Há pouco mais de 10 anos, meu pai faleceu após uma longa batalha contra a doença de Parkinson.
Cerca de um ano antes dele morrer e à medida que suas necessidades e cuidados se intensificaram, minha mãe decidiu se aposentar de sua carreira como enfermeira e vender a casa de minha infância, para que ela pudesse se dedicar mais plenamente a ele.
Meu pai percebeu que eles estavam se mudando e queria ajudar, mas muitas vezes ficava confuso. Lembro-me de vê-lo empacotar e desempacotar a mesma caixa repetidas vezes. Suas habilidades físicas estavam se deteriorando, assim como sua capacidade mental.
No domingo anterior à mudança de meus pais para uma pequena casa alugada, meus irmãos e eu nos reunimos com eles pela última vez no lugar que chamavam de lar há 25 anos.
Naquela época, em seu estudo pessoal, minha irmã mais velha, Terri, estava lendo 2 Néfi, onde o idoso profeta Leí reúne seus filhos e os abençoa e aconselha. Ela perguntou ao nosso pai se ele daria uma bênção paterna a cada um de seus filhos. Não tínhamos certeza de como ele se sairia, mas ele concordou prontamente. Nunca me esquecerei do espírito doce que encheu a sala enquanto ele falava com poder e sintaxe perfeita.

Sou a sétima de oito filhos, por isso, quando chegou a minha vez, a voz de meu pai, bem como suas mãos, estavam trêmulas e pesadas. A bênção foi curta, menos de 2 minutos de duração. Entre outras coisas, ele me disse para “permitir que o mundo saiba que existe uma Rachel Sterzer nesta Igreja.”
Aquela foi a última vez que eu tive o privilégio de receber uma bênção paterna. Meu pai faleceu no mês de julho seguinte.
Geralmente não sou o tipo de pessoa que gosta de se expressar. Sinto-me muito mais confortável em deixar outra pessoa, alguém mais inteligente, mais articulado, mais engraçado ou mais espiritual, fazer um comentário durante uma aula da Escola Dominical ou dar uma opinião durante uma reunião de trabalho.
Já brinquei muitas vezes que existe uma ponte levadiça entre o meu cérebro e a minha boca. Quando fico nervosa, cansada ou perturbada, esta ponte levadiça sobe, e nunca tenho certeza de quais pensamentos em meu cérebro conseguirão atravessar o abismo até minha boca... ou em que ordem eles chegarão.
Mas, além do conselho de meu pai, meus ouvidos também foram aguçados pelas palavras dos líderes da Igreja nos últimos anos.
Em um discurso intitulado “Um apelo às minhas irmãs” em 2015, Presidente Russell M. Nelson, na época Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, disse às mulheres da Igreja: “Nós, seus irmãos, precisamos de sua força, de sua conversão, de sua convicção, de sua capacidade de liderar, de sua sabedoria e de sua voz. O reino de Deus não é e não pode ser completo sem as mulheres que fazem e guardam convênios sagrados, mulheres que podem falar com o poder e a autoridade de Deus” (conferência geral de outubro de 2015).
Em 2017, ajudei a escrever sobre a sessão das mulheres da conferência geral, onde Sharon Eubank, então conselheira na presidência geral da Sociedade de Socorro, desafiou as mulheres da Igreja a expressarem melhor a sua fé. “Usem sua voz e seu poder para expressar o que sabem e sentem — nas redes sociais, nas conversas com amigos e quando estiver batendo papo com seus netos. Digam-lhes por que acreditam, qual é o sentimento, se vocês alguma vez duvidaram, como superaram e o que Jesus Cristo significa para vocês. Como o apóstolo Pedro disse: ‘Não temais …; antes, santificai o Senhor Deus em vosso coração; e estai sempre preparados para responder a qualquer que vos perguntar a razão da esperança que há em vós’” (1 Pedro 3:14-15).

Então, tenho tentado fazer melhor em dizer “sim” às oportunidades de compartilhar meu testemunho, de me posicionar e expressar minha fé. Levantar a mão durante um debate sobre o evangelho, ensinar uma lição, participar de um podcast [em inglês], prestar meu testemunho durante a reunião sacramental, oferecer uma opinião durante uma reunião, responder perguntas sinceras, até mesmo escrever uma coluna ou, mais recentemente, falar durante uma sessão da Conferência de Mulheres da BYU está fora da minha zona de conforto. Essas oportunidades também foram desafiadoras, repletas de crescimento e me encheram de um profundo senso de responsabilidade para me tornar uma líder melhor, para aprender, apesar das minhas fraquezas, como me posicionar e falar “com o poder e a autoridade de Deus.”
Em um devocional mundial especial da Sociedade de Socorro, realizado em março deste ano, o Profeta disse: “Irmãs, precisamos de sua voz ensinando a doutrina de Cristo. Precisamos de sua capacidade como mulheres para reconhecer a desonestidade e articular a verdade. Precisamos de sua sabedoria inspirada nos conselhos de sua família, ala e estaca, bem como em outros locais de influência em todo o mundo. Sua família, a Igreja e o mundo precisam de vocês” (“A influência das mulheres”, Devocional Mundial da Sociedade de Socorro 2024, 17 de março de 2024).
Isso foi reiterado para mim recentemente, quando minha enteada de 13 anos veio até meu marido e eu perguntando por que obedecemos a certos mandamentos quando muitos outras pessoas ao seu redor não o fazem. Presidente Nelson está certo: Minha família, meus filhos, meus amigos e entes queridos precisam saber por que acredito e por que “há uma Rachel Sterzer nesta Igreja”. E cada vez que dou uma resposta, espero que meu pai saiba que estou tentando seguir seu conselho.
— Rachel Sterzer Gibson é repórter do Church News.
