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Dan Belnap: Minha história favorita do Velho Testamento, o que aprendi com ela e como abençoou minha vida

Professor da BYU compartilha mensagem inspiradora de Isaías 7-8, convidando a ‘acautelar-se, aquietar-se [e] não temer’

Disponível em:Inglês

Não tenho certeza se tenho apenas uma “história favorita do Velho Testamento”, uma vez que esse livro de escrituras está repleto de relatos e ensinamentos que têm significado, ou memória, para mim em diferentes momentos de minha vida.

Por exemplo, o relato de Eliseu, sua cabeça calva e as ursas descritas em 2 Reis 2:23-24, sempre me farão sorrir pela forma como meus filhos riram do absurdo da história (um dos meus filhos, mais tarde, desenhou essa narrativa — acho que ainda tenho o desenho na porta do meu escritório).

Dan Belnap é professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.
Dan Belnap é professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young. | Donovan Kelly, BYU

As narrativas da Criação e do Jardim do Éden continuam profundas em seu significado, tanto na compreensão da natureza da obra de Deus quanto no meu próprio desenvolvimento espiritual.

Mas se eu fosse obrigado a escolher, provavelmente escolheria Isaías 7-8. Os capítulos narram as interações de Isaías com Acaz, rei de Judá. A narrativa é situada no contexto histórico do que é conhecido como o conflito siro-efraimita, que, por sua vez, está relacionado ao contexto mais amplo do Império Neoassírio e sua expansão para o Levante. A força dos assírios era tamanha que nenhuma das nações menores conseguiria resistir sozinha a um ataque assírio e, portanto, acreditavam que sua sobrevivência dependia da formação de coalizões para enfrentar o poderio assírio.

De acordo com os relatos bíblicos em 2 Reis e 2 Crônicas, uma dessas coalizões, o reino da Síria e o reino do norte de Israel, liderados por Rezim e Peca, respectivamente, atacou Judá durante o reinado de Acaz, presumivelmente com a intenção de instalar um novo rei que estivesse disposto a entrar em sua aliança. É aqui que começa o relato de Isaías.

Isaías 7

Isaías 7 começa com Acaz sendo informado de que “a Síria fez aliança com Efraim”, o que fez com que ele e “o coração do seu povo” tremessem e se agitassem “como se agitam as árvores do bosque com o vento” (versículo 2). Para lidar com essa crise, o Senhor diz a Isaías para levar seu filho, Sear-Jasube, e encontrar Acaz “ao fim do canal do tanque superior, ao caminho do campo do lavandeiro” (versículo 3). Infelizmente, não está claro exatamente onde isso estava localizado em Jerusalém, mas seja onde for, quando Isaías chegou lá com seu filho, ele deu o seguinte conselho profético: “Acautela-te, e aquieta-te, não temas, nem se desanime o teu coração” (versículo 4). O contexto, é claro, era a suposta ameaça da Síria e de Israel, mas o que considero significativo é o quão aplicável essa instrução é hoje.

Assim como a antiga Judá, muitas vezes somos subjugados pelo que parecem ser crises insuperáveis e inevitáveis. Contudo, se “nos acautelarmos, nos aquietarmos e não temermos”, poderemos descobrir que nossos desafios são menos formidáveis do que aparentam ser.

Assim como a Síria e Israel, referidas pelo profeta como “tições fumegantes” (versículo 4), essas situações podem ser mais fumaça do que fogo. Distinguir entre as duas, porém, pode ser difícil. É aqui que entra a instrução. Acautelar-se significa ser observador, estar ciente, até mesmo discernir, tudo isso podendo ser aprimorado pelo Espírito, que, como observa Jacó, “fala de coisas como realmente são e de coisas como realmente serão” (Jacó 4:13).

Uma família estuda as escrituras em Chicago, Illinois.
Uma família estuda as escrituras em Chicago, Illinois. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

No contexto de Isaías 7, entender o quão pequena era a ameaça que a Síria e Israel realmente representavam, em comparação com a “fumaça” que emanava, teria sido um alívio para Acaz. Da mesma forma, todos nós podemos receber a perspectiva divina, enxergar o panorama geral ou reconhecer a estratégia a longo prazo, colocando nossos desafios na devida perspectiva.

Fazer isso pode levar à paz ou a “aquietar-se”. Embora não seja tão claro em inglês, o termo hebraico original de “aquietar-se” é causativo, em vez de passivo, o que significa que poderíamos traduzi-lo como “causar quietude” ou “encontrar repouso”, algo que pode ser alcançado ao discernir verdadeiramente a própria situação em relação à vontade divina.

Quanto ao mandamento de Deus para “não temer”, ele se encontra em todo o Velho Testamento, frequentemente acompanhado de uma promessa de que Deus está ciente, velando e cuidando do indivíduo. Em Isaías 7, Deus prometeu a Acaz que os planos de Rezim e Peca não subsistiriam, nem tampouco aconteceriam (versículo 7). De maneira semelhante, também nos é prometido que Deus está conosco e, portanto, não precisamos temer.

É claro que confiar em tais promessas nem sempre é fácil, especialmente quando não sabemos quando elas se cumprirão. Isaías 7:8 Então, para dar um motivo para confiar Nele, Deus disse a Acaz que ele poderia pedir qualquer sinal, “seja embaixo nas profundezas ou em cima nas alturas” que servisse como evidência do cumprimento das promessas de Deus (versículo 11).

Nisto, podemos reconhecer o princípio da fé. Muitas vezes, a fé é entendida como falta de conhecimento. Mas talvez seja melhor entender a fé como o conhecimento de que Deus cumprirá Suas promessas por causa daquelas que Ele cumpriu no passado. Em outras palavras, o “sinal” teria proporcionado a Acaz o conhecimento imediato de que Deus estava com ele, lhe permitindo confiar em Deus e no que Ele disse que faria. Da mesma forma, muitas vezes recebemos nossos próprios sinais, essas ternas misericórdias, que revelam que Deus ainda está conosco, mesmo que Suas promessas ainda não tenham se cumprido plenamente.

Infelizmente, Acaz não aceitou a oferta de Deus, então Deus deu o Seu próprio sinal: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. ... Antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra que abominas será desamparada dos seus dois reis” (versículos 14, 16).

A maioria dos leitores da Bíblia está familiarizada com o cumprimento dessa profecia no Novo Testamento, com Mateus interpretando o nascimento de Cristo por meio de Maria, a partir desses versículos. Contudo, parece também que se tratava de uma profecia contemporânea para Acaz, sendo que a palavra hebraica para “virgem” significa simplesmente uma “moça”, geralmente em idade de se casar. Nessa perspectiva, Acaz foi informado de que uma criança nasceria durante sua vida e que, na primeira década de vida dessa criança, os reis das duas nações que causavam problemas teriam desaparecido. O nome da criança, Emanuel, significa “Deus conosco”, destacando a maneira como o sinal de Deus indicaria a promessa. Quanto ao significado da criança, ele é melhor compreendido por meio do nome da próxima criança.

Isaías 8

Quanto ao mandamento de Deus para “não temer”, ele se encontra em todo o Velho Testamento, frequentemente acompanhado de uma promessa de que Deus está ciente, velando e cuidando do indivíduo.Isaías 8 começa com Deus revelando a Isaías um nome, Maer-Salal-Has-Baz, que significa algo como “a destruição é iminente”, uma aparente referência à ameaça iminente dos assírios: “Porque antes que o menino saiba chamar meu pai, ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco, e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria” (versículo 4).

Embora a explicação faça referência explícita ao problema mais imediato da Síria e de Israel, Judá também é avisado de que, por não terem “ido mansamente” (se acautelando e se aquietando?), mas sim “se regozijado” com a queda de Rezim e Peca, os assírios invadiriam Judá como uma inundação: “as águas do rio, fortes e impetuosas, o rei da Assíria, com toda a sua glória,... passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele e chegará até o pescoço” (versículos 6-8). E assim como na crise anterior, Deus prometeu que, se Judá confiasse nele, ele estaria lá para ajudá-los.

Crianças se reúnem de perto enquanto seu pai lê e as ajuda a aprender das escrituras.
Crianças se reúnem de perto de seu pai enquanto ele lê e as ajuda a compreenderem as escrituras. | The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints

Alguns versículos depois, o Senhor diria a Isaías que ele e seus filhos foram dados como “sinais e para maravilhas em Israel, da parte do Senhor dos Exércitos” (versículo 18). Certamente, as responsabilidades proféticas de Isaías abençoaram Israel, mas a menção a “filhos” sugere que os filhos de Isaías podem ser identificados com os três nomes, sendo que os próprios nomes funcionam como uma promessa profética completa.

Em outras palavras, podemos ler os três nomes como partes de uma profecia. Começando pelo mais novo, podemos ler “Maer-Salal-Has-Baz”, ou seja, “coisas ruins acontecerão e podem acontecer rapidamente”, mas “Emanuel” (“Deus está conosco”), portanto, “Sear-Jasube”. Muitas vezes esquecido em detrimento da importância dos filhos mais novos, o nome do filho mais velho de Isaías talvez seja o mais significativo: “um remanescente retornará”, uma promessa simples, porém profunda, de redenção.

As promessas divinas refletidas nos nomes dos filhos de Isaías permanecem tão verdadeiras hoje quanto no século VIII a.C. Todos nós enfrentamos nossos incêndios e inundações. Às vezes, são inesperados; às vezes, como Acaz, nós mesmos os provocamos. E às vezes não conseguimos distinguir a fumaça da chama. Mas, nesses momentos, podemos ter a certeza de que Deus está conosco e, ao depositarmos nossa confiança Nele, podemos saber que a redenção virá, sempre virá. Então, à luz dessa promessa, tudo o que precisamos aprender é “acautelar-nos, aquietar-nos e não temer”.

Dan Belnap é professor de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young.

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