A música e as melodias vêm primeiro à mente do compositor Alan L. Patterson. Depois, ele reflete sobre o tema, a história, as escrituras e as palavras que a acompanham.
No caso de “Elias e a mansa voz”, uma nova canção infantil em “Hinos para o Lar e para a Igreja”, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a música tinha “um som um pouco exótico, algo diferente. E tinha um certo tom de mistério”, disse Patterson.
Isso o fez pensar no Velho Testamento. E então, por causa de sua própria experiência de conversão, ele pensou no Espírito Santo.
Patterson se lembra de ter lutado contra uma longa depressão aos 14 anos. Ele se lembrou da promessa do Livro de Mórmon de que, para aqueles que o lessem e pedissem a Deus, Ele “vos manifestará a verdade [dele] pelo poder do Espírito Santo” (Morôni 10:4).
Todas as noites, Patterson lia o Livro de Mórmon e orava. Mas ele não obteve a manifestação que buscava. Ele encontrou Doutrina e Convênios 11:25, que diz: “Não negues o espírito de revelação, … porque ai daquele que nega essas coisas.”
Ele percebeu que, se recebesse a revelação, teria que mudar, mas queria que o Senhor o fizesse feliz sem que ele precisasse mudar.
“Foi então que eu disse: ‘OK, farei o que Tu quiseres que eu faça.’’ E foi aí que a experiência aconteceu, algo que eu nunca havia sentido, algo belo, a manifestação do Espírito Santo. E era frágil. Era calma. Era maravilhosa. Era bela. Era como uma luz brilhando através de mim”, disse ele.
A história de Elias, o Profeta
Com o Espírito Santo em mente, Patterson também refletiu sobre qual história do Velho Testamento poderia se encaixar à melodia.
“E então veio a história de Elias, o Profeta”, disse ele.
Elias havia realizado grandes feitos entre o povo pelo poder de Deus, mas acabou fugindo para salvar a própria vida. Desanimado e precisando de orientação, ele foi ao Monte Horebe para buscar a Deus.
Enquanto estava lá, um vento forte, um terremoto e um fogo passaram, mas ele percebeu que Deus não estava em nenhum deles. Depois do fogo, Elias ouviu uma “voz mansa e delicada” (1 Reis 19:12) e finalmente recebeu a direção que buscava.

Os dois filhos mais velhos de Patterson são surdos, o que ajudou ele e sua esposa a perceberem que as palavras audíveis não são a única forma de comunicação.
“A linguagem de sinais se tornou uma forma de transmitir significado sem depender de sons audíveis, o que se tornou fundamental para a compreensão das coisas mais importantes”, disse ele.
Isso o levou a tentar compreender o Espírito a partir de uma perspectiva experiencial. A letra da música originalmente falava sobre Elias, o Profeta, sentindo a voz mansa e delicada, mas Patterson mudou para “ouvir”. Ele sabia que todos podem aprender a “ouvir” o Espírito Santo de maneiras pessoais.
E embora o Senhor use trovões, fogo e terremotos, “essas coisas nos direcionam à voz maior, que é a voz do Seu Espírito. A mensagem sempre vem por meio da voz mansa e delicada”, disse Patterson.
Simbolismo na melodia
Patterson queria duas estrofes para que a música fosse curta e simples para as crianças aprenderem. Ele também queria que fosse vívida e repleta de imagens.
“A melodia precisa ser tão impactante quanto a letra. Precisa ser fácil de cantar. Se a pessoa não terminar a música cantarolando, sinto que falhei”, disse Patterson.
As partes de harmonia também têm uma função; por exemplo, as notas da linha do tenor oscilam e crescem, como a sensação do vento, que coincide com o vento que Elias, o Profeta, ouve.

A música possui uma estrutura ABA, em que a primeira seção, A, é seguida por uma seção intermediária diferente, B, e termina de forma semelhante à primeira. A diferença é que, neste caso, o final oferece uma conclusão que revela o significado da letra.
“A primeira seção A é uma espécie de introdução. Elias, o Profeta, está no topo de uma montanha, ouvindo, querendo saber algo. Então entra a seção B, com certa tensão. Há uma certa dissonância. Tem um tom de anseio. O tom sobe, indicando que os acontecimentos desta segunda seção estão ocorrendo. Depois vem a última seção A. Ela repete a primeira seção, mas de forma mais triunfante. Elias, o Profeta, aparece. Ele recebe sua resposta. A voz mansa e suave surge”, explicou Patterson.
O último acorde da música não termina em uma quinta, ou nota dominante, mas sim em uma terça, o que, segundo Patterson, acrescenta beleza e um toque inesperado.
Graças ao Espírito, “algo mudou em Elias, o Profeta”, disse Patterson. “Ao final da música, você, como pessoa, é transformado. … Na verdade, a música está prestando testemunho do propósito e do dom do Espírito Santo.”
1. Foi Elias ao monte orar,
Queria ele a Deus escutar.
O vento soprou e a terra tremeu,
Um fogo bem forte ali se acendeu.
Mas depois bem feliz se sentiu,
A mansa voz, por fim, ouviu,
Por fim, ouviu.
2. Deus a nós também quer falar,
Nós precisamos só escutar.
Não vamos ouvir o som de um trovão,
Mas bons sentimentos a nós chegarão.
Alegria nós vamos sentir
E a mansa voz também ouvir,
Também ouvir.

