Quando eu era pequeno, minha mãe servia com as Moças da nossa ala. Com que idade? Todas. Parecia que minha mãe sempre estava servindo com as Moças. Mesmo que não fosse em um chamado durante todo o ano, ela inevitavelmente servia em alguma função no acampamento anual das Moças, o qual elas frequentavam a cada verão.
Minha irmã mais nova e eu ajudamos a fazer artesanatos e organizar recursos para as atividades de “irmã secreta”. Às vezes, íamos ao acampamento com antecedência para ajudarmos a cronometrar uma caminhada ou calcular o espaço para barracas, sacos de dormir ou reuniões de testemunho. E testamos muitas refeições e sobremesas feitas em panela de ferro.
Também me lembro dos marcadores de página com escrituras que minha mãe fazia meticulosamente à mão, com suas canetas de caligrafia. Ela fazia esta parte parecer fácil, mas eu nunca consegui escrever tão bem quanto ela. Lembro-me de vê-la escrever seu testemunho em cartas ou dentro de cópias do Livro de Mórmon para suas moças. Ela se importava, e ainda se importa, com aquelas a quem servia.
Avançando para este ano, tive a oportunidade de participar do acampamento das Moças da minha estaca. O local era diferente, e décadas se passaram desde a primeira vez que fui com minha mãe. Mas desta vez, vi minha esposa e outras líderes de estaca e ala, demonstrarem o mesmo tipo de amor que via quando menino. E vi minhas três filhas participando das atividades, devocionais e reuniões de testemunho.
Entre as atividades das quais participaram, estava uma caminhada de fé, sobre a qual eu tinha ouvido falar meses atrás. Eu não sabia que teria a oportunidade de fazer a caminhada e certamente não sabia que ela ajudaria a fortalecer meu testemunho do Salvador como fez.

A música sacra estabeleceu o tom para que as pessoas se sentissem em um lugar calmo, onde pudessem sentir o Espírito Santo. Imagens do Salvador ajudaram a reiterar os ensinamentos de Seu ministério terreno. Palavras dos profetas ensinaram a doutrina do evangelho. E espaços reservados para contemplação, reflexão e registro de sentimentos permitiram que cada pessoa tivesse o tempo necessário para orar e sentir as impressões em seu coração e mente.
Os detalhes exatos da experiência são menos importantes que os resultados.
Pensei em observar a reação das moças ao longo do caminho para avaliar seu nível de envolvimento e entusiasmo pela atividade. Mas rapidamente me vi imerso na caminhada como uma experiência pessoal, apesar das centenas de jovens e líderes ao meu redor. Descobri mais tarde que muitos outros tiveram uma experiência semelhante. Não importava quantas pessoas estivessem lá, a experiência foi individual e sagrada.
As moças e líderes com quem conversei concordaram que a caminhada foi a parte mais poderosa da semana. Isso não desmerece o trabalho árduo realizado nas outras partes do acampamento. Creio que todo o resto ajudou a chegar naquele momento que permitiu que todos sentissem o Espírito.
Ao longo das décadas, não sei quantos testemunhos ouvi de moças que retornaram de suas experiências no acampamento e disseram que os dias anteriores foram alguns dos mais significativos de sua vida. Elas falaram sobre a união, estudo das escrituras, oração, cânticos, caminhadas e serviço mútuo.
Mas foi somente neste ano que tive minha própria experiência especial e feliz, que pareceu igual a tudo o que eu já tinha ouvido tantas vezes antes.
Enquanto servia como Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, Presidente Russell M. Nelson discursou na conferência geral de outubro de 2016 sobre encontrarmos alegria e sobrevivermos espiritualmente, enquanto enfrentamos os desafios da mortalidade.
“A vida está repleta de desvios, becos sem saída, provações e desafios de todo o tipo. Cada um de nós provavelmente já passou por momentos em que a agonia, a angústia e o desespero quase nos consumiram. Mas estamos aqui para ter alegria? Sim! A resposta é um sonoro sim!”, disse ele.
E como podem atestar aqueles que refletiram sobre seus próprios desafios ao longo da caminhada de fé do nosso acampamento das Moças, cada um de nós enfrenta provações únicas. Mas cada um de nós encontra alegria e esperança no mesmo Salvador, Jesus Cristo.
Presidente Nelson continuou na mesma mensagem da conferência: “A alegria é uma dádiva para os fiéis. É a dádiva que advém de intencionalmente tentarmos viver em retidão, conforme ensinado por Jesus Cristo.”

