A presidente Camille N. Johnson, presidente geral da Sociedade de Socorro, anunciou na sexta-feira, 7 de agosto, uma doação adicional de US$ 65 milhões à iniciativa da Igreja para ajudar mulheres e crianças.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias convidou líderes de sete organizações humanitárias e não governamentais globais para participarem de seu segundo Consórcio Anual da Iniciativa Cuidar de Mulheres e Crianças, no Edifício de Administração da Igreja, localizado na Praça do Templo, na quinta-feira, 6 de agosto, e na sexta-feira, 7 de agosto.
“Devido ao impacto e à mudança que a forte colaboração estabelecida e nossa confiança neste importante trabalho nos trouxeram, tenho o prazer de anunciar um compromisso de US$ 65 milhões para o terceiro ano”, disse a presidente Johnson.
Com isso, o investimento total da Igreja neste projeto singular chega a US$ 184 milhões ao longo de três anos. No ano passado, a Igreja anunciou uma doação de US$ 63 milhões na primeira reunião do consórcio.
Os resultados da iniciativa, até o momento, mostraram à presidente Johnson o que ela disse que pode acontecer quando “as pessoas se unem em espírito de compaixão.”
Blaine Maxfield, diretor administrativo do Departamento de Bem-Estar e Autossuficiência da Igreja, reconheceu os líderes das diversas organizações que trabalham com a Igreja em 12 países da África e da Ásia.
O verdadeiro impacto deste trabalho reside nas vidas individuais”, disse Maxfield. “Isso é o que mais importa.”
Ele disse que o encontro celebra o progresso que vem sendo realizado em todo o mundo, embora reconheça que ainda há muito trabalho a ser feito.
“Uma mudança duradoura ocorre quando pessoas, famílias e comunidades são capacitadas para cuidarem de si mesmas e umas das outras”, disse ele.
A doação de US$ 65 milhões, anunciada para o próximo ano, demonstra o compromisso da Igreja com o trabalho já realizado e com o que ainda será realizado.
“Ainda temos muito trabalho pela frente”, disse Maxfield.
A presidente Johnson disse que ajudar 52 milhões de mulheres e crianças tem sido uma tarefa imensa. Um ponto que ela espera que as pessoas considerem é que não se tratou de um único esforço para abençoar coletivamente 52 milhões de pessoas. Foi um esforço conjunto para abençoar 52 milhões de filhos do Pai Celestial.
“Acreditamos que cada pessoa é um filho, ou filha, amado de Deus”, disse a presidente Johnson. Esse conhecimento inspira os membros da Igreja a ajudarem a edificar vidas de esperança e oportunidades, afirmou ela.
Dirigindo-se aos presentes, que representavam as sete organizações que trabalham com a Igreja, a presidente Johnson expressou sua gratidão.
“Obrigada por sua amizade, sua liderança e seu compromisso inabalável com este trabalho”, disse ela.
Painel de discussão sobre aprendizados
Após as observações iniciais da presidente Johnson e de Maxfield, líderes de algumas das organizações se juntaram à presidente Johnson em um painel de discussão sobre o que aprenderam, viram e sentiram ao longo dos últimos três anos.
Heather Danton, diretora de segurança alimentar e nutrição da CARE, comparou o trabalho com outras organizações do consórcio a uma colmeia.
“Cada abelha traz uma força única para a colmeia, em benefício de um bem maior”, disse ela. Os resultados almejados pelos consórcios advêm da “capacidade de combinarmos essas áreas de especialização que nenhuma organização possui individualmente.”
Além da Igreja e das organizações com as quais trabalha, Danton afirmou que o trabalho se estende a comunidades, escolas, governos e outros, por meio da colaboração entre eles.
A Dra. Winifred Mwebesa é diretora-geral sênior de saúde global da Save the Children. Ela afirmou que o envolvimento de diferentes organizações é positivo e que elas compartilham a esperança de empoderarem as comunidades para, em seguida, atenderem às próximas necessidades.
“As comunidades precisam assumir a responsabilidade pelos processos e pelos resultados”, disse ela.
Ao trabalharem em conjunto, as organizações evitam a criação de sistemas paralelos e se alinham às prioridades já existentes nas comunidades, afirmou Mwebesa.
O momento certo também é um fator importante para o sucesso do consórcio. Mwebesa explicou que o envolvimento precoce, tanto a nível individual como comunitário, contribui para garantir que as mudanças sejam intergeracionais e não dependam da presença permanente de qualquer organização.
Ana Céspedes é a CEO da Vitamin Angels.
“Cada uma dessas organizações é excepcional”, disse Céspedes. E, como grupos que se destacam em suas áreas, afirmou ela, cada um é capaz de promover mudanças transformadoras, onde quer que esteja presente.
Um exemplo disso surge no âmbito do trabalho do grupo para transformar vidas através da nutrição. Céspedes falou sobre a necessidade de micronutrientes em recém-nascidos. Ela afirmou que a suplementação com vitamina A pode reduzir a taxa de mortalidade infantil em crianças menores de 5 anos em 24%.
A parte do projeto de três anos que mais a impressionou, no entanto, foi a forma como os grupos têm trabalhado juntos em torno de valores compartilhados.
“Isso nos faz compartilhar valores e preocupações uns com os outros, uns sobre os outros e sobre as comunidades que servimos”, disse ela.
Apesar de todo o bem que foi feito nos últimos três anos, Céspedes disse esperar que as pessoas prestem atenção em como tudo isso vem acontecendo.
“Gostaria que as pessoas compreendessem mais profundamente o trabalho que a Igreja está realizando nessas comunidades”, disse ela. “Esta é uma iniciativa inovadora. Ela receberá, e já está recebendo, mais reconhecimento em benefício da saúde de mulheres e crianças em escala global.”
Reed Peterson, CEO da iDE, está no cargo há apenas alguns meses. Mas ele disse que o trabalho que tem visto é impressionante.
“Trabalhar com estas mulheres e com este consórcio é uma verdadeira honra”, disse ele.
Peterson disse que passou um mês recentemente observando o trabalho realizado em diferentes partes da África e que voltou admirado pela forma como os grupos estão trabalhando juntos para alcançarem o sucesso a longo prazo.
“Quando criamos mudanças sustentáveis a longo prazo, aumentamos o impacto econômico”, disse ele.
Para aqueles que procuram uma forma de ajudar mais perto de casa, Peterson disse que a necessidade provavelmente existe mais perto do que eles imaginam.
“E a sua rua? E o seu bairro? E a sua região?”, perguntou ele.
Procurar um lugar para servir abrirá portas que podem não parecer óbvias, disse ele. E passar pelo processo de encontrar uma maneira de usar talentos e recursos também transformará o coração daqueles que servem, acrescentou.
Jenna Recuber, vice-diretora executiva do The Hunger Project, falou sobre a grande responsabilidade que as mulheres em todo o mundo têm de cuidar daqueles que vivem em seus lares.
“As mulheres nos lares têm a principal responsabilidade de suprir as necessidades básicas”, disse ela. “Quando uma mulher recebe apoio e conhecimento, ela não o guarda para si mesma.”
Em um dos casos, disse Recuber, um grupo de 3.500 mães em Gana se tornou educador em seu país e em suas comunidades. Elas ajudaram a criar grupos de apoio entre mães. Mwebesa disse que vê o mesmo acontecendo com mulheres que criam grupos no WhatsApp, para compartilharem informações sobre saúde entre si.
Recuber afirmou que um grupo ajudou as mães “a falarem abertamente sobre seus sentimentos após o parto.”
Por meio dos grupos, elas conseguem se apoiar mutuamente em relação às necessidades de saúde física e mental, disse ela.
A presidente Johnson disse que observar os representantes das organizações enquanto servem, a ajudou a perceber características semelhantes às de Cristo em suas ações.
“Estou muito impressionada com a humildade dessas pessoas, que são especialistas em suas áreas, e com sua disposição em irem a campo e perguntarem às pessoas: ‘Do que vocês precisam? O que vocês acham que nos ajudará a resolver essa situação?’”, disse a presidente Johnson.
Danton afirmou que este tipo de comunicação ajuda o grupo a entender como promover ajustes nos comportamentos cotidianos que podem gerar resultados permanentes.
“Resultados sustentáveis ou melhores resultados na área da nutrição dependem realmente de mudanças na forma como as pessoas fazem as coisas”, disse ela.
E conversar com aqueles que implementam essas mudanças pode revelar mais do que a mera transmissão de conhecimento, explicou Peterson.
“Ouvir em suas vozes a autoconfiança que possuem, a dignidade pessoal”, disse ele.
Ao aprenderem a realizar tarefas que beneficiam outras pessoas em suas comunidades, “elas conseguem gerar renda e agora têm algo para transmitirem aos seus filhos que, por sua vez, podem aprender a mesma habilidade”, disse ele.
A presidente Johnson encerrou a reunião com uma observação:
“Todas as mulheres desejam ter filhos saudáveis. Elas esperam que suas famílias estejam livres de doenças”, disse ela. Trabalhar com outras pessoas que compartilham essa esperança gerou tanto relações profissionais quanto amizades para toda a vida.
“Considero todos eles meus amigos”, disse ela sobre os membros do consórcio.
E para aqueles que procuram sua própria maneira de fazer a diferença, não precisam ir muito longe de casa, disse ela.
“Meu convite a todos vocês é que reconheçam uma pessoa individualmente”, concluiu ela. “Há mulheres que não sabem ler em sua comunidade. Há crianças que passam fome em sua comunidade. Então, se cada um de nós procurar aquela pessoa, esta será a maneira de enfrentarmos estes desafios.”
