No ano passado, tive o privilégio de conhecer a irmã Patricia Murray, diretora executiva da União Internacional das Superioras Gerais. Em outras palavras, ela é responsável por todas as madres superioras da Igreja Católica. A irmã Pat, como é amplamente conhecida nos círculos católicos, é uma mulher calorosa, encantadora e bem sucedida, que dedicou sua vida servindo outros, primeiro na Irlanda, onde nasceu, e agora em todo o mundo.
Conheci a irmã Pat no verão passado, quando tive a sorte de me sentar ao seu lado em um daqueles incríveis jantares italianos em Roma, com vários pratos que parecem nunca ter fim. Mas mal notei a comida ou o tempo enquanto ela e eu conversávamos sobre tudo, desde família até os desafios que ela encontra ao dirigir o importante trabalho das freiras católicas em todo o mundo. Desfrutei de cada minuto.
À medida que o jantar chegava ao fim, ela disse: “Quem imaginaria que teríamos tanto em comum?” Concordei e então apresentei um pensamento que me veio enquanto conversávamos: “Isso ocorre porque nós duas, não apenas acreditamos em Deus, mas nos sentimos responsáveis perante Ele. E isso nos dá um vínculo natural”, ao que ela respondeu apertando meu braço.

Pensei na irmã Pat durante o discurso de conclusão de Élder Clark G. Gilbert na Conferência Anual de Liberdade Religiosa da BYU, em junho. Élder Gilbert, Setenta Autoridade Geral e Comissário de Educação da Igreja, advertiu as pessoas de fé, que fazem pouco mais do que “murmurar” baixinho sobre o que acreditam, para se levantarem e serem contados. Ele encorajou os crentes a trabalharem através das tradições religiosas, para declararem abertamente que a fé em Deus é a força mais dinâmica em sua vida. Pessoas de fé, em essência, têm literalmente o poder de mudar o mundo, disse ele.
Cada vez mais, não são apenas as pessoas de fé que conseguem enxergar a verdade desta afirmação. Também falando no evento de liberdade religiosa da BYU, Jonathan Rauch, um membro sênior da Brookings Institution, que se identifica como um judeu ateu e homossexual, disse o seguinte: “Acredito que o colapso na capacidade das instituições religiosas de transmitirem valores, o que todos vocês chamam de formação espiritual, é uma causa subjacente, se não a causa mais importante, da crise política que temos.” Depois, se referindo a comentários anteriores no simpósio de Russell Moore, editor-chefe do Christianity Today, Rauch acrescentou: “A crise que Russell Moore descreve como uma crise para o Cristianismo é também uma crise para a democracia. … A resposta [à nossa crise atual] é que os valores implícitos e explícitos no Cristianismo são muito bons.”

Agora, há uma verdade profunda, embora discreta. Sim, os valores e, devo acrescentar, as verdades ensinadas e modeladas por Jesus Cristo não são apenas muito boas. Elas são, de fato, transformadoras.
Na última conferência geral, Presidente Russell M. Nelson disse: “A despeito das perguntas ou dos problemas que vocês tenham, a resposta é sempre encontrada na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo.”
Não precisamos acreditar nas mesmas coisas para valorizarmos uns aos outros, respeitarmos as tradições religiosas uns dos outros e levantarmos as nossas vozes em conjunto sobre o quanto amamos e dependemos da nossa fé, e sobre como a religião é vital para o bem-estar e estabilidade de cada sociedade. Vocês sem dúvida se lembram da conhecida declaração do Profeta Joseph Smith, de que ele estava “igualmente disposto a morrer em defesa dos direitos de um presbiteriano, batista, ou de um homem bom de qualquer outra denominação religiosa; pois o mesmo princípio que pisasse os direitos dos santos dos últimos dias iria pisar os direitos dos católicos romanos, ou de qualquer outra denominação.”
Erguermos nossas vozes juntos exige que paremos de murmurar sobre aquilo em que acreditamos. De acordo com vários estudos globais recentes, conduzidos pela Radiant Foundation, mais de 80% da população mundial ainda acredita em Deus. Imagine o que aconteceria se os crentes de todo o mundo parassem de murmurar sobre a importância de Deus em sua vida. Imagine o impacto se todos fôssemos mais abertos em reconhecermos a nossa dependência Dele.
Suponho que a irmã Pat não passou um único dia de sua vida murmurando sobre suas crenças. Sua encantadora franqueza sobre sua devoção a Jesus Cristo é uma das razões pelas quais a amei instantaneamente, sem mencionar que senti que havia conhecido uma verdadeira irmã. Quando a vi novamente, foi como se estivesse cumprimentando uma amiga de longa data e aliada na causa da fé.
O Apóstolo Pedro nos exortou a “[estarmos] sempre preparados para [respondermos] a qualquer [pessoa] que [nos] perguntar a razão da esperança que há em [nós]” (1 Coríntios 3:15).
Para mim, essa razão é Jesus Cristo. Que possamos proclamar do alto que, por causa Dele, podemos encontrar forças para continuarmos. Por causa Dele, podemos esperar um mundo melhor, e um mundo muito melhor que está por vir.
— Sheri Dew é vice-presidente executiva e diretora de conteúdo da Deseret Management Corporation, empresa que tem como subsidiária o Deseret News.
