Os profissionais da área jurídica são conhecidos por diversos nomes, como advogado ou consultor jurídico.
Mas um de seus títulos mais “carinhosos” é “defensor”, disse a presidente Camille N. Johnson, presidente geral da Sociedade de Socorro, que atuou como advogada por quase 30 anos, antes de receber seu chamado como oficial geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
“Um defensor é alguém que intercede, representa ou defende a causa de outra pessoa, particularmente em um tribunal ou perante um juiz”, disse a presidente Johnson. “É claro que ‘Advogado’ é o nome dado a Jesus Cristo, e essa é a sua responsabilidade. Jesus é o Advogado junto ao Pai em favor daqueles que confessam Seu nome e guardam Seus mandamentos.”
O discurso da presidente Johnson ocorreu durante um serão do Encontro Anual da Reuben Clark Law Society [Sociedade de Direito J. Reuben Clark – em inglês], na sexta-feira, 16 de janeiro, no Edifício de Escritórios da Igreja, em Salt Lake City. Seu discurso explorou a interseção entre Direito, pacificação, liberdade religiosa e o papel vital das mulheres na sociedade.
Estiveram presentes Presidente Dallin H. Oaks, Presidente da Igreja, e sua esposa, a irmã Kristen M. Oaks, e Presidente D. Todd Christofferson, segundo conselheiro na Primeira Presidência, e sua esposa, a irmã Kathy Christofferson. Presidente Oaks foi advogado e juiz da Suprema Corte de Utah, e Presidente Christofferson também foi advogado.
A J. Reuben Clark Law Society é uma sociedade internacional, organizada em capítulos, composta por advogados e estudantes de Direito orientados pela fé. Embora tenha sido estabelecida e mantida pela Universidade Brigham Young, a sociedade acolhe qualquer estudante de Direito ou graduado de fé que apoie sua missão [em inglês] de defender a liberdade religiosa e os valores morais.
“Amigos, vocês são pessoas influentes”, disse a presidente Johnson à plateia reunida. “Coletivamente, fomos abençoados pela oportunidade de aprendizado e pelo dom da convivência. Não podemos presumir que o trabalho seja feito apenas por educadores jurídicos, acadêmicos e estudiosos. Todos nós devemos desempenhar um papel ativo no ensino, na inspiração e no auxílio ao próximo.”
Profissionais jurídicos ‘distintos e diferentes’
O discurso da presidente Johnson enfatizou quatro pontos:
- O papel que a convicção religiosa pessoal deve desempenhar na orientação do trabalho jurídico.
- Pacificação, inclusive na área jurídica.
- O trabalho de pacificação e liberdade religiosa, em particular quando realizado por mulheres.
- Um apelo à ação.
Com relação ao papel da convicção religiosa na orientação do trabalho jurídico, a presidente Johnson usou relatos das escrituras para ilustrar como Jesus Cristo era forte, ativo, corajoso e manso, características que qualquer pessoa desejaria ao contratar um advogado.
“Em uma época em que a petulância é recompensada e a acrimônia é aplaudida, sejamos profissionais jurídicos distintos e diferentes”, disse a presidente Johnson.
Isso a levou ao seu segundo ponto: conciliar a responsabilidade de ser um pacificador com a obrigação de um advogado de defender tenazmente uma posição.
Mas o que a presidente Johnson descobriu ao longo de três décadas de prática jurídica, disse ela, foi que, às vezes, a melhor maneira de se alcançar a paz é por meio de litígios em tribunais, apresentando provas e permitindo que um júri tome uma decisão.
Presidente Johnson também exortou os profissionais de Direito a seguirem o exemplo de Jesus Cristo, quando as situações se tornarem contenciosas.
“Ser um pacificador exige participação ativa”, disse ela. “Precisamos estar na arena e não assistindo de camarote.”
Em relação ao seu terceiro ponto, a presidente Johnson afirmou que a pacificação e a liberdade religiosa são “almas gêmeas”. Mas, onde as culturas nacionalistas são hostis às crenças religiosas minoritárias, e as culturas secularistas são antagônicas à religião, “a história demonstra efeitos devastadores na sociedade em geral”, incluindo conflitos sociais, aumento da violência e desestabilização de famílias e economias.
A presidente Johnson afirmou que isso também resulta em maior desigualdade, particularmente em relação a mulheres e crianças.
“Em termos simples, quando as sociedades e os governos restringem as liberdades religiosas, as mulheres e as crianças sofrem, e as mulheres são impedidas de usarem seus dons inatos para cultivarem a paz”, disse a presidente Johnson.
Ela prosseguiu dizendo que as mulheres têm uma propensão especial para perceberem as necessidades humanas, para consolarem, ensinarem e fortalecerem. Consequentemente, “as comunidades dependem das mulheres comuns para o florescimento humano”, e se as mulheres quiserem cumprir seus papéis de pacificadoras, elas próprias precisam ser inspiradas, nutridas, curadas, empoderadas e instruídas sobre seu potencial divino.
‘Onde isso nos levará?’
A presidente Johnson encerrou com um apelo à ação, convidando os profissionais de Direito a refletirem sobre questões importantes e a perguntarem: “Onde isso nos levará?” Cada pessoa tem a opção de falar, agir ou permanecer em silêncio, disse ela.
“O trabalho de defender a Constituição dos Estados Unidos, a liberdade religiosa e a família não é apenas para juristas e acadêmicos”, continuou ela. “É também para advogados da classe trabalhadora, presidentes da Sociedade de Socorro, pessoas sem formação jurídica e de todas as crenças religiosas.”
Em conclusão, “Sigamos o Príncipe da Paz e pratiquemos, em nossa vida pessoal e profissional, o Seu exemplo perfeito. … Ele quer se envolver conosco e se envolverá, à medida que nos envolvermos com alegria em Sua grande obra.”
