia antes de sair do caminho.”
3. Maratonistas
Estes participantes lidaram com sua crise de fé mantendo um ritmo lento e constante, como uma pessoa correndo uma maratona. Suas lutas também foram mais pessoais e privadas.
Eles sentiram que Deus era fundamental para superar a sua crise de fé, mas isso estava nas pequenas coisas ao longo do tempo. Um participante disse que “não era uma mensagem única, como se as pessoas vissem uma flor ou uma borboleta ou algo parecido. Nada disso aconteceu. Foi apenas muita atividade acumulada.”
Outro disse: “Não acho que nada tão dramático tenha acontecido comigo. Em vez de um evento acontecer, foi apenas ser recebido em uma comunidade de fé.”
4. Os que buscam as escrituras
Os que buscavam as escrituras, acreditavam que o melhor lugar para encontrar paz, cura e respostas era através da palavra de Deus.

Um participante do estudo deste grupo disse: “Orei muito e continuei acreditando nas escrituras. Lembro-me de ter lido em Mateus 7:7: ‘Pedi, e dar-se-vos-á.’ Deus responde minhas orações.”
Este grupo também foi ajudado pelo apoio, incentivo e amor de seus líderes religiosos e da comunidade. Um participante disse: “Esta experiência me ajudou a perceber que ‘não há problema em pedir ajuda. Não há problema em dizer às pessoas... não posso fazer isto sozinho.’”
E outra participante compartilhou como uma amiga teve uma inspiração de que deveria procurá-la: “Creio que foi quando soube que Deus estava ciente do que estava acontecendo em minha vida.”
Muitos também sentiram que o propósito de sua crise de fé era especificamente ajudar outros.
Quando perguntaram a Brock Randall [em inglês] por que ele voltou para a Igreja de Jesus Cristo, ele deu dois motivos: um era estar perto de Deus novamente. O outro: “Porque quero ajudar pessoas que poderiam ter estado, ou ainda estão, na nossa situação.”
Seu bispo lhes disse: “Vocês são necessários aqui. E vocês poderão ajudar muitos outros ao longo do caminho.”
Esperança para familiares e amigos
Amigos ou familiares podem querer uma solução ou fórmula para ajudarem seus entes queridos a regressarem à fé. Mas Zurcher disse que não existe uma mensagem ou resposta única que ressoe em todos. No entanto, muito do que poderia ser visto como “pequenas” interações com outras pessoas realmente importa.
Para os Randalls, o caminho de volta envolveu ouvir uma voz mansa e delicada, e ver a mão de Deus em sua vida. A família proporcionou amor consistente. Os vizinhos ofereceram amizade genuína. Um bispo bondoso demonstrou amor semelhante ao de Cristo.
E Michelle Randall será eternamente grata pelo jovem missionário de tempo integral que compartilhou uma mensagem de Jesus Cristo com sua filha.
“O élder Pennington realmente mudou, não apenas a nossa vida, mas a vida das gerações futuras, ao servir com tanta compaixão e amor incondicional”, disse ela.

Zurcher disse que os seguintes princípios podem ajudar os pais, familiares e amigos de alguém que esteja passando por uma crise de fé.
- Demonstre o amor de Cristo. “Podemos tomar medidas extras para sermos gentis, compassivos, compreensivos, empáticos, autênticos e, como sugere Presidente Russell M. Nelson, encerrar os conflitos em nossa vida pessoal.”
- Retenha o julgamento. “É importante que as pessoas entendam que muitas vezes há muito mais na experiência de alguém do que aquilo que elas podem ver.”
- Evite tentar resolver o problema ou resolver o evento desencadeador. “Quando a resolução de uma crise de fé chegou, observamos que ela não veio de uma só vez. Frequentemente ela aconteceu durante um período substancial de tempo, e muitas vezes levou a pessoa a restabelecer sua comunicação e relacionamento com Deus por meio da oração.”
- Evite debates/contendas que possam afastar o Espírito. “Mais uma vez, a nossa investigação sugere que devemos ajudar uma pessoa a sentir novamente o amor de Deus por ela, através de seus próprios meios e métodos. Como podemos conseguir isto se debatemos ou criarmos conflito com esta pessoa para ‘provar um ponto.’”
- Busque pacientemente inspiração para convidar e ajudar alguém a sentir o Espírito Santo, para que possa sentir novamente o amor de Deus por ele ou ela. “A revelação pessoal sobre o que alguém pode precisar é fundamental aqui. Buscar isso pode levar a respostas inesperadas, mas tais respostas podem fazer parte da equação mais ampla do plano de Deus para alguém em seu retorno a Ele.”
Zurcher disse que são necessárias mais histórias narrativas de pessoas, como os Randalls, que enfrentaram uma crise de fé, redescobriram a oração e sentiram o amor de Deus novamente. Estas histórias de membros comuns da Igreja funcionam melhor porque aqueles que passam por uma crise de fé podem se identificar com eles.
“Nossa pesquisa ilustra o quanto Deus está nos detalhes de nossa vida”, disse ela, “Embora ... ‘as respostas’ para alguém que está lutando em sua fé raramente apareçam em nossos prazos pessoais, nem tampouco surjam todas de uma vez, [eventualmente] elas aparecem.”

