Em uma modesta escola de uma única sala perto de Zarqa, na Jordânia, crianças deslocadas pela guerra se reúnem todos os dias para aprenderem, brincarem e serem nutridas. A maioria de suas famílias fugiu da Síria há mais de uma década, com pouco mais do que a roupa do corpo.
Hoje, no acampamento de Mafraq, elas encontram não apenas uma sala de aula, mas também esperança, graças à colaboração entre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e a Igreja Batista de Zarqa, informou a Sala de Imprensa da Igreja no Oriente Médio [em inglês].
Desde 2011, mais de 14 milhões de sírios foram forçados a fugirem de suas casas [em inglês].
Uma escola para crianças

Construída com o apoio da Igreja e administrada pela Igreja Batista de Zarqa, a escola atende a três necessidades vitais das crianças refugiadas: educação, nutrição e saúde.
“Sem este programa de educação complementar, estas crianças nunca teriam a oportunidade de aprenderem a ler ou escrever, nem receberiam qualquer tipo de educação”, explicou Andrew Majdi, da Igreja Batista de Zarqa.

Todos os dias úteis, crianças de 3 a 14 anos lotam a sala de aula, onde os mais velhos aprendem leitura e matemática, enquanto os mais novos pintam ou praticam caligrafia. As aulas são básicas, mas para muitos, é a primeira chance de uma educação formal. A equipe da igreja batista local prepara almoços simples, mas nutritivos: labneh [coalhada seca], sanduíches de queijo, suco, frutas ou, ocasionalmente, pizza, financiados por ambas as religiões.
“Fico muito triste ao ver esses jovens estudantes que não têm nada, nem um playground ou mesmo um lugar seguro para brincarem”, disse Wendy Housari, voluntária sênior da Igreja. “Mas eles têm uma escola onde podem obter educação e uma alimentação saudável.”
Trabalho humanitário em toda a Jordânia

Wendy Housari e seu marido, Rizek Housari, servem como voluntários seniores na Jordânia há nove meses. Ao contrário dos missionários, eles não usam roupas formais, não fazem proselitismo e não usam títulos formais.
“Somos os únicos voluntários de serviço humanitário na Jordânia”, disse Wendy Housari. “Residíamos na capital, Amã, mas cobrimos todo o país.”

Seus dias são repletos de serviços variados: uma manhã levando alguém ao médico, outro dia visitando escolas ou acampamentos de refugiados para avaliar necessidades. “Nós visitamos organizações interessadas em receberem fundos da Igreja”, explicou Wendy Housari.
A clínica em uma sala de aula

Uma vez por mês, a escola de Mafraq se transforma em uma clínica médica. As famílias fazem fila logo cedo pela manhã, para terem a chance de terem consultas com médicos voluntários, que atendem entre 120 e 140 pacientes a cada visita. A clínica oferece cuidados essenciais para doenças, tais como diabetes e pressão alta, além de vitaminas para crianças.

“Os serviços médicos prestados às famílias de refugiados no acampamento são extremamente importantes”, explicou Majdi. “Descobrimos muitos casos graves, como problemas cardíacos e diabetes, que exigem atendimento urgente e caro. Graças a esta clínica móvel, vidas foram salvas e muitas outras foram beneficiadas.”
A Igreja cobre o custo de todos os medicamentos, enquanto a Igreja Batista de Zarqa fornece funcionários e transporte para atenderem pessoas de outras religiões.
“Provavelmente 99,9% desses pacientes são muçulmanos”, observou Wendy Housari.

Hamda Al-Aql, uma das mães, expressou sua gratidão: “O centro nunca nos decepcionou. Todos os meses eles fornecem todos os medicamentos de que precisamos, não apenas receitas mensais, mas também ajudam com necessidades urgentes. Eles apoiaram minha filha, não apenas na escola, mas também durante uma grande cirurgia no joelho. Depois de anos de sofrimento, ela conseguiu andar novamente, graças ao acompanhamento e apoio das pessoas.”
Impressões dos acampamentos
As necessidades são imensas. Quando os Housaris visitaram o acampamento pela primeira vez no inverno, Wendy Housari ficou chocada com “o quão miserável ele é”, disse ela, observando: “essas crianças pequenas sem meias, e o frio que fazia. E quando o aquecedor liga, as luzes se apagam.”
Como ex-professora, Wendy Housari espera que eles possam ajudar a criar um futuro de sucesso para as crianças. “Estou feliz que elas estejam aprendendo e recebendo algum tipo de educação.”

Servindo como voluntários
Algumas pessoas questionam o motivo pelo qual os Housaris estão na Jordânia.
“As pessoas nos perguntam: ‘Por que vocês estão fazendo isso?’”, disse Rizek Housari, acrescentando que elas perguntam: “Vocês estão tentando convertê-los ao cristianismo?’”
Wendy e Rizek Housari, no entanto, não fazem proselitismo. “Apenas os informamos de que esta organização beneficente faz parte da Igreja de Jesus Cristo e, portanto, fazemos coisas em comum. Seguimos os ensinamentos de Jesus Cristo, quando Ele disse: ‘Se amamos a Deus, temos que amar o próximo, independentemente de sua religião ou etnia.’”

Eles se consideram representantes da Igreja para os jordanianos. “Representamos 18 milhões de membros que doam esses fundos”, explicou Rizek Housari.
Para os Housaris, o serviço não se resume a títulos ou vestimentas. Mesmo que não usem plaquetas, “Temos Seu nome em nosso coração”, disse Wendy Housari. “Mais importante do que a plaqueta é carregar Seu nome em nosso semblante ao conhecermos as pessoas.”
Wendy Housari refletiu sobre um discurso de Élder Ronald A. Rasband na conferência geral de outubro de 2022, convidando pessoas mais velhas a se voluntariarem.
“Depois de ouvir o discurso de Élder Rasband, percebemos que precisávamos ir agora. Então, segui em frente e não assinei outro contrato [como professora] para o ano seguinte, e sabíamos que o Senhor nos abençoaria”, disse ela, acrescentando: “Foi só um empurrãozinho que precisávamos... não nos arrependemos nem um pouco.”

A bondade dos jordanianos
Em seu serviço, os Housaris também foram abençoados pela generosidade do povo da Jordânia. “A Jordânia é cercada por conflitos e turbulências, mas seu povo é bondoso e acolhedor”, disse Wendy Housari. “Um homem que tínhamos acabado de conhecer pagou nossa refeição antes de partir. Desconhecidos nos convidam para suas casas. É um país lindo e seguro. As pessoas são amigáveis e respeitosas.”
Ela acrescentou: “Eles fizeram com que nos sentíssimos em casa.”
Fés unidas em serviço

A colaboração entre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e a Igreja Batista de Zarqa continua a crescer. Juntas, as duas organizações operam clínicas fixas e móveis, alimentam crianças, apoiam a educação e levam alívio a famílias que, de outra forma, não teriam nenhum.
“Sentimo-nos orgulhosos e gratos pela nossa colaboração com os “Serviços de Caridade dos Santos dos Últimos Dias”, disse Majdi. “Nosso trabalho em conjunto nos permitiu atender a um grande número de pessoas necessitadas.”

