JOE’S VALLEY, Utah — Os primeiros versículos do Livro de Mórmon oferecem um vislumbre da família de Leí e Saria e de sua vida em Jerusalém, sob a perspectiva de seu filho, Néfi.
Milhares de anos depois, a forma como as famílias compartilham suas histórias evoluiu, passando das inscrições em placas de metal à digitação, às gravações em áudio e ao armazenamento em nuvem.
Manter essas histórias vivas e presentes para os membros da família ainda vivos é uma tarefa um pouco diferente de protegê-las para as gerações futuras. No reencontro deste ano da família de Abinadi e Hannah Olsen em Joe’s Valley, Utah, tios, tias e primos se dirigiram ao microfone e compartilharam histórias de familiares que descobriram ao longo dos anos.
Anne Carroll Peterson Darger, bisneta de Hannah e Abinadi Olsen, falou sobre seu pai, Nad Alma Peterson. Ela contou que seu pai pesava apenas 900 gramas ao nascer, em 1926, e que não se esperava que ele vivesse mais do que alguns dias. Contrariando as expectativas, ele viveu até os 90 anos.
“Papai nunca faltou um dia de aula e sempre enfatizou e considerou um privilégio poder proporcionar a educação de seus cinco filhos”, disse Darger. Como exemplo para os filhos, ele estudou na Universidade de Utah e na Universidade George Washington, onde se formou em Direito, após ter servido na Segunda Guerra Mundial como marinheiro de primeira classe na Marinha dos EUA.
“Com apenas 30 anos, ele se tornou bispo na Ala Alexandria, com a difícil tarefa de construir a bela capela da Ala Alexandria”, disse Peterson Darger. Ele serviu em vários outros chamados ao longo do resto de sua vida.
Nancy Brown, bisneta de Hannah e Abinadi Olsen, compartilhou uma história sobre seus tios, Don Dee Olsen e Homer Nad Olsen. Homer Olsen morreu enquanto servia na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, aos 33 anos. Don Olsen viveu até quase os 80 anos e era conhecido, em parte, por ser o fotógrafo da família, sempre usando “seu macacão de mangas curtas com zíper”, disse Brown.
Ela contou que Homer Olsen gostava tanto do livro “Vinte mil léguas submarinas”, de Júlio Verne, que decidiu construir um aparelho de mergulho que lhe permitisse realizar resgates subaquáticos em lagos da região de Utah.
“Quando [Homer] tinha apenas 19 anos, depois de um ano de faculdade, ele e um amigo gastaram US$ 300 e um ano inteiro comprando, consertando e testando um traje e um capacete de mergulho”, disse Brown.
Na semana seguinte ao primeiro teste bem-sucedido do aparelho, dois barcos de pesca de alumínio colidiram no reservatório de Pineview, a uma hora ao norte de Salt Lake City. Um dos barcos afundou e Homer Olsen foi chamado para fazer seu primeiro, e talvez único, mergulho de recuperação, disse Brown.
Em 2026, mais de 600 “primos de Joe’s Valley”, como muitos na família se autodenominam, participaram do reencontro da família Olsen. Devido à extrema seca, não houve histórias contadas ao redor da fogueira este ano. Mas ainda assim, muitas histórias foram compartilhadas nas trilhas, no lago ou sob tendas improvisadas.
Shanna Olsen Spencer é neta de George Olsen, o filho caçula de Hannah e Abinadi Olsen. Ela criou um acróstico com o nome de seu pai, Paul. Ela disse que ele era paciente, divertido, discreto e leal.
“Ele nunca quis ser o centro das atenções. Ele simplesmente servia e fazia as coisas discretamente”, disse Olsen Spencer. “Ele nunca quis estar à frente das pessoas; apenas fazia tudo o que precisava ser feito.”
Julie Webster é neta de Farrier “Foyer” e Fae Olsen. Farrier era conhecido pelo seu nome do meio, Foyer, e era o penúltimo filho de Hannah e Abinadi Olsen. Webster falou do amor que seu pai, Fayne Olsen, tinha por ela e seus irmãos.
“Ele amava a família. Era muito dedicado a nós”, disse ela.
“Um dia, ele me disse: ‘Julie, você sabe que é minha filha.’ E eu respondi: ‘Eu sei, pai.’ E ele disse: ‘Não, você é minha filha.’ E eu disse: ‘Eu sei, e você é meu pai.’ E ele disse: ‘Eu sei.’ E eu me lembro disso, e acho que ele provavelmente fez isso com cada um de nós, filhos, e nos disse que éramos seus. E éramos mesmo”, disse Webster.
As reuniões de família não precisam ser construídas em torno das histórias dos antepassados, mas, para muitos na família Olsen, compartilhar as histórias de seus pais e de outros ajuda a uní-los. E, como a família se reúne a cada dois anos, sempre há espaço para contar uma história ou mostrar uma foto recém-descoberta, o que ajuda a fortalecer os laços familiares e a “converter o coração dos filhos a seus pais” (Malaquias 4:6).
