Nota do editor: Em março de 2026, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias publicou 10 vídeos de discussão para mulheres na Biblioteca do Evangelho, com a participação dos 10 membros do conselho consultivo geral da Sociedade de Socorro.
Os membros do conselho escreveram para o Church News sobre os cinco tópicos dos vídeos. Este é o segundo de uma série de cinco artigos e aborda o tema “Gerenciar prioridades concorrentes”. Leia aqui a primeira parte sobre "Encontrar força e alívio em Jesus Cristo”.
Gerenciar prioridades concorrentes é um dos principais desafios da vida. As responsabilidades nos atraem a direções diferentes: família, trabalho, crescimento pessoal e serviço ao próximo. No entanto, um princípio unificador surge quando ancoramos nossas prioridades no que mais importa: amar a Deus e amar ao próximo.
Jesus ensinou sobre prioridades quando disse: “Portanto, não busqueis as coisas deste mundo, mas buscai primeiro edificar o reino de Deus, e estabelecer a sua retidão, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Tradução de Joseph Smith, Mateus 6:38; em Mateus 6:33, nota de rodapé a).


“‘Buscar... primeiro edificar o reino de Deus’ significa colocar Deus e Sua obra como prioridade principal”, explica Presidente Dallin H. Oaks (“Enfoque e prioridades”, conferência geral de abril de 2001).
A realidade é que não existem duas vidas iguais. Alguns de nós estão criando filhos, outros estão envolvidos em famílias desestruturadas, outros estão apoiando familiares e outros estão trilhando seus próprios caminhos. Como as circunstâncias variam tanto, o gerenciamento de prioridades não pode se basear em uma lista de verificação única. Em vez disso, deve ser fundamentada em princípios que transcendam as circunstâncias.
Colocar Deus em primeiro lugar é o princípio fundamental. Por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, o Pai Celestial proporciona um centro estável, permitindo que as pessoas organizem seu tempo e energia de maneiras que reflitam valores eternos, em vez de pressões passageiras.
O tempo, em particular, se torna uma medida reveladora de prioridades. Como observou Presidente Oaks em seu discurso na conferência geral de abril de 2001, “Nossas prioridades se evidenciam na maneira como usamos nosso tempo.”
Essa percepção convida a uma reflexão honesta sobre nós mesmos. Ao examinarmos nossos hábitos diários — como despendemos nosso tempo, o que priorizamos e o que negligenciamos — obteremos maior clareza sobre se nossa vida está alinhada ao que consideramos mais importante. Este tipo de avaliação não visa gerar culpa, mas sim inspirar um realinhamento.
Quando o uso do nosso tempo reflete devoção a Deus e serviço ao próximo, as prioridades concorrentes começam a se harmonizar, em vez de entrarem em conflito.
Um conceito poderoso que auxilia esse processo é a ideia de “lembrai-vos, lembrai-vos”. Este convite repetido nas escrituras aponta para uma tendência humana fundamental: nós esquecemos. Nós nos esquecemos das bênçãos passadas, das orientações anteriores e das maneiras pelas quais fomos sustentados em meio às dificuldades. Em momentos de novos desafios, podemos nos sentir como se estivéssemos enfrentando a incerteza sozinhos.
Mas recordar experiências passadas com nosso Salvador fortalece a confiança. Isso nos assegura que, assim como fomos guiados antes, seremos guiados novamente.
Esta confiança é essencial para gerenciarmos demandas concorrentes. Quando confiamos em Deus, ficamos menos ansiosos com os resultados e mais focados em agir com fé. Os desafios não desaparecem, mas se tornam mais administráveis.
Como a presidente Camille N. Johnson, presidente geral da Sociedade de Socorro, ensinou recentemente, “Vocês podem enfrentar as dificuldades com Jesus ou podem enfrentá-las sozinhas. Essa escolha é sua. Mas quando enfrentam as dificuldades com Jesus Cristo, o difícil se torna santo. Vocês se tornam mulheres santas” (“Mulheres santas concentram-se em Jesus Cristo”, devocional mundial da Sociedade de Socorro, março de 2026).
Mesmo em meio às dificuldades, pode haver resiliência e até alegria. Esta perspectiva confere um novo significado à adversidade, não como evidência de que algo está errado, mas como parte de uma jornada maior e com propósito.
A reflexão sobre prioridades também pode ser abordada sob a perspectiva da criação. Cada escolha sobre como gastamos nosso tempo é, em essência, uma decisão sobre o tipo de vida que estamos criando.
Em vez de reagir às exigências conforme surgem, podemos agir intencionalmente, perguntando: O que eu quero que minha vida se torne? Quando Deus é o alicerce desta criação, outros elementos, como carreira, relacionamentos e responsabilidades, encontram seu devido lugar. Eles deixam de ser forças concorrentes e se tornam componentes de um todo coeso.
Esta perspectiva muda o foco do que fazemos para quem estamos nos tornando. Em vez de nos definirmos pela profissão ou pela produtividade, passamos a nos definir pelo caráter e pelo discipulado.
O amor por Jesus Cristo e a devoção ao Pai Celestial se tornam uma “Estrela Polar”, orientando decisões grandes e pequenas. Isto também convida à orientação espiritual. Ao procurarem permanecer perto do Espírito, as pessoas podem receber orientação. Doutrina e Convênios 50:41 diz: “Não temais, filhinhos, porque sois meus.”
— As irmãs Sharlene Miner e Garna Mejia são membros do conselho consultivo geral da Sociedade de Socorro