Encontrando-se sob o domínio do partido nazista em 1941, Helmuth Hübener, então com 16 anos de idade, exemplificou o significado de coragem ao escolher se opor ao regime nazista e distribuir uma série de panfletos anti-nazistas em Hamburgo, Alemanha. Esses panfletos continham comentários políticos de Hübener, bem como transcrições de transmissões de rádio dos Aliados.
"Não permita que seu livre arbítrio, a coisa mais preciosa que você possui, seja tirado de você", escreveu Hübener em um panfleto de 1941. O adolescente foi executado em 1942 por "conspiração para cometer alta traição".
Agora, 100 anos após seu nascimento, membros da Igreja, comunidades e indivíduos na Alemanha, e em todo o mundo, continuam a honrar o legado de fé e coragem de Hübener como membro da Igreja e o mais jovem membro executado da resistência alemã ao nazismo.

Celebrações do 100º aniversário de Hübener
Santos dos últimos dias e membros da comunidade em Hamburgo e Berlim, Alemanha, se reuniram em 8 de janeiro de 2025 em eventos que comemoraram a vida e o legado de Hübener no que seria seu 100º aniversário.
Em Hamburgo, a Stadtteilschule Helmuth Hübener, uma escola de ensino médio que leva o nome de Hübener, realizou uma assembleia [em alemão] em sua homenagem. Alunos, professores, pais e outros convidados lotaram o auditório da escola para discursos, apresentações e números musicais que prestaram homenagem ao patrono da escola.
Bianca Thies, diretora da escola, abriu a assembleia com um discurso que destacou a importância histórica de Hübener e a relevância de seu exemplo.
“Helmuth Hübener mostrou que coragem não significa não ter medo. Significa fazer a coisa certa, apesar do medo. Que possamos levar esta lição a sério: devemos isso a ele e a todos aqueles que ofereceram resistência em meio a grandes perigos”, disse Thies.

Entre os convidados que participaram estava Alan Keele, professor emérito de Estudos Alemães da Universidade Brigham Young. Tendo conduzido uma extensa pesquisa sobre a vida de Hübener, Keele falou em nome de uma delegação da Igreja, de acordo com a Sala de Imprensa da Igreja na Alemanha [em inglês]. Reconhecendo a coragem de Hübener, Keele disse: “Helmuth Hübener era um ser humano que se recusou a ser desumanizado.”
Também em Hamburgo, membros da Igreja se encontraram pela manhã para ajudar a transferir a placa memorial, em formato de tijolo, de Hübener para seu último local de residência voluntária. De acordo com a Igreja, a placa faz parte do Stolperstein, um projeto de arte criado pelo escultor alemão Gunter Demnig, que homenageia as vítimas do regime nazista.

Naquela mesma noite, membros da Igreja e outros em Hamburgo, participaram de uma visita guiada à exposição permanente sobre Hübener na Escola de Administração de Hamburgo. A Igreja relatou que Hübener frequentou esta escola até sua prisão, em fevereiro de 1942.
Em Berlim, os membros da Igreja se reuniram para uma cerimônia de deposição de coroas de flores no Memorial de Gedenkstätte Plötzensee. De acordo com a Igreja, este memorial homenageia os mais de 2.800 prisioneiros, entre os quais Hübener é contado, que foram enforcados ou decapitados na antiga prisão de Berlim- Plötzensee, entre 1933 e 1945. Presentes na cerimônia estavam Daniel Fingerle, diretor de comunicação da Igreja na Alemanha; Hartmut Woite, sumo conselheiro na Estaca Berlim Alemanha; e Ralf Grünke, diretor assistente de comunicação da área na Área Europa Central.

O legado de fé e coragem de Hübener
Crescendo durante o regime nazista como membro da Igreja em Hamburgo, Alemanha, Hübener testemunhou a ampla gama de opiniões que existiam entre os membros da Igreja.
Muitos santos dos últimos dias alemães se juntaram e apoiaram o Partido Nazista, encontrando esperança em suas promessas de estabilidade econômica e orgulho nacional. Outros se opuseram ativamente ao regime, ou escolheram permanecer neutros.
De acordo com a Igreja, o presidente do ramo de Hübener, Arthur Zander, era um membro ativo do Partido Nazista. Como tal, ele frequentemente obrigava os membros do ramo a ouvirem as transmissões de rádio do partido, ameaçando denunciar os membros por quaisquer atividades antigovernamentais. Em 1938, Zander proibiu os judeus de entrarem na capela, colocando um aviso na porta.
Por outro lado, Otto Berndt, presidente do distrito da Igreja em Hamburgo, pregou contra a política do governo, tanto em particular quanto do púlpito, encorajando os membros a resistirem ao regime.
Nesse cenário, Hübener, que inicialmente havia participado do Jungvolk local, um grupo organizado pelos nazistas para crianças mais jovens, passou a rejeitar as ideologias nazistas.
“Venha à minha casa hoje à noite. Quero que você ouça algo”, Hübener sussurrou para seu amigo Karl-Heinz Schnibbe, de acordo com “Santos, Volume 3″.
Tendo descoberto um rádio de ondas curtas que Gerhard, seu irmão mais velho e
soldado alemão, havia trazido da França, Hübener assumiu o risco de convidar dois de seus amigos da Igreja, Schnibbe e Rudolf Wobbe, para ouvirem programas de rádio inimigos, transmitidos pela British Broadcasting Corporation [BBC] durante o verão de 1941.
“Estou convencido de que eles estão dizendo a verdade e estamos mentindo”, disse Hübener para Schnibbe. “Nossas reportagens parecem ter muita ostentação, muita propaganda.”
Usando papel carbono e algumas máquinas de escrever emprestadas do ramo, Hübener começou a produzir folhetos anti-nazistas com informações das transmissões proibidas, junto com seus próprios comentários. Com a ajuda de Schnibbe, Wobbe e vários outros jovens que ele recrutou, Hübener distribuiu folhetos por Hamburgo ao longo de 10 meses. Um desses jovens era Gerhard Düwer, que trabalhava como aprendiz junto com Hübener, na Autoridade Social de Hamburgo.
Quando um panfleto caiu nas mãos erradas em fevereiro de 1942, agentes da Gestapo prenderam Hübener, Wobbe, Schnibbe e Düwer sob várias acusações, incluindo “conspiração para cometer alta traição”. Em 11 de agosto de 1942, os quatro foram considerados culpados [em inglês].
Hübener foi o único condenado à morte e executado aos 17 anos na prisão de Berlim-Plötzensee, em 27 de outubro de 1942. Os demais foram condenados a campos de trabalho até o fim da Segunda Guerra Mundial.

Schnibbe mais tarde relatou [em inglês] que as últimas palavras de Hübener para ele foram: “Espero que você tenha uma vida melhor e uma Alemanha melhor.”
“Eu nunca me esquecerei disso”, disse Schnibbe. “Foi de partir o coração.”
Embora o presidente do ramo, Arthur Zander, tenha conseguido com sucesso a excomunhão de Hübener de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias após sua prisão, Hübener foi reinstaurado à Igreja e recebeu as ordenanças do templo por procuração em 1948.

Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, Hübener foi homenageado por sua coragem em se opor ao regime nazista. De acordo com a Igreja, várias escolas e ruas levam seu nome, e exibições memoriais foram estabelecidas em uma escola vocacional em Hamburgo, no Memorial da Resistência Alemã em Berlim e no Memorial Gedenkstätte Plötzensee, em Berlim, onde Hübener foi executado.
Ao visitar o memorial de Plötzensee em 2018, Élder Dieter F. Uchtdorf, do Quórum dos Doze Apóstolos, prestou homenagem a Hübener [em alemão], dizendo: “A coragem e a disposição de Helmuth Hübener em defender o que é certo, sempre servirão como um lembrete e um convite para seguirmos os ensinamentos de Cristo.”
Outros grupos políticos, sociais e religiosos desde a década de 1940, também honraram o legado de Hübener, organizando diversas celebrações em 8 de janeiro, seu aniversário, e 27 de outubro, data de sua execução.





