Nota do editor: Esta é a primeira de uma série de três partes sobre pesquisas recentes relacionadas ao perfeccionismo tóxico.
Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivenciam o perfeccionismo em taxas mais altas do que outras pessoas? Esta é uma questão que Justin Dyer [em inglês], professor de Educação Religiosa na BYU, percebeu que não havia sido estudada anteriormente.
Dyer e seus colegas se propuseram a ver se havia alguma resposta para esta pergunta, utilizando um estudo sobre a saúde mental de jovens santos dos últimos dias. O estudo de seis anos envolveu mais de 2.000 adolescentes e jovens adultos (sendo metade deles santos dos últimos dias, e a outra metade não).
Professores e profissionais de saúde mental escreveram sobre suas descobertas e os impactos do perfeccionismo tóxico na edição de dezembro da revista BYU Studies Quarterly [Estudos Trimestrais da BYU – em inglês].
Dyer disse que ficou surpreso quando a pesquisa revelou que os santos dos últimos dias são menos propensos, e não mais, a experimentarem níveis prejudiciais de perfeccionismo em comparação com outros grupos.
Eles descobriram que 12% dos santos dos últimos dias pesquisados experimentam alto perfeccionismo tóxico. Isso foi semelhante em outras religiões, que variam de 11 a 13%. Porém, 20% dos ateus/agnósticos e 27% de ex-santos dos últimos dias possuíam alto índice de perfeccionismo tóxico.
“Então o que descobrimos... é que aqueles que são filiados à religião, aqueles que acreditam em Deus, tendem a ter níveis mais baixos de perfeccionismo tóxico”, disse Dyer.

A diferença entre perfeccionismo saudável e tóxico
Dyer explicou que um perfeccionista saudável estabelece metas elevadas, mas quando não as atinge, fica decepcionado, mas consegue se adaptar e seguir em frente.
Por outro lado, Dyer definiu o perfeccionismo tóxico como “pensar que seu valor está vinculado ao seu sucesso e que o fracasso significa que [você] tem menos valor.”
Portanto, faz sentido, de acordo com Dyer, que uma pessoa que recebe mensagens de que têm valor infinito, que Deus a ama perfeitamente, tenha menos probabilidade de experimentar o perfeccionismo tóxico.
Dyer destaca o foco de Presidente Russell M. Nelson em entender “a verdade sobre quem você é.”
Em um Devocional Mundial para Jovens Adultos, em maio de 2022, Presidente Nelson disse que, antes de tudo, cada um deles é um filho de Deus. Segundo, como membros da Igreja, eles são filhos do convênio. E terceiro, eles são discípulos de Jesus Cristo.
Dyer disse: “Quando temos estas identidades, isso nos impede de cair no pensamento de que ‘eu falhei, portanto não sou digno de amor e não tenho valor.’”
Perfeccionismo e religião
O pesquisar indicou que descobriram que, aqueles que lutam contra o alto perfeccionismo podem também experimentar declínio da religiosidade e enfraquecimento das conexões espirituais: apenas 6,2% dos jovens com baixo perfeccionismo tóxico abandonaram sua religião, enquanto 21,5% dos jovens com alto perfeccionismo tóxico abandonaram sua religião.
“O perfeccionismo definitivamente interrompe sua capacidade de se conectar com a religião, de se conectar com Deus”, disse Dyer.
No entanto, ele observa que abandonar a religião parece fazer pouco para aliviar os sentimentos de perfeccionismo tóxico.
Ao estudar o perfeccionismo e a saúde mental em geral, Dyer disse que aprendeu que o perfeccionismo tóxico parece ser uma condição de mortalidade que pode se manifestar em vários aspectos da vida de uma pessoa.
“Sim, as pessoas podem julgar na Igreja; sim, as pessoas podem dar mensagens na Igreja que aumentariam o perfeccionismo tóxico”, disse Dyer. “Mas também precisamos perceber que isso é parte de um processo humano.”
Antídotos ao perfeccionismo
Embora compreender a teologia de que somos amados pelo Pai Celestial e temos um propósito divino, seja útil para superarmos o perfeccionismo altamente tóxico, uma pessoa também pode se beneficiar da ajuda de profissionais de saúde mental.
“A maioria das pessoas experimentará algum nível baixo de perfeccionismo tóxico que nos deixará tristes em nossa vida”, disse Dyer. Ele observa que algumas pessoas com certas condições de saúde mental, tais como o transtorno obsessivo-compulsivo, podem experimentar um alto nível de perfeccionismo tóxico como um sintoma da condição, enquanto outras podem não estar processando informações corretamente, chamadas distorções cognitivas.
Ainda assim, Dyer deixa claro em sua introdução à edição de dezembro da revista BYU Studies Quarterly [em inglês], que os santos dos últimos dias podem encontrar esperança ao se esforçarem para reduzir o perfeccionismo tóxico e encontrarem cura e ideias saudáveis sobre o perfeccionismo por meio de Cristo.
Dyer escreveu: “O perfeccionismo tóxico diz, falsamente, que o amor de Deus e nosso valor são conquistados e que o preço que devemos pagar é a perfeição completa. Esse preço, é claro, é algo que nunca poderemos pagar, nem somos solicitados fazê-lo. Na história do mundo, apenas uma única vida sem pecado foi necessária, e essa vida foi vivida plenamente por Jesus Cristo, por meio de Quem podemos nos curar, gradual e eventualmente, aprender a amar como Ele ama e nos tornarmos como Ele é.”

