Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias conhecem a história de como o jovem Joseph Smith foi inspirado a orar, após ter lido Tiago 1:5, uma experiência que o levou à Primeira Visão.
Talvez menos conhecida seja a edição da Bíblia que Joseph Smith leu naquele dia, a versão do Rei Jaime, e as muitas camadas de sua tradução para o inglês.
“Hoje em dia, as pessoas gostam de se referirem ao ‘hebraico original’ quando analisam o Velho Testamento, e não percebem que existem camadas ainda mais antigas”, disse Josh Sears, professor associado de Escrituras Antigas na Universidade Brigham Young. “Porque provavelmente já existiam traduções naquela época para registrar esses textos em hebraico no Velho Testamento.”
É por isso que ele vê a atualização recente do Manual Geral da Igreja, que permite maior flexibilidade no uso de diferentes traduções da Bíblia, como algo positivo. A realidade é que a linguagem está sempre mudando, disse Sears, e isto “não é motivo para se temer”.
“Observamos ao longo da história que, à medida que a linguagem das escrituras se distancia cada vez mais da linguagem falada, há sempre a necessidade de atualizá-la e modernizá-la”, disse ele.
A Igreja anunciou a atualização do manual em 16 de dezembro de 2025. A seção 38.8.40.1 afirma que, embora os membros da Igreja geralmente devam usar uma edição da Bíblia de sua preferência ou publicada pela Igreja nas aulas e reuniões, “outras traduções da Bíblia também podem ser usadas”. Algumas pessoas podem se beneficiar de traduções que sejam doutrinariamente claras e também mais fáceis de se entender.”
Élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, que preside o Comitê das Escrituras da Igreja, disse na época do anúncio que “é evidente que os filhos de Deus estão mais inclinados a aceitarem e seguirem Seus ensinamentos quando conseguem compreendê-los.”
Ele continuou: “Como santos dos últimos dias, podemos obter conhecimento com confiança a partir de múltiplas traduções, em parte porque ‘também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus’ (Regras de Fé 1:8). As escrituras modernas, incluindo os ensinamentos dos profetas vivos, são um bom padrão para avaliarmos quaisquer discrepâncias doutrinárias que possam surgir em diferentes traduções da Bíblia.”
Uma ‘longa história’ de tradução

Em um podcast do Church News [em inglês], Sears afirmou que, embora a maior parte do Velho Testamento tenha sido escrita em hebraico, a própria língua hebraica só se desenvolveu por volta do século XII a.C., o que significa que, quando os israelitas escreveram o Velho Testamento em hebraico, estavam traduzindo do dialeto cananeu.
Mais tarde, os babilônios fizeram prisioneiros judeus, que aprenderam aramaico e perderam o idioma hebraico. Com o tempo, eles teriam aprendido as histórias do Velho Testamento traduzidas do hebraico para o aramaico.
Essas mudanças nos padrões linguísticos continuaram nos tempos do Novo Testamento, prosseguiu Sears, observando que os primeiros cristãos escreveram o Novo Testamento em grego. O latim se tornou posteriormente a língua predominante do cristianismo, seguido por traduções para o inglês, francês, alemão, espanhol e inúmeras outras línguas ao redor do mundo.
“Então, na época de Joseph Smith, voltando ao ponto de partida, o Profeta Joseph Smith já tinha a versão do Rei Jaime, e o idioma já tinha várias centenas de anos quando ele a leu”, disse Sears.
Ele prosseguiu dizendo que o próprio Joseph Smith compilou a Tradução de Joseph Smith da Bíblia, “parte de uma longa história em que Deus deu revelações aos Seus filhos, e essas revelações tiveram que ser escritas, registradas, preservadas e traduzidas para comunicar o que Deus queria que Seus filhos soubessem”.
Uma ferramenta para se compreender a palavra de Deus

Sears disse que, em última análise, a tradução é uma ferramenta para se compreender a palavra de Deus. O objetivo não é apenas entender o que alguém disse antigamente, mas sim conectar-se com o Pai Celestial e Jesus Cristo por meio do Espírito Santo.
Sears disse que as pessoas às vezes se frustram com pequenas diferenças entre as traduções e, embora possa valer a pena explorar essas diferenças, “os propósitos maiores que as escrituras servem podem ser bem atendidos por qualquer uma das versões. …
“Enquanto as escrituras nos apontarem para Jesus e nos ajudarem a nos aproximarmos Dele e a assumirmos a Sua natureza, elas estarão cumprindo seu papel, independentemente de qual variante seja considerada a correta.”
Sears acrescentou que não existe uma maneira certa de se estudar as escrituras; cada pessoa deve experimentar diferentes abordagens e descobrir o que funciona melhor para si.
Ele disse que várias traduções podem ajudar as pessoas a gastarem menos tempo tentando entender as palavras em si e mais tempo descobrindo como essas palavras podem ajudá-las a se aproximarem do Salvador.
“Sou grato pelas adições, versões e traduções, por tudo o que posso obter para ter uma compreensão mais profunda de Jesus Cristo”, disse Sears. “E reunir tudo isso, comparar e absorver toda a verdade que elas contêm tem sido uma bênção maravilhosa.”


