Quando Willis Wright chegou pela primeira vez a Okinawa, no Japão, em 1952 como militar, ele se concentrou nos restos enferrujados da Segunda Guerra Mundial que obstruíam o porto. Sete décadas depois, ele ainda consegue descrever a cena: navios abandonados e outros equipamentos deixados em um lugar que parecia remoto e desolado.
Três anos depois, ao submeter seus documentos para servir como missionário para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ele não conseguia afastar o sentimento de que não apenas retornaria ao Japão, mas também a Okinawa, a mesma ilha japonesa que carregava as cicatrizes deixadas pelo devastador teatro da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.
Mais tarde, quando Wright recebeu seu chamado missionário, um pedaço de papel chamou sua atenção; eram instruções para se obter um visto para o Japão.
Ele sabia que nunca mais seria o mesmo.
Wright chegou a Okinawa pela segunda vez como um jovem missionário em 31 de agosto de 1956.
Ele já amava o povo, estava determinado a aprender o idioma e sentia a promessa que o evangelho de Jesus Cristo traria às ilhas Ryukyu, no oeste do Oceano Pacífico. Em 17 de março de 1957, foi nomeado o primeiro presidente do Ramo Naha.
Agora, enquanto os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se preparam para a dedicação do Templo de Okinawa Japão, no dia 12 de novembro por Élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, Wright relembra daqueles primeiros dias.
“A Igreja completou um ciclo desde então: do nada para um templo”, disse ele.
O trabalho dos santos dos últimos dias em Okinawa é mais do que uma coincidência, acrescentou. “É um milagre.”

Fazendo história
Os primeiros missionários de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias desembarcaram em Tóquio, Japão, em 1901, de acordo com um breve histórico da Igreja no Japão. Quase 45 anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial, os militares americanos se tornaram os primeiros membros da Igreja a chegarem às ilhas Ryukyu, em Okinawa.
Em 8 de julho de 1945, logo após o fim da Batalha de Okinawa, aqueles militares começaram a se reunir regularmente para reuniões e conferências da Igreja.
Wright se lembra dos primeiros dias da Igreja em Okinawa. Quando chegou como missionário, havia apenas três santos dos últimos dias: Nobu Nakamura, sua irmã e sua filha. Ele ainda tem seu passaporte original, seu dicionário de inglês para japonês e sua passagem para embarcar no navio nomeado em homenagem ao presidente Woodrow Wilson, que o levou ao Japão como missionário.
Ele também tem uma fotografia da conferência de missionários tirada quando Presidente Joseph Fielding Smith visitou Okinawa e dedicou formalmente a ilha para a pregação do evangelho. Wright está sentado de pernas cruzadas no chão, bem em frente ao Profeta da Igreja.
“Quando cheguei lá, não sabia que estaria fazendo parte de um pouco da história”, disse ele.

Milagres
Contando os milagres que testemunhou, Wright falou sobre trabalhar com o presidente da Missão Extremo Oriente Norte, presidente Paul C. Andrus, para construir uma capela santo dos últimos dias em Okinawa. Os militares compraram propriedades, que eram pequenas demais para construir a capela de que precisavam. Por isso, apelaram aos vizinhos para ver se lhes venderiam terras adicionais, mesmo sabendo como os americanos eram vistos tão perto do fim da guerra. O primeiro vizinho, porém, disse que passou um tempo em Salt Lake City e concordou em vender a propriedade e pedir aos vizinhos que fizessem o mesmo, lembrou Wright. “Pudemos ver as mãos do Senhor preparando Okinawa para aquilo que ela é”, disse ele.
Wright também viu milagres em sua vida pessoal. Depois de embarcar no serviço missionário no Japão, ele tentou aprender o idioma praticando todos os dias. Finalmente, ele leu em 1 Coríntios 12 sobre dons espirituais e jejuou e orou pelo dom de línguas.
Duas semanas depois, ele participou de uma conferência de distrito que incluía um convite para falar em uma reunião na rua. Os líderes da missão “acharam uma caixa e subimos nela. Foi a minha vez de falar. Ainda consigo ver todas aquelas pessoas paradas na rua ouvindo. Eu me senti totalmente leve. … E as palavras simplesmente saíram, todas as palavras que eu havia estudado e ouvido.”
Depois, uma irmã local questionou Wright: “‘Eu não sabia que você falava japonês’”, disse ela. Ele simplesmente respondeu: “Eu também não”.

O templo de Okinawa
Durante anos, os santos dos últimos dias de Okinawa viajaram primeiro para o Havaí e depois para Tóquio, para frequentarem o templo.
Hoje, Wright pensa em um memorial da guerra na área, onde leu os nomes de muitos parentes dos santos dos últimos dias locais. Um templo, disse ele, curará gerações.
A falecida esposa de Wright, Afton Wride Wright, esperou por ele enquanto ele servia uma missão de três anos no Japão. Eles também retornaram ao país após o casamento.
Agora ele retornará ao Japão novamente, desta vez para participar da dedicação do templo de Okinawa.
“Estou ansioso para compartilhar a dedicação com meus irmãos e irmãs de lá, compartilhando a alegria do templo”, disse ele. “A ancestralidade das Ilhas Ryukyu é rica: rica em cultura, rica em tradição, rica em arte.”

