Ao ler sobre as moças de uma estaca de Centerville, Utah, que chegaram ao topo do Kings Peak, fiquei impressionado com suas expressões de lições aprendidas e testemunhos fortalecidos.
Após uma caminhada de vários dias até o topo da montanha mais alta de Utah, elas relataram que relacionaram o peso de suas mochilas aos fardos da vida e compararam a desafiadora subida à jornada da mortalidade. Mais importante ainda, as experiências as ajudaram a adquirirem maior apreço e conexão com o Salvador, Jesus Cristo, e Sua Expiação.
Isso me lembrou das trilhas que minha esposa, Cheryl, e eu fazíamos com os missionários quando liderávamos à Missão Arizona Phoenix [em inglês], há uma década: trilhas matinais ou vespertinas substancialmente mais curtas em distância, duração e altitude.
Nossas trilhas variavam de passeios no dia de preparação em uma zona específica a outras que faziam parte de conferências de treinamento especializado com vários grupos de élderes e sísteres. Os locais variavam das formações de arenito rosa acima de Sedona à Trilha Mórmon em South Mountain, passando por diversas trilhas no sopé das montanhas dentro e ao redor de nossa área de missão no Vale do Sol em Phoenix. E, durante as caminhadas, frequentemente discutíamos mensagens, aprendizados e aplicações do evangelho.

A cada cinco ou seis meses, aproximadamente, levávamos de 25 a 30 líderes missionários, assim comolíderes treinadoras de sísteres, quando essa designação foi introduzida, ao Parque de Conservação Thunderbird, no norte de Glendale. O parque oferece trilhas de cascalho de níveis fáceis a difíceis, ao longo das rochas vulcânicas nas colinas de Hedgpeth, vizinhas ao Templo de Phoenix Arizona [em inglês]. Nossas caminhadas em Thunderbird eram feitas pelas trilhas Coach Whip e Arrowhead Point, logo ao sul do templo.
Com o templo do Senhor em construção durante nossa missão de três anos, visitávamos o local com frequência com missionários: os recém-chegados, os que estavam retornando para casa ou os que se reuniam para conferências nas proximidades. Lá, ressaltávamos que seu propósito era convidar outras pessoas, não apenas a aprenderem a doutrina de Cristo e a serem batizadas, mas também a irem à casa do Senhor para fazerem e cumprirem outros convênios sagrados.
Nossa caminhada matinal típica com os líderes seguia este padrão: começávamos no estacionamento do Parque Thunderbird, na West Pinnacle Peak Road, a um quarteirão do templo. Durante a caminhada de 4 km, parávamos após cada um dos vários trechos para relacioná-los a um princípio diferente da doutrina de Cristo: fé, arrependimento, batismo (ou a próxima ordenança na vida de uma pessoa), receber o Espírito Santo e perseverar até o fim. E enquanto caminhávamos pelas colinas na área sudeste do parque, frequentemente avistávamos o templo em construção.

Uma subida íngreme surgia após o primeiro quilômetro; antes de nossos missionários começarem a subir, cada um era convidado a pegar uma pedra para levar morro acima. Com bravura, alguns missionários carregavam pedras consideráveis, exigindo uma pegada firme ou talvez utilizando as duas mãos para carregarem.
Parando mais ou menos na metade da subida, eu pegava uma mochila vazia e pedia aos missionários que colocassem suas pedras lá dentro. Um determinado élder, capaz e prevenido colocava a mochila no ombro enquanto nosso grupo retomava a escalada.
A conversa anterior diminuía à medida que os missionários observavam o élder se esforçar para suportar o peso da mochila, enquanto continuava subindo a montanha, cientes de que suas pedras aumentavam ainda mais o fardo. Aqueles que haviam pegado pedras maiores ficavam visivelmente abalados, às vezes à beira das lágrimas, cientes do peso que haviam contribuído. Alguns perguntavam se poderiam ajudar ou até mesmo carregar a mochila.

Em cada uma dessas caminhadas, o élder completou a tarefa com sucesso e exaustão, logo cercado por missionários que o parabenizavam e agradeciam, e pediam desculpas pelo tamanho de suas pedras.
Como podem imaginar, nossas discussões depois daquele segmento se concentravam em carregarmos os fardos uns dos outros, em sermos libertados do peso dos fardos e em reconhecermos como Jesus Cristo carrega nossos fardos e pecados por meio de Sua Expiação. Fazíamos um esforço especial para não equipararmos a atividade diretamente à Expiação, nem ao élder em destaque como o Salvador.
Discussões semelhantes ocorriam após diferentes trechos da caminhada, sobre fé; sobre batismo, ordenanças e convênios; sobre o dom do Espírito Santo e reconhecer e seguir o Espírito; e sobre perseverar até o fim. Esta última parecia uma conclusão adequada enquanto descíamos até o vale com o templo à vista.
Podemos incluir discussões sobre o Salvador e Seu evangelho em nossas conversas e atividades. Podemos buscar analogias e lembretes sobre Ele, Seu ministério e Sua missão ao nosso redor. O mundo à nossa volta, incluindo a própria Terra, é evidência de que “todas as coisas mostram que existe um Deus” (Alma 30:44). E o melhor lugar para aprendermos sobre o Pai Celestial e Jesus Cristo, fazermos convênios com Eles e fortalecermos nossa compreensão e testemunho a Seu respeito é na casa do Senhor.
— Scott Taylor é o editor-chefe do Church News.

