PROVO, Utah — A parábola do semeador, contada pelo Salvador, oferece lições valiosas que podem ser aplicadas aos missionários, disse a irmã Amy A. Wright, primeira conselheira na presidência geral da Primária e membro do Conselho Executivo Missionário de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
“Um semeador é aquele que espalha sementes amplamente. Ele não sabe em qual solo a semente cairá. Nem pode forçar a semente a germinar. Ele simplesmente faz o melhor que pode, plantando fielmente e confiando no processo natural de crescimento”, disse a irmã Wright, falando a centenas de missionários, durante um devocional realizado no Centro de Treinamento Missionário de Provo na terça-feira, 28 de abril.
O propósito de um missionário é o mesmo, disse ela.
“Vocês convidam todas as pessoas a virem a Cristo, compartilhando o evangelho com todos que encontrarem. Vocês não sabem quem aceitará seu convite, nem determinam nem têm qualquer controle sobre o resultado. Como o semeador, o trabalho de um missionário é uma obra de fé.”
A irmã Wright examinou a parábola do semeador no Novo Testamento, utilizando as escrituras e “Pregar Meu Evangelho: Um Guia para Compartilhar o Evangelho de Jesus Cristo”, oferecendo ideias inspiradoras para missionários. Ela estava acompanhada de seu marido, o irmão James McConkie Wright, que também discursou.
Parábola do semeador
A parábola do semeador é encontrada em Mateus 13:3-23, Marcos 4:2-20 e Lucas 8:4-15. Jesus Cristo ensinou a parábola do barco, perto da margem do Mar da Galileia, com uma grande multidão reunida na praia.
A semente
A semente representa a palavra de Deus ou o evangelho de Jesus Cristo.
“Como missionários, vocês são chamados a semearem, compartilhando o evangelho de Jesus Cristo com todos que quiserem ouvir”, disse a irmã Wright.
“Pregar Meu Evangelho” ensina que o poder de um missionário não vem da persuasão, da eloquência ou da habilidade pessoal, mas da palavra de Deus. Os missionários são encorajados a estudarem as escrituras, a valorizarem a doutrina e a seguirem o Espírito em seu ensino.
“O evangelho de Jesus Cristo tem o poder de enternecer corações e transformar vidas”, disse a irmã Wright. “Sua responsabilidade… é plantar, nutrir e convidar, confiando no Senhor da colheita, que abençoará seus esforços, a semente e fará brotar o crescimento.”
O solo
O Salvador descreve quatro tipos de solo onde as sementes caem: à beira do caminho, em terrenos rochosos, entre espinhos e em solo fértil.
“Os diferentes tipos de solo representam as diferentes maneiras pelas quais as pessoas recebem o evangelho de Jesus Cristo”, disse a irmã Wright.
À beira do caminho: As sementes que caíram à beira do caminho foram comidas pelos pássaros, representando aqueles que ouvem a palavra, mas a rejeitam rapidamente, explicou a irmã Wright, observando que os missionários frequentemente encontram pessoas que ainda não estão preparadas ou interessadas na mensagem do evangelho. Quando isso acontece, os missionários devem manter uma atitude positiva e lembrar-se de que nenhum esforço é em vão.
Em terrenos rochosos: Algumas sementes caíram em terrenos rochosos, germinando rapidamente, mas murchando devido à pouca profundidade do solo. Isto se refere a pessoas que inicialmente aceitam o evangelho, mas enfrentam desafios sociais, familiares ou pessoais. “Pregar Meu Evangelho” ensina que “a conversão é um processo, não um evento.”
Entre espinhos: As sementes que caíram entre os espinhos começaram a germinar, mas foram sufocadas pelas ervas daninhas, o que privou as plantas de nutrientes essenciais.
“Seu papel é ajudá-los a perceberem como viver os princípios do evangelho pode trazer paz e clareza, respeitando, ao mesmo tempo, o seu arbítrio”, disse ela.
Em solo fértil: Algumas sementes caíram em solo fértil, criaram raízes, cresceram e produziram frutos.
“A boa terra não é passiva; ela nutre ativamente a semente”, disse ela. “O mesmo acontece com as pessoas que aceitam o evangelho de Jesus Cristo: elas precisam agir de acordo com a palavra para que ela crie raízes e floresça. A verdadeira conversão exige ação.”
A irmã Wright observou que, às vezes, o solo pode mudar. “Prestar testemunho, cultivar experiências sagradas e a influência do Espírito Santo podem ajudar a preparar e transformar os corações”, disse ela.
A colheita
A colheita acontece quando Deus, por meio do Espírito Santo, opera mudanças no coração e na alma de uma pessoa, levando-a à conversão. O semeador não pode fazer a semente crescer.
A irmã Wright convidou missionários a realizarem o trabalho espiritual necessário para receberem a orientação do Espírito Santo e guiarem indivíduos e famílias a receberem as bênçãos do templo.
“Ao se esforçarem fielmente para fazerem a sua parte, Deus fará o resto”, disse ela. “Esta é a colheita de Jesus Cristo, e cada alma é preciosa para Ele.”
Ela ilustrou a lei da colheita mostrando um vídeo, baseado na experiência de seu filho mais velho na Missão Itália Milão, intitulado “The Plower and the Sower” [O lavrador e o semeador – em inglês].
A irmã Wright concluiu: “O principal indicador de seu sucesso como missionário não é a quantidade de feixes que você reúne nos celeiros. Seu sucesso como missionário é como você vive sua vida após a missão. Queremos que seja corajoso em seu testemunho de Jesus Cristo todos os dias de sua vida. Queremos que estabeleça um padrão fundamental de discipulado ao longo da vida e que olhe para trás e veja seu serviço missionário como um tempo de imensa alegria.”
Doutrina e Convênios 34
Em sua mensagem, o irmão Wright discutiu Doutrina e Convênios 34, uma breve revelação dada ao converso Orson Pratt, de 19 anos, antes de sua missão, e convidou os missionários a aplicá-la em suas próprias vidas.
“Esta escritura é para vocês”, disse ele, destacando os princípios do evangelho ensinados em cada versículo, antes de prestar seu testemunho. “Sei que Jesus Cristo vive. Este é o Seu evangelho. Vocês fazem parte da Sua obra.”
O que os missionários aprenderam
A síster Emily Barlow, de Provo, Utah, designada para servir na Missão França Paris, leu a parábola do semeador mais cedo naquele dia e a compartilhou com a companheira durante o estudo. Em seguida, a irmã Wright a apresentou no devocional.
“Eu realmente acho que Deus estava tentando me dizer algo hoje”, disse ela. “Podemos plantar sementes e talvez não vejamos os resultados dos nossos esforços agora, mas Deus vê o trabalho que estamos fazendo, conhece nossos esforços e se importa com cada alma. Tenho sentido muita paz e alegria por causa do evangelho e estou muito animada para compartilhar com todos.”
Élder Noah Goodare, de Edimburgo, Escócia, se preparando para servir na Missão Tailândia Bangcoc Oeste, sabe que pode semear e nutrir sementes, mas também apreciou saber que poderia deixar o resto nas mãos do Senhor.
“Às vezes me preocupo demais em fazer todo o trabalho missionário sozinho”, disse ele. “O que eu gostei no que ela disse foi que não precisamos nos preocupar com a colheita, porque esta é a colheita de Cristo.”
