WASHINGTON, D.C. — Após sete décadas dedicadas ao estudo da Constituição dos Estados Unidos, Presidente Dallin H. Oaks subiu ao púlpito da Catedral Nacional de Washington, D.C., na quarta-feira, 16 de setembro, e declarou a necessidade de um consenso na preservação da liberdade religiosa.
“Sempre considerei a Constituição dos Estados Unidos como um modelo para que um povo diverso consiga se autogovernar”, afirmou Presidente Oaks na véspera do Dia da Constituição dos Estados Unidos da América.
Presidente Oaks, que foi apoiado como Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias há quase um ano — em outubro de 2025 —, serviu como Apóstolo de Jesus Cristo por 42 anos. Ele foi assessor jurídico do presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren. Ensinou por 15 anos como professor de Direito. Imediatamente antes de seu chamado para servir como membro do Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja, em 1984, ele atuou por mais de três anos como juiz da Suprema Corte de Utah.
“Não falo em nome de nenhum partido político ou grupo de pressão”, disse ele ao iniciar seu discurso. “Falo em nome da Constituição dos Estados Unidos.”
Presidente Oaks compartilhou algumas histórias sobre os primeiros membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele explicou brevemente sua expulsão do Missouri na década de 1830 e sua subsequente mudança para o oeste — para além das fronteiras dos Estados Unidos — na década de 1840. Ele descreveu os pioneiros daquela época como refugiados.
Essas experiências, disse ele, ajudaram os primeiros membros da Igreja a compreenderem o que significava se tornarem pacificadores, conforme buscavam a capacidade de viverem de acordo com suas crenças religiosas.
“Tornamo-nos pacificadores e defensores da liberdade e da unidade por necessidade. Aprendemos a forjar compromissos em políticas necessárias para alcançarmos a liberdade e a unidade que nos permitam viver em paz com aqueles com quem discordamos em questões religiosas. Ao mesmo tempo, preservamos a liberdade necessária para continuarmos com nossas doutrinas e práticas mais importantes”, disse ele.
Os Estados Unidos, como um todo, também tiveram que adaptar suas leis desde o início do país, há 250 anos, continuou ele. Entre os exemplos estão a extensão do direito ao voto às mulheres e a abolição da escravidão.
“As novas leis precisavam garantir que aqueles que haviam sido escravizados ou que estavam em situação de desvantagem tivessem todas as condições para a liberdade”, continuou ele.
Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias têm um motivo específico para sua profunda admiração pela Constituição dos Estados Unidos, disse Presidente Oaks.
“Temos uma revelação que identifica a Constituição como divinamente inspirada. Isto não significa que cada palavra seja inspirada, mas que se baseia em princípios inspirados.”
Presidente Oaks mencionou, especificamente, cinco princípios inspirados:
- A fonte do poder governamental são os cidadãos. Isto é frequentemente chamado de soberania popular.
- A divisão dos poderes delegados entre a nação e seus estados.
- A separação de poderes entre os ramos executivo, legislativo e judiciário.
- O “conjunto de garantias fundamentais” dos direitos individuais e os limites específicos à autoridade governamental, como os previstos na Declaração de Direitos.
- O “objetivo fundamental de toda a Constituição”: que os cidadãos sejam governados pela lei e não por indivíduos.
Ele acrescentou, ao final dessa lista, sua esperança de que as pessoas fossem leais às aspirações e ao sistema de governo, em vez de serem leais a indivíduos eleitos.
“Nossa lealdade se baseia na Constituição e em seus princípios e processos, e não em determinados titulares de cargos públicos”, afirmou ele.
Entre os resultados de uma sociedade que busca respeitar princípios compartilhados, está o fato de que grupos e indivíduos se esforçam para compreenderem uns aos outros, ao mesmo tempo em que buscam chegar a acordos que ajudem todos a conviverem em paz, afirmou Presidente Oaks.
“Como base prática para a unidade, todos nós devemos aceitar a realidade de que somos concidadãos que precisamos uns dos outros. Isto exige que todos nós obedeçamos a algumas leis das quais não gostamos e que vivamos pacificamente com algumas pessoas cujos valores diferem dos nossos próprios. Devemos fazer todos os esforços para compreendermos as experiências e as preocupações de outros, especialmente quando diferem das nossas.”
Conforme indivíduos buscam proteger os direitos que lhes são importantes, Presidente Oaks desaconselhou a busca pelo “domínio total” em todas as questões.
“Onde há um conflito real sobre o alcance dos direitos constitucionais, as posições opostas precisam ser equilibradas juridicamente e negociadas politicamente, de forma a garantir todos os direitos essenciais, na medida do possível. Precisamos trilhar um caminho melhor daqui para frente — uma maneira de resolver as divergências sem comprometer nossos valores fundamentais. Devemos buscar justiça para todos”, afirmou ele.
Parte deste processo envolve uma reflexão individual para compreender quais crenças são verdadeiramente inegociáveis e quais podem ter menor prioridade na proteção do bem-estar geral da sociedade.
“Longe de ser uma fraqueza, conciliar posições opostas por meio de negociações respeitosas e de coalizões é uma virtude. Como ensinou Jesus: ‘Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus’ (Mateus 5:9).”
Criar e manter uma sociedade pacífica exige que todos ajam de boa-fé”, afirmou Presidente Oaks.
Ele continuou, com base nos ensinamentos do apóstolo Paulo em Romanos 12:18, no qual Paulo convidou os romanos a terem “paz com todos os homens”, sempre que possível.
“A Constituição obriga um povo dividido a formar coalizões que lhe permitam agir em conjunto. ‘Obriga’ é uma palavra forte, mas é exatamente isso que a Constituição faz. Ela coloca o que hoje chamamos de ‘pacificação’ no cerne do processo constitucional para alcançar a liberdade, a unidade e a justiça para todos.”
Esse processo, disse Presidente Oaks, inclui que as partes se reúnam para compartilharem suas opiniões pessoalmente. Ele afirmou que considera lamentável que tantas questões acabem indo parar na Justiça para serem resolvidas. Isto coloca a decisão nas mãos dos tribunais e dos juízes, em um processo demorado e oneroso.
“Quando surge uma questão polêmica, repleta de grandes conflitos, devemos encarar isto como uma oportunidade de ouvir e aprender, tanto sobre as questões em pauta quanto sobre aqueles que pensam diferente de nós.”
Esta abordagem, segundo Presidente Oaks, ajudará a alcançar a “justiça para todos”, sem comprometer os valores fundamentais de ambos os lados.
“A pacificação envolve encontrar pontos em comum”, afirmou ele.
Algumas formas de pacificação envolvem a participação de um árbitro. Por exemplo, um líder eclesiástico pode trabalhar com um casal que busca resolver um conflito conjugal. Pessoas que se empenham em aproximar grupos com diferenças expressas e aqueles que se dedicam a projetos de serviço também são tipos de pacificadores.
“Pessoas de boa vontade, compaixão e com o desejo de compreender e ajudar umas às outras estão no cerne da pacificação e da justiça para todos, no processo constitucional de alcançar a liberdade e a unidade, por mais difícil e demorado que seja. Trata-se de tentar compreender as necessidades profundas e os compromissos profundos de ambos os lados e, então, encontrar soluções que tragam paz e justiça para todos.”
Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acreditam que cada pessoa na Terra é, literalmente, um filho ou uma filha de pais celestiais e que Deus tem um plano para ela. Este entendimento, disse Presidente Oaks, deve ajudá-los em seus esforços para superarem conflitos com outros.
“Saber que todos nós somos filhos de Deus nos dá uma visão divina do valor de todas as outras pessoas, bem como o desejo e a habilidade de superar o preconceito e o racismo.”
Para concluir, Presidente Oaks disse que sabe que o processo de se tornar e agir como um pacificador nem sempre é fácil. Ele disse que sabe que o Pai Celestial abençoará aqueles que se empenham em trazer paz ao mundo.
“Ele nos deu este mandamento de amar e prometeu nos ajudar enquanto procuramos obedecê-lo.”
Esta não é a primeira vez que Presidente Oaks convida as pessoas a seguirem o exemplo do Salvador e a se empenharem na construção de um mundo mais pacífico.
Presidente Oaks se dirigiu aos membros da Igreja na conferência geral de abril de 2026 e ensinou aos ouvintes a “amar até nossos inimigos”.
Nessa mensagem, ele também observou que conviver em paz e amar outras pessoas que não compartilham os mesmos valores, ou não têm as mesmas obrigações decorrentes do convênio, pode ser um desafio.
“[C]omo seguidores de Cristo, que O sigamos, abandonando a contenda e adotando a linguagem e os métodos dos pacificadores. Em nossa família e em outros relacionamentos pessoais, evitemos tudo o que é agressivo e que leva ao ódio”, concluiu ele.
Na conferência geral de outubro de 2024, Presidente Oaks também falou sobre a pacificação em nossos esforços para defendermos o que é certo, ao negociarmos questões de políticas públicas.

