Da Universidade de Harvard à empresa de aeronaves Boeing, Lynne M. Jackson já se dirigiu a uma ampla variedade de públicos. Ela também apareceu em documentários produzidos pelo History Channel, Netflix e PBS, e recebeu prêmios da Daughters of the American Revolution [Filhas da Revolução Americana], da Câmara dos Representantes do Missouri e outros.
Mas falar na RootsTech é uma experiência única, porque seu público “são pessoas que realmente se preocupam com sua história e com seu passado familiar”, disse ela. “E eles estarão mais interessados e provavelmente farão o máximo com as informações que obtiverem nesta conferência.”
Antes da conferência, ela passou algum tempo com um Setenta Autoridade Geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, representantes da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) e outros, durante um almoço na quarta-feira, 28 de fevereiro.
Na ocasião, Jackson conversou com o Church News sobre reconciliação, união e a importância da história de cada pessoa.
Ela relembrou sua experiência falando na inauguração do Memorial Freedom Suits, em 2022 [em inglês], em St. Louis, Missouri, que homenageia mais de 300 pessoas escravizadas que abriram processos por sua liberdade.
Essa dedicação foi uma oportunidade para lembrar às pessoas de que “a história de Dred e Harriet Scott é crítica e nacional, mas a história de todos é importante”, disse Jackson. “Então, eu realmente gosto de inspirar as pessoas a... encontrarem [sua] própria [história], porque as pessoas estão descobrindo coisas incríveis.”
Reconciliação e união
Jackson é tataraneta de Dred e Harriet Scott. No caso Dred Scott vs. Sanford, de 1857, a Suprema Corte dos E.U.A. negou a petição de liberdade de Dred e Harriet, decidindo que as pessoas escravizadas não eram cidadãs do país e não poderiam esperar proteção legal.
A decisão é considerada um dos catalisadores para o início da Guerra Civil dos E.U.A., conflito que resultou na abolição da escravatura em todo o país. Dred e Harriet Scott finalmente conseguiram a liberdade que antes lhes era negada.
Jackson também é a fundadora e presidente da The Dred Scott Heritage Foundation [Fundação do Legado de Dred Scott – em inglês], criada para “promover a comemoração, educação e reconciliação de nossas histórias... e garantir que nunca nos esqueçamos da luta pela liberdade, cidadania e igualdade, com o objetivo de ajudar a curar as feridas do passado”, de acordo com a sua declaração de missão [em inglês].
Jackson disse que começou a fundação em 2006 com ideias claras sobre como seriam as partes de “comemoração” e “educação” da missão, e com menos certeza sobre a parte de “reconciliação.”
Mas se sentindo guiada por Deus, ela seguiu em frente com fé. “Aqui estamos, 18 anos depois, e a história da reconciliação é provavelmente maior do que as outras duas.” Por exemplo, em 2017, ela se encontrou com descendentes do juiz Roger Taney [em inglês], o juiz da Suprema Corte dos E.U.A. de 1857, que redigiu a opinião da maioria no caso Dred Scott, e aceitou um pedido formal de desculpas do sobrinho-bisneto de Taney em nome da família Taney.
O trabalho de reconciliação de Jackson também a faz apreciar o 10 Million Names Project [Projeto 10 Milhões de Nomes]: uma iniciativa que procura restaurar a identidade dos cerca de 10 milhões de pessoas de ascendência africana que foram escravizadas na América pré e pós-colonial. O projeto foi lançado em agosto de 2023, e o FamilySearch anunciou seu envolvimento em 15 de fevereiro de 2024. A sociedade genealógica American Ancestors [em inglês], que também compartilhou a história do projeto no palco principal da RootsTech, na sexta-feira, 1º de março.
Jackson disse que o 10 Million Names Project cria um “guarda-chuva nacional” para uma miríade de projetos de reconciliação local, como o reconhecimento da Universidade de St. Louis [em inglês] de que a universidade foi construída por escravos.
“São esses tipos de coisas que nos unem. ... E acho que são os pequenos elos, e os pequenos grupos que estão se unindo, que irão criar o panorama geral”, disse ela.
Unindo-se e entendendo uns aos outros
A ideia de “nos unirmos” esteve em destaque durante o almoço de quarta-feira, que incluiu Élder Randall K. Bennett, Setenta Autoridade Geral, e sua esposa, irmã Shelley Bennett; Portia Prescott e o Pastor Thomas Mayes, da NAACP; Thom Reed, vice-diretor de genealogia do FamilySearch International; e Dana King, membro da Igreja e amiga de Jackson.
Jackson disse que aquilo que mais se destacou no almoço foi “que todos nós ainda temos os mesmos desejos e as mesmas necessidades. Que todos nós gostaríamos de ver não apenas a reconciliação, mas a compreensão mútua.”
Reed, especialista em genealogia afro-americana, acrescentou que Jackson é uma escolha particularmente apropriada para palestrante na conferência RootsTech deste ano, cujo tema é “Recordar”. Jackson fez o trabalho de garantir que o legado de Dred e Harriet Scott não fosse esquecido, disse Reed, e ele suspeita que sua história provocará de tudo, desde risos até lágrimas.
“Achamos que [sua] história ressoará entre os milhares que estarão presentes na sexta-feira, então... venham na sexta-feira. Ouçam o que ela tem a dizer”, disse Reed na ocasião. “[Se vocês] não puderem comparecer pessoalmente, assistam on-line, porque será impactante.”
De sua parte, Jackson disse que se sente “honrada” em falar na RootsTech.
“Fico sempre feliz em compartilhar [minha história]”, disse ela, “e é um grande privilégio ter um público tão grande e engajado com quem compartilhá-la.”
