LONDRES, Inglaterra — Durante a semana, a capela de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Wembley, um distrito no bairro londrino de Brent, tem uma aparência diferente de um centro de adoração em um típico domingo.
Uma aula de inglês pode estar em andamento. Alguém pode estar aprendendo a fazer arranjos florais comerciais ou a língua de sinais britânica. Um evento de bem-estar pode reunir moradores locais, enquanto líderes religiosos e comunitários se reúnem para discutirem questões que afetam a comunidade.
Para muitos que cruzam as portas do Wembley Outreach Centre [Centro de Apoio de Wembley], é sua primeira experiência em uma capela dos santos dos últimos dias. Para outros, a capela se tornou um lugar onde eles se sentem acolhidos e seguros.

O que começou como um esforço para disponibilizar um edifício da Igreja à comunidade local se transformou em uma rede de amizades e parcerias, em uma das comunidades mais diversas de Londres.
“O Centro de Apoio se tornou um núcleo essencial de amizade, amor e apoio prático”, disse o bispo Chris Clark, da Ala Wembley, Estaca Londres Inglaterra Hyde Park. “Tornou-se uma das formas mais importantes pelas quais servimos à nossa comunidade.”
Uma capela aberta durante toda a semana
Rachel Abeson, moradora da comunidade, costumava passar regularmente pela capela santo dos últimos dias local e sempre se perguntava sobre o que acontecia lá dentro. “Sempre tive curiosidade de saber o que acontecia dentro da [Igreja]”, disse ela. As aulas oferecidas pelo Centro de Apoio de Wembley foram um convite para que Abeson descobrisse por si mesma.

O centro oferece espaço para instituições de caridade locais e organizações comunitárias, e para pessoas oferecerem programas e serviços.
Mas aqueles que estiveram envolvidos dizem que seu impacto não pode ser medido apenas pelo número de programas realizados.
Lilian Weimer, ex-diretora do centro, afirmou que sua experiência a apresentou a alguns dos desafios enfrentados pelas pessoas na comunidade local, incluindo a falta de moradia, discriminação, problemas de saúde mental e experiências de refugiados e de solicitantes de asilo.

O local também a apresentou a muitas organizações que já trabalham para atender a essas necessidades.
“O Centro de Apoio passou a fazer parte dessa rede de apoio mais ampla”, disse ela.
Para os visitantes, este apoio pode assumir muitas formas.
Lorraine Mederick, membro da comunidade, participou de um curso básico de floricultura comercial enquanto convivia com uma condição que afetava seus nervos. O curso lhe deu a oportunidade de se concentrar no desenvolvimento de suas habilidades, em vez de se preocupar com as dificuldades que enfrentava.

Em 2023, ela ganhou o prêmio de “Estudante de Floricultura Comercial do Ano - Nível 1” na categoria geral, o que a inspirou a seguir carreira com base em suas novas habilidades.
“Isso me permitiu focar mais nas coisas que eu realmente quero fazer do que nas que eu não consigo fazer. … Aumentou minha confiança”, disse Mederick.
Encontrando um ponto em comum
O centro também se tornou um local onde pessoas de diferentes religiões podem se reunir.
O Fórum Multirreligioso de Brent utiliza regularmente o edifício da Igreja, reunindo líderes religiosos e representantes da comunidade para discutirem questões que os afetam.

A síster Sabine Rice, de Hetzendorf, Áustria, é a atual diretora do centro e serve como missionária de tempo integral. Ela ajudou a organizar eventos que vão desde debates sobre demência e conscientização sobre o câncer até celebrações inter-religiosas, iniciativas para jovens e oficinas comunitárias.
Os relacionamentos genuínos formados por meio destes eventos se estenderam para além da capela. A síster Rice foi convidada a outros locais de adoração e teve a oportunidade de falar sobre Jesus Cristo e sobre a Igreja.
Para o bispo Clark, esses relacionamentos são uma parte importante da construção do entendimento.

“Quando pessoas de diferentes religiões trabalham juntas para aliviarem a solidão, fortalecerem famílias, apoiarem aqueles em dificuldade e construírem a comunidade, os preconceitos começam a desaparecer”, disse ele.
“As pessoas deixam de ser rótulos. Elas se tornam vizinhas. Elas se tornam amigas.”
Fé em ação
Brent e Stacie Mangum, de Highland, Utah, serviram como missionários seniores no centro de 2022 a 2024. Quando chegaram, apenas um pequeno número de aulas era oferecido. Quando partiram, as atividades aconteciam durante a maior parte da semana.

Os Mangums desenvolveram relações com organizações comunitárias e líderes inter-religiosos, e perceberam como um espaço acolhedor poderia criar oportunidades de conexão.
Stacie Mangum se lembrou de mulheres muçulmanas lhe dizendo que se sentiam seguras no edifício da Igreja. O casal também foi acolhido na vida de pessoas de outras tradições religiosas, incluindo um casamento muçulmano e encontros nas casas de membros da comunidade.
“Senti a mão de Deus na vida de muitos que entraram no nosso sagrado edifício da ala de Wembley”, recordou Stacie.
Esses relacionamentos continuaram, mesmo após o seu serviço missionário.

Frank Dabba Smith, ex-copresidente do Fórum Multirreligioso de Brent, ao descrever o edifício da Igreja que recebe o fórum, afirmou: “Consideramos este lugar como nossa casa”. Ele disse ainda que a hospitalidade e o acolhimento do centro são dádivas para a organização e ajudam a realizar seu trabalho com ainda mais alegria.
O evangelho em ação
Para aqueles envolvidos com o Centro de Apoio de Wembley, essas experiências ilustram um princípio simples de discipulado: o evangelho de Jesus Cristo é a fé em ação.
A fé em Jesus Cristo convida seus discípulos a verem as outras pessoas como Ele as vê: como indivíduos valiosos, com suas próprias necessidades, talentos, esperanças e histórias.
Danny Maher, co-presidente do Fórum Multirreligioso de Brent, com Dabba Smith, afirmou: “Vocês, como Igreja, são, na minha opinião, provavelmente o melhor exemplo de uma comunidade religiosa que demonstra fé em ação por sua religião. É isso que acreditamos que as comunidades religiosas devem fazer.”

Em Wembley, esta fé se expressa por meio de atos cotidianos de serviço: abrir uma porta, ensinar uma habilidade, acolher alguém que se sente isolado, trabalhar em conjunto com outra comunidade religiosa ou simplesmente perceber uma necessidade e atendê-la.
“Às vezes queremos ajudar, mas não sabemos como, e isto está disponível bem aqui”, disse Cheryl Greenwood, membro da Igreja e voluntária no centro.
A experiência transformou tanto quem serve quanto quem visita o local.
“O Centro de Apoio de Wembley tem nos ajudado a entender que nossa capela não deve ser um prédio que ganha vida apenas aos domingos”, disse o bispo Clark. “Ela pode ser uma luz na comunidade durante toda a semana.”

Essa luz não se encontra apenas nas atividades que ocorrem no interior do edifício, mas também nos relacionamentos que se desenvolveram a partir delas.
O que começou como uma ação social se transformou em amizade. Uma capela se tornou um lugar onde as pessoas aprendem umas com as outras, servem juntas e encontram pontos em comum.
E, nesse processo, os membros estão descobrindo que compartilhar o evangelho nem sempre começa com palavras.
Às vezes, tudo começa abrindo a porta.
O evangelho de Jesus Cristo é algo em que se deve crer, mas também é algo para se viver.
Em Wembley, a fé está sendo colocada em prática: uma acolhida, uma amizade e um ato de serviço de cada vez.
— Kenya Carroll é a diretora de comunicação do Conselho de Coordenação de Londres Inglaterra



