Menos da metade dos norte-americanos afirma que a sociedade se beneficia quando há mais pessoas casadas.
A descoberta vem da American Family Survey 2025 [Pesquisa sobre Famílias Americanas de 2025 – em inglês], um estudo anual em âmbito nacional com 3.000 norte-americanos, realizado pelo Deseret News, pelo Instituto Wheatley da Universidade Brigham Young e pelo Center for the Study of Elections and Democracy [Centro de Estudos de Eleições e Democracia da BYU – ambos em inglês].
A descoberta também ocorre pouco depois do 30º aniversário de “A Família: Proclamação ao Mundo”, que o falecido Presidente Gordon B. Hinckley apresentou em 23 de setembro de 1995, durante a Reunião Geral da Sociedade de Socorro. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também se referem a esta proclamação como a proclamação da família.
Durante três décadas, os princípios e a doutrina descritos neste documento têm ajudado os membros da Igreja, bem como outras pessoas, a fortalecerem e compreenderem a importância da família no plano eterno de Deus.
Em uma sessão de perguntas e respostas com jovens adultos solteiros em 2021, Presidente Jeffrey R. Holland, Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, explicou que um dos motivos pelos quais a Igreja foca no casamento é pelo fato do significado doutrinário do casamento e da família em todo o mundo, ter sido rebaixado nas últimas décadas. “O Senhor espera que reverenciemos o casamento, a família e a geração de filhos”, disse Presidente Holland.

Na Pesquisa sobre Famílias Americanas de 2025, os resultados indicam que o casamento é, em geral, uma instituição benéfica que ajuda a tirar as pessoas da pobreza, aliviar a solidão e proporcionar lares estáveis para as crianças. Menos casamentos significam que mais pessoas perdem esses benefícios, enquanto a sociedade como um todo perde força.
Os pesquisadores reconhecem que o casamento não é uma instituição perfeita e que relacionamentos abusivos e outros problemas merecem “séria atenção”.
Mas a indiferença ao casamento, especialmente se isso levar a um número menor de pessoas casadas, “não é um sinal saudável para o público norte-americano.”
“A indiferença ao casamento sugere complacência e falta de energia, o que provavelmente terá custos no futuro”, escrevem os pesquisadores. “As pesquisas de opinião pública dificilmente são bons indicadores de quais serão esses custos, mas acreditamos que haverá custos a longo prazo. …”
“A opinião pública está se tornando cada vez mais negativa em relação a essa instituição, e uma melhor compreensão dos motivos dessa mudança de atitudes, que leva a novos argumentos e ações, provavelmente é necessária se quisermos reverter essa tendência.”
Casamento e bem-estar social

A Pesquisa sobre Famílias Americanas de 2025 relata que 45% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que, “A sociedade se beneficia quando há mais pessoas casadas”. Esse número representa uma queda em relação aos 49% registrados em 2024, 46% em 2023 e 2022, 49% em 2020 e 2019, e 53% em 2018. O percentual se mantém estável em relação aos 45% encontrados em 2021.
Além disso, entre aqueles que concordam que a sociedade se beneficia quando há mais pessoas casadas, apenas 11% concordam “fortemente”, uma queda em relação aos 21% de 2018; 13% simplesmente “concordam”, uma queda em relação aos 17% de 2018; e 18% “concordam parcialmente”, um aumento em relação aos 12% de 2018.
Por que o apoio à instituição do casamento está diminuindo? Embora as causas sejam multifacetadas, um fator que contribui parece ser a desvalorização da família e dos filhos, conforme relatado anteriormente pelo Church News.
Um estudo realizado pelo Pew Research Center em 2024 [em inglês] revelou que, entre os jovens adultos sem filhos, menos da metade das mulheres, cerca de 45%, afirmaram desejar ser mães algum dia.
Ao mesmo tempo, pesquisas do Institute for Family Studies [Instituto de Estudos da Família – em inglês] mostram que mais mulheres nos EUA estão optando por não terem filhos. Em 2020, uma em cada seis mulheres que chegavam ao fim de sua idade fértil nunca havia dado à luz.

Os líderes da Igreja expressaram preocupação com essas questões. Em 2023, Presidente Dallin H. Oaks, na época primeiro conselheiro na Primeira Presidência, falou aos jovens adultos santos dos últimos dias em todo o mundo, sobre a natureza e o alcance do casamento nos Estados Unidos e na Igreja.
O Presidente Oaks mostrou um gráfico que ilustra a redução da porcentagem de adultos casados nos Estados Unidos. Não apenas menos americanos estão se casando, mas também estão se casando mais tarde e, portanto, tendo menos filhos, inclusive dentro da Igreja.
Essas quedas representam oportunidades perdidas e bênçãos adiadas, disse Presidente Oaks. “Significa menos oportunidades de trabalharmos juntos para edificar o reino de Deus. E, mais importante, significa menos crianças nascendo para crescerem com as bênçãos do evangelho.”
Para os jovens adultos preocupados com a escassez de moradias acessíveis e o aumento das dívidas estudantis, Presidente Oaks os aconselhou a seguirem adiante com fé e a fazerem o melhor possível em circunstâncias menos favoráveis do que as enfrentadas pelas gerações anteriores.
“Lembrem-se de que um Pai Celestial amoroso tem um plano para Seus jovens adultos, e parte desse plano é o casamento e os filhos”, disse Presidente Oaks.
Outras atitudes em relação ao casamento

Além da relação entre casamento e bem-estar da sociedade, a Pesquisa sobre Famílias Americanas de 2025 perguntou aos participantes sobre suas atitudes em relação a uma variedade de outras ideias sobre o casamento.
Por exemplo, 56% dos entrevistados disseram concordar que o casamento melhora a situação financeira das famílias e das crianças. Desses, 15% afirmaram “concordar fortemente”, 20% disseram “concordar” e 21% disseram “concordar em parte”.
A porcentagem geral caiu em relação aos 64% de pessoas que concordaram em 2018. Destas, 22% disseram “concordar fortemente”, 23% disseram “concordar” e 18% disseram “concordar em parte”.
Além disso, a porcentagem geral de pessoas que concordam que o casamento melhora a situação financeira das famílias e das crianças tem oscilado entre 2018 e 2025:
- 2025: 56%
- 2024: 58%
- 2023: 54%
- 2022: 58%
- 2021: 58%
- 2020: 60%
- 2019: 60%
- 2018: 64%
A pesquisa também revelou que 54% das pessoas concordam que o casamento é necessário para a formação de famílias fortes. Dessas, 19% “concordam fortemente”, 16% “concordam” e 17% “concordam parcialmente”.
A porcentagem geral caiu em relação aos 59% de pessoas que concordaram em 2018. Dessas, 26% disseram “concordar fortemente”, 18% disseram “concordar” e 13% disseram “concordar parcialmente”.
Além disso, a porcentagem geral de pessoas que concordam que o casamento é necessário para criar famílias fortes tem oscilado entre 2018 e 2025:
- 2025: 54% concordam.
- 2024: 57% concordam.
- 2023: 51% concordam.
- 2022: 55% concordam.
- 2021: 52% concordam.
- 2020: 54% concordam.
- 2019: 54% concordam.
- 2018: 59% concordam.
“O padrão é claro: a pesquisa revela que o grupo que concorda ‘fortemente’ com essas afirmações diminuiu em cerca de 7 a 10 pontos percentuais ... e o grupo que apenas ‘concorda parcialmente’ está crescendo, com algumas pessoas, nos últimos anos, deixando de concordar.”
“Tudo isso está em consonância com a ideia de uma crescente indiferença em relação ao casamento como instituição importante para as famílias. Ainda existe concordância, mas apenas ‘em certa medida’.”
Outras afirmações na pesquisa incluem: “Estar legalmente casado não é tão importante quanto ter um senso pessoal de compromisso com o parceiro” (54% concordam, um aumento em relação aos 51% do ano passado e 44% em 2018); “O casamento é antiquado e ultrapassado” (17% concordam, a mesma porcentagem que no ano passado, mas um aumento em relação aos 14% em 2018); e “o casamento é mais um fardo do que um benefício para os casais” (15% concordam, uma queda em relação aos 17% do ano passado, mas um aumento em relação aos 14% em 2018).


