CAMBRIDGE, Massachusetts — Isaac Clayton, um estudante do segundo ano do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde cursa Matemática e Ciência da Computação, sabe que desenvolver sua fé tem sido uma das partes mais importantes de sua formação.
“É ótimo conhecer assuntos técnicos complexos, mas ser discípulo de Jesus Cristo ensina muitas coisas sobre como viver a vida que terão impacto a longo prazo”, disse ele.
Nesta cidade densa e de forte vocação acadêmica de Cambridge, Massachusetts, e na vizinha Boston, jovens adultos solteiros membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão se esforçando para obterem um nível superior de educação e para fortalecerem e viverem sua fé.
Há cerca de 50 faculdades e universidades na região metropolitana de Boston. Os membros da Igreja que vieram para a região para estudar compõem três alas do JAS e frequentam o Instituto de Religião de Cambridge, Massachusetts. De 80 a 100 jovens adultos solteiros se reúnem na sede do Instituto todas as quartas-feiras.
Clayton, que cresceu viajando pelo mundo por causa do trabalho de seu pai, é o segundo conselheiro no bispado da Ala Mount Auburn de Jovens Adultos Solteiros, um chamado que o surpreendeu, mas que o ensina muito.
Antes de seu chamado, ele pensava que o bispado fazia tudo na ala, mas agora vê o quanto os membros da ala tomam a iniciativa para edificarem Sião. “Isso realmente me ensinou que a Igreja é liderada por Jesus Cristo. Porque não há como ela ser tão organizada se uma só pessoa fosse responsável por tudo”, disse ele.
Elise Jarvis, estudante de Relações Internacionais e Ciência de Dados da Boston College, e natural de Salt Lake City, disse que as pessoas podem presumir que ser uma pessoa de fé seja algo alienante, em meio a tantas que acreditam em algo diferente ou mesmo não acreditam em nada. Mas ela vê isso como uma grande bênção.
“Temos mais oportunidades de compartilharmos essa luz e fé com as pessoas ao nosso redor”, disse ela.

Chloe Call, uma estudante da Universidade de Harvard, natural de Draper, Utah, que estuda História e Literatura Germânica, disse que vir para o leste parece fazer parte de seu papel na nova geração da Igreja de coligar Israel.
“As pessoas são curiosas e precisam de bons exemplos em suas vidas”, disse ela. “Todo estudante santo dos últimos dias que conheço e que se destacou ao morar aqui impactou as pessoas ao seu redor, tanto dentro quanto fora da Igreja.”
Grandes encontros e pequenos grupos
Jarvis e Call também frequentam a Ala Mount Auburn de Jovens Adultos Solteiros com Clayton. Call disse que a congregação é unida e também acolhedora. Seus membros vêm de diferentes origens, têm interesses e talentos diversos e frequentam muitas universidades diferentes.
E Jarvis disse que a ala tem “uma bela cultura de amor e aceitação.”
“Ir à igreja aos domingos é como estar em casa”, disse ela. “Os domingos são uma alegria. Podemos nos reunir para estar com o Senhor e com outras pessoas.”
Jarvis, que faz parte do conselho da ala, disse que eles tentam alcançar todos os jovens adultos solteiros que possam estar mais distantes, tanto geograficamente quanto de outras maneiras. A ala não só quer ser acolhedora e construir uma comunidade, mas também ajudar cada membro a se aproximar de Jesus Cristo.
Muitos jovens adultos solteiros da Igreja na região trazem amigos para as atividades do Instituto. Todas as quartas-feiras à tarde, o edifício abre às 15h para que qualquer pessoa possa vir estudar ou passar um tempo com os amigos. Depois, todos jantam juntos às 18h e as aulas do Instituto começam às 19h.

As alas do JAS da região se reúnem às segundas-feiras para a noite familiar e, para outras atividades, uma vez por mês. Além dos grandes encontros e atividades, grupos menores de membros também ajudam todos a encontrarem um lar e um senso de pertencimento, disse Jarvis.
Grupos divididos por faculdade ou universidade também podem ter uma mistura de jovens adultos solteiros e casais. Por exemplo, Clayton disse que um casal organiza uma noite de jogos de tabuleiro toda semana em seu apartamento para outros estudantes do MIT.
Eles se apoiam mutuamente; grupos de amigos costumam ir aos eventos e campi uns dos outros, como assistirem a Clayton remar pelo MIT, ou irem a peças de teatro, concertos, competições e muito mais. Os membros das alas do JAS saem em encontros juntos e se “formam” quando se casam.
Além do aspecto social dos grupos, das atividades do Instituto e das alas, Jarvis disse que o objetivo geral é aproximar os jovens de Jesus Cristo, ajudá-los a se envolverem com as escrituras, a adorarem no templo, a fortalecerem a fé e a aprofundarem a conversão.

Bem-vindos e desejado
Jarvis disse que, embora haja apenas um pequeno grupo de santos dos últimos dias na Boston College, o campus é acolhedor para pessoas de todas as religiões e ela sente que pode compartilhar sua fé com facilidade. Um de seus professores do primeiro ano acompanhou com interesse sua missão de tempo integral em Portugal.
Segundo Call, Harvard tem cerca de 20 estudantes membros da Igreja. Ela aprecia não se sentir sozinha, mas também a oportunidade de crescer. Seu primeiro ano na região de Boston foi marcado por um choque cultural. Mas ela sabia que encontraria rostos amigáveis no Instituto nas noites de quarta-feira.
“Eles enfatizaram: venha como você é; nós queremos você aqui. Saber que existe um lugar onde você não só é bem-vindo, mas também desejado é algo realmente maravilhoso”, disse Call.
Clayton, que serviu em uma missão de tempo integral na Missão Brasil Porto Alegre Norte, disse que alguém do MIT, que também é membro da Igreja, o ajudou a saber para onde ir no seu primeiro domingo em Cambridge.
“Foi simplesmente maravilhoso”, disse ele. “Espero que mais pessoas venham aqui. Precisamos de pessoas justas em todos os lugares. Precisamos de pessoas boas em todos os lugares.”
Seja um construtor
Os alunos falaram com o Church News no mesmo dia em que Élder Clark G. Gilbert, do Quórum dos Doze Apóstolos, falou aos docentes e alunos da Universidade de Harvard sobre a necessidade de se ter mais fé na esfera pública.
O desenvolvimento da fé deve fazer parte da educação universitária, disse Clayton. Isso vai além de uma instituição simplesmente dizer que apoia a fé; ela também deve implementar políticas nesse sentido e incluí-la em sua infraestrutura.
Por exemplo, pessoas religiosas geralmente vêm de famílias grandes; então, ao calcular o auxílio financeiro, a instituição leva em consideração os irmãos do estudante? Pessoas religiosas também valorizam o casamento e os filhos; então, como os campi podem apoiar estudantes que estão aumentando suas famílias?
Às vezes, disse Call, um membro santo dos últimos dias em uma universidade secular se destaca e chega um momento em que ele ou ela precisa se manifestar e defender suas crenças. Os crentes silenciosos também são notados e podem servir de exemplo.
“Se você vai viver sua fé em um lugar como este, você não pode deixar de ser um construtor”, disse ela.
Em relação ao Instituto e à ala de jovens adultos solteiros, Call disse: “Quanto mais você se envolver, melhor será. Você pode simplesmente aparecer ou pode participar, e quando participa, você aproveita mais, faz bons amigos. Você colhe o que planta.”






